Economia
Importa��es batem recorde hist�rico
| PATRÍCIA ZIMMERMANN Folha Online As importações bateram recorde mensal histórico em agosto. No mês passado, as compras feitas no exterior somaram US$ 7,676 bilhões, o maior valor já registrado em um único mês. Com isso, a média diária de importações ficou em US$ 333,7 milhões no mês, uma alta de 30,6% na comparação com agosto de 2004 e um incremento de 15,9% em relação a julho deste ano. Essa também foi a maior média diária já registrada. A cotação do dólar, que se manteve baixa nos últimos meses, tem contribuído para o aumento das importações. Em tese, a desvalorização da moeda norte-americana reduz a competitividade dos produtos nacionais no exterior e favorece a compra de produtos importados. As exportações do período totalizaram US$ 11,348 bilhões, também o maior valor de 2005, com média diária de US$ 493,4 milhões. Apesar do crescimento de 19,9% na média diária em relação a agosto do ano passado, o valor das exportações por dia útil caiu 6,3% em relação ao mês anterior. Com um saldo de US$ 217 milhões nos três últimos dias úteis, a balança comercial encerrou o mês de agosto com um superávit de US$ 3,672 bilhões. No ano, o saldo da balança comercial brasileira soma US$ 28,348 bilhões ? com exportações de US$ 76,086 bilhões e importações de US$ 47,738 bilhões. No mesmo período de 2004 (janeiro a agosto), o superávit comercial alcançava US$ 21,904 bilhões. No ano passado, as exportações desse período somavam US$ 61,355 bilhões e as importações eram de US$ 39,451 bilhões. Ou seja, nesse período, o superávit comercial registrou uma evolução de 29,42%. Já as exportações cresceram 24,01%, contra um avanço de 21,01% das importações. Para este ano, os analistas do mercado financeiro prevêem um superávit comercial de US$ 40 bilhões, resultado que seria bastante superior ao recorde histórico de US$ 33,696 bilhões registrado no ano passado. Revisão Após sucessivos recordes na balança comercial brasileira, o Ministério do Desenvolvimento irá revisar as suas projeções para o ano. A meta de exportações está em US$ 112 bilhões para o ano, mas o número deverá ser elevado, já que no acumulado dos últimos 12 meses até agosto o volume é de US$ 111,2 bilhões. Para o ano que vem, a projeção é que as vendas ao exterior cheguem a US$ 120 bilhões. Segundo o secretário-interino de Comércio Exterior, Armando Meziat, a recomendação de revisão dos números de exportação e importação veio do ministro Luiz Fernando Furlan. A expectativa é que o trabalho, que será feito tendo como base consultas às empresas, seja concluído dentro de duas semanas. Entre janeiro e agosto, a corrente de comércio ? exportações e importações ? chegou a US$ 182,3 bilhões, o que representa 27,5% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para o período. Quanto maior essa relação, maior o grau de abertura de uma economia. No Brasil, esse grau de abertura tem sido baixo nos últimos anos. No ano passado, foi de 26,4% do PIB. Meziat acredita que o grau de abertura poderá chegar a 30% até o fim do ano. ?Não diria que é uma meta, mas é um número expressivo?, avalia. Sobre os números do mês ?com exportações e importações recorde ?, o secretário disse que parte do desempenho está relacionado com o petróleo, que tem atingido cotações recordes no mercado internacional ? acima de US$ 60 o barril. De acordo com o secretário, as importações de petróleo subiram principalmente devido ao aumento do preço da commodity. Já as compras de derivados do petróleo (combustíveis e lubrificantes) cresceram não só pelo aumento dos preços, mas também da quantidade. Apesar dessa influência do petróleo, os bens de capital e as matérias-primas foram os itens mais expressivos na pauta de importação brasileira no mês passado. A cotação do dólar, que se manteve baixa nos últimos meses, tem contribuído para o aumento das importações.