Economia
Envio de recursos neutralizam exporta��es
| ÊNIO VIEIRA Globo Online Os ganhos do Brasil com o comércio exterior nos últimos três anos foram neutralizados pelas transferências de recursos do País para o exterior. Segundo o diretor da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) no Brasil, Renato Baumann, o aumento de preços das exportações em relação às importações entre 2002 e 2004 contribuiu um ganho de 0,2 ponto percentual ao ano no Produto Interno Bruto (PIB). Mas, quando se adiciona o comércio à remessa de recursos (juros, lucros), o efeito na renda é uma perda de 0,1 ponto percentual ao ano para o Brasil. Os números constam do relatório de Comércio e Desenvolvimento de 2005 da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Baumann disse que o Brasil tem sido beneficiado no comércio internacional pelo aumento de preços de commodities (minério de ferro, soja). Segundo ele, as projeções apontam para uma queda gradual dos preços destes produtos no longo prazo. Mas a economia brasileira poderá manter o desempenho exportador por causa do crescimento da China e da Índia. Pelo relatório da Unctad, a economia mundial deverá sofrer uma desaceleração em 2005 e pode crescer 3% neste ano, contra os 3,4% registrados em 2004. O Brasil deve cair de um ritmo de crescimento de 4,9% no ano passado para 3% em 2005. Se este cálculo se confirmar, o país deverá crescer apenas metade da média de 5,4% dos países em desenvolvimento e de 4,2% da América Latina. Os Estados Unidos devem desacelerar de um nível de crescimento de 4,4% para 3,5%. ?O problema é que o menor crescimento americano não foi compensado pela União Européia e Japão, que seguem crescendo ainda menos?, disse o economista da Cepal. Baumann avaliou que a alta do petróleo deve ter efeitos menores de inflação e crescimento econômico do que nos choques de 30 anos atrás. Os números da Unctad mostram que as importações correspondiam a 4% do PIB nos países industrializados e hoje elas respondem por 2%. A dependência, segundo Baumann, continua maior nos países em desenvolvimento, onde as importações representam cerca de 4% do PIB.