Economia
Furac�o eleva pre�o do petr�leo em NY
| VINÍCIUS ALBUQUERQUE Folha Online O preço do petróleo recuou ontem, depois de ter atingido os US$ 70,80 na pré-abertura dos negócios. O furacão Katrina se dirige agora para os Estados do Mississippi e do Alabama (sul dos EUA), afastando-se das instalações petrolíferas do golfo do México. Às 15h09 (em Brasília), o barril do petróleo cru para entrega em outubro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, estava cotado a US$ 66,65, alta de 0,79%. A disparada do preço se deu devido ao temor de que o furacão Katrina causasse maiores interrupções de produção nas refinarias e plataformas americanas no golfo do México. Analistas do setor petrolífero já dizem, no entanto, que, com as interrupções já feitas em refinarias da região, em caráter preventivo, já ficou comprometida a produção de pelo menos dois meses. Mais de 40% de toda a produção nas instalações no golfo do México já foi interrompida devido ao Katrina. Outras refinarias da região já anunciaram que tiveram suas operações afetadas. O Katrina já se dirige para os estados do Mississipi e do Alabama ? este último já registra apagões causados pela queda de postes de iluminação derrubados pela força dos ventos. Cerca de 116 mil pessoas estão sem luz. Segundo o mais recente boletim do Centro Nacional de Furacões dos EUA, o Katrina continua perdendo força e já está na categoria 2 [causa danos de médio porte] e seus ventos internos giram em torno de 170km/h. As plataformas do golfo do México produzem cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia, um quarto da produção do país e cerca de 2% da produção mundial. No ano passado, a passagem do furacão Ivan também interrompeu as atividades das plataformas e refinarias da região, o que afetou o fornecimento por meses. Também preocupa a situação do fornecimento de gasolina, cujo estoque está baixo. O estoque de gasolina do país caiu em 3,2 milhões de barris, para 194,9 milhões de barris na última semana ? menor nível desde novembro de 2003 ? segundo relatório divulgado na quarta-feira (24) pelo Departamento de Energia dos EUA. Brasil O mercado de câmbio brasileiro acompanhou de perto ontem a cotação do barril de petróleo no exterior. Entretanto, após subir 0,50%, o dólar inverteu o movimento e fechou em baixa de 0,74%, a R$ 2,385 na venda. Depois de atingir os US$ 70,80 e bater novo recorde de cotação, o petróleo diminuiu a alta. No final dos negócios, o barril para entrega em outubro era cotado a US$ 66,20 na Bolsa Mercantil de Nova York. Na sexta-feira, fechou em torno de US$ 66,13. Operadores ressaltam que continua havendo entrada de recursos no país, o que impede a sustentação de uma alta forte da divisa. O saldo da balança comercial brasileira foi positivo em US$ 973 milhões na quarta semana de agosto, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento. No acumulando do ano, o superávit chega a US$ 28,133 bilhões, um crescimento de 29,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. No horário do fechamento do dólar, a Bolsa de Valores de São Paulo subia 1,08%, influenciada pelo aumento das apostas de corte da Selic. O boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, mostra que os analistas consultados pela instituição projetam uma redução no juro básico para 19,25% ao ano em setembro. Se isso ocorrer, será a primeira queda em um ano e meio. Hoje, a taxa Selic está em 19,75% ao ano.