loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Pastore admite c�mbio valorizado

Ouvir
Compartilhar

| JULIANA RANGEL Globo Online O economista Affonso Celso Pastore, que esteve à frente do Banco Central do Brasil entre 1983 e 1985, afirmou esta semana que a atual valorização do real em relação ao dólar não é fruto apenas das altas taxas de juros do País, que atraem a entrada de capitais. Segundo ele, este efeito está sendo provocado também pelas exportações do país, que pegam carona em um ciclo expansionista da economia mundial. Outro fator que influencia o câmbio, para o economista, é o atual superávit em conta corrente do Brasil. ?Quando o Brasil saiu de défit em conta corrente para superávit em conta corrente, produzindo aquela gigantesca depreciação cambial, ele gerou exportações a mais porque contraiu o consumo interno?, afirmou. Apesar de admitir que o câmbio mais valorizado expõe o país a dificuldades no balanço de pagamentos, o economista disse que o câmbio superdesvalorizado ? que, segundo alguns especialistas, seria o caminho para o crescimento econômico do País ? também tem custos altos: ?Isso baixa o consumo interno, baixa a formação bruta de capital fixo, causa impulsos inflacionários que obrigam (o governo) a trabalhar com taxas mais altas de juros reais, aumenta a relação da dívida com o PIB e eleva o prêmio do risco da economia brasileira?, assinala. Máquinas e equipamentos Para ele, a solução para o problema do comércio exterior do País passaria pela liberalização nacional das importações, especialmente de máquinas e equipamentos, e pela integração comercial regional, que permitiria o aumento maior das exportações. ?Há muitos anos que eu leio economistas mais velhos dos anos 60 e 70, quando se discutiam as vantagens e desvantagens dos superávits comerciais altos. É claro que em países com crise de dívida externa precisam baixar essa dívida e só podem fazer isso com superávits em conta corrente. Mas o grande benefício das exportações não é a receita das exportações, mas o fato de que elas permitem que você importe mais produtos nos quais você não tem eficiência relativa?, disse. Dependência Para ele, se o país é dependente de importações para aumentar a formação bruta de capitais fixos, não há dúvidas de que o crescimento será maior quando as importações crescerem, e não quando os saldos comerciais forem maiores. ?Esse é um tipo de visão mercantilista pré-Adam Smith e não de uma visão que no fundo busca a eficiência econômica e a promoção do crescimento econômico?, avaliou. Pastore também alertou que é preciso ter cuidado com a visão de que é necessário taxar exportações de commodities, onde os ganhos são altos, para subsidiar exportações de manufaturados. E alertou para os altos custos das intervenções do Banco Central no câmbio. Juros Ainda que a taxa real de juros fosse mais baixa, qualquer acumulação de reservas para produzir intervenções significativas no mercado de câmbio representaria uma subida de custos financeiros no déficit público. ?Quando você tem um País que já tem uma relação de dívida pública alta e que precisa aumentar o seu superávit primário para baixar mais essa relação da dívida pública, há formas de tentar resolver essa questão que são mais eficientes que simplesmente a sustentação da taxa de câmbio em um nível mais depreciado?, disse o ex-presidente do Banco Central. Para Pastore, visões simplistas são erradas: ?Para entender o papel do mercado de câmbio é preciso descer muito mais a fundo do que a simples visão de que é óbvio que se o Brasil fizer o que a China vem fazendo, o País estará melhor?, acrescentou.

Relacionadas