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Infra-estrutura � gargalo da AL, diz Bird

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| FOLHA ONLINE A América Latina gasta atualmente menos de 2% de PIB em infra-estrutura. Para alcançar os atuais níveis de crescimento de países como a Coréia do Sul e a China, no entanto, o gasto deveria estar entre 4% e 6% por ano durante os próximos 20 anos, segundo relatório divulgado esta semana pelo Banco Mundial (Bird). De acordo com o estudo, a queda dos investimentos em infra-estrutura na região na última década impede o crescimento econômico, a redução da pobreza na região e a capacidade de competir com as economias asiáticas. ?O progresso na América Latina e no Caribe tem sido geralmente mais lento que em outros países de receitas médias, como a China?, disse a economista-chefe do Banco Mundial em Infra-estrutura para a América Latina e o Caribe, Marianne Fay. ?A América Latina e o Caribe agora estão atrasados nas áreas de eletricidade, estradas e linhas de telefonia fixa?. O estudo mostra que o investimento do setor privado jamais compensou a redução do setor público da década de 1990 e o nível de participação privada tem diminuído e se restringido a alguns países. Do investimento privado em infra-estrutura na região entre 1990 e 2003, 93% foi para apenas seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e México). Para o Bird, a atração do setor privado para investimentos em infra-estrutura dependerá de marcos legais, regulatórios e institucionais mais fortes, contratações mais transparentes, e estruturas de financiamento que diminuam os riscos e aumentem os retornos para os investidores. ?A experiência recente na América Latina ilustra que os governos permanecem a cargo da provisão de infra-estrutura?, disse a co-autora do relatório, Mary Morrison. ?Não só o financiamento público é às vezes indispensável, mas o estado tem um papel essencial para jogar na parceria e supervisão dos operadores privados e proteção dos consumidores?. ?O crescimento da América Latina tem sido inerte na última década, na qual a região viveu a praga de tremenda volatilidade devido a causas naturais e econômicas. A região é, também, uma das mais desiguais do mundo. A infra-estrutura tem um papel-chave a desempenhar em ambos desafios particulares. Também tem um impacto direto na redução da pobreza. Reduzir a proporção de pessoas sem acesso à água tratada e saneamento básico até o ano de 2015 é, por exemplo, uma das Metas do Milênio?, disse Pamela Cox, vice-presidente do Bird para América Latina e Caribe. De acordo com ela, a região apresentou avanços, mas ainda está aquém de seus competidores na Ásia, em especial a Coréia, que vem destinando volumes maciços de dinheiro para a área. O banco estima que o Brasil, por exemplo, pode obter crescimento de 2,9% na economia se destinar recursos suficientes para se igualar à Costa Rica, país utilizado como modelo na região por sua capacidade de infra-estrutura. Com cerca de 4% a 6% do PIB alocado no setor, o Brasil receberia de volta taxas de 4,4% de crescimento. Os números se explicam, em linhas gerais, pelos benefícios gerados pela ampliação de acesso à luz elétrica (como a possibilidade de maiores jornadas de trabalho e estudo, presença de estradas trafegáveis para escoamento de produção, telefonia e saneamento básico) com a queda nos gastos em saúde, por exemplo. Por isso, o banco também quer voltar a focar suas parcerias em infra-estrutura, como fazia há algumas décadas. A pesquisadora responsável pelo estudo, Marianne Fay, aposta que os países podem correr atrás do prejuízo. ?Basta voltarem a fazer como faziam no passado?. Uma boa alternativa, diz ela, é a utilização de Parcerias Público-Privadas, como planeja fazer o Brasil.

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