Economia
Justi�a suspende venda da Varig Log
| JANAINA LAGE Folha Online A Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro concedeu liminar determinando o arresto dos bens da Varig Log (empresa de transporte de cargas) e da VEM (Varig Engenharia e Manutenção). A medida, na prática, suspende a venda da Varig Log pela companhia aérea Varig ao grupo americano Matlin Patterson. A juíza da 19ª Vara do Trabalho, Giselle Bondim Lopes Ribeiro, acatou o pedido da Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Fentac-CUT) ligada à CUT e de sindicatos do setor para que os bens fossem penhorados. O despacho da juíza não inclui, no entanto, os bens da Varig, Rio-Sul e Nordeste Linhas Aéreas, que estão em processo de recuperação judicial na 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Em seu despacho, a juíza confirma que existem indícios de fraude no negócio. Os trabalhadores acusam a Varig de incluir o passivo trabalhista de suas subsidiárias na lista de credores da empresa a fim de torná-las mais atraentes para futuros compradores. Ao final do processo, com a venda das empresas, restaria apenas a aérea Varig, que morreria com todas as dívidas. A percepção dos sindicatos é que a atual gestão pretende vender os ativos saudáveis do grupo e, depois disso, deixar a Varig ir à falência. A Varig alega que a lista de credores foi feita às pressas e que o erro já foi corrigido. ?Deve ser destacado que não sendo tais empresas parte do processo de recuperação judicial, estas, em tese, poderão ser vendidas sem autorização do Juízo Empresarial, o que significa dizer que o produto da venda não reverterá para a recuperação judicial, mas sim para seus acionistas?, afirma a juíza. O arresto dos bens inclui também as marcas Varig Log e VEM. ?Defiro a medida cautelar de arresto em relação à Varig Log e a VEM, para que suas ações não sejam vendidas, assim como bens móveis e imóveis que possuam, inclusive marcas?, determina a juíza. O presidente do Conselho de Administração da Varig, David Zylbersztajn, afirmou que a empresa não tem outra alternativa para obter recursos e atravessar o período de recuperação judicial se for impedida de vender sua subsidiária de transporte de cargas, Varig Log. ?A Varig não tem plano B. Já falei para o pessoal que está sendo contra para eles apresentarem o plano que quiserem. Só tem uma saída, a não ser que alguém apresente outra e será bem-vinda conosco ou com outros administradores?, disse. Às vésperas do prazo final de apresentação do plano de reestruturação da empresa, Zylberstajn disse ter ficado surpreso com a ação judicial. ?Esse tipo de coisa começa a estancar a capacidade da empresa de alavancar recursos e vai ter conseqüências principalmente porque ninguém apresenta outro tipo de solução?, disse.