Economia
EUA aumentam importa��es de a��car
| PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Os Estados Unidos aumentaram sua cota de importação mundial de açúcar, abrindo espaço para a exportação de 29 mil toneladas commodity produzida no Nordeste e Norte do Brasil. Inicialmente, a chamada cota preferencial de açúcar para o mercado americano ficou estabelecida em cerca de 165,6 mil toneladas para este ano. Entretanto, houve uma quebra de safra no País e, para regular seus estoques internos, os Estados Unidos resolveram aumentar a importação do produto. O Estado brasileiro mais favorecido por esse incremento nas importações americanas foi Alagoas, que ficou com cerca de 38% das cotas ou 15,3 mil toneladas. Em seguida, vem Pernambuco, com 13,3 mil toneladas e Rio Grande do Norte, com 1,2 mil. Mas também têm cotas a Paraíba (852 toneladas), Sergipe (558 toneladas), Maranhão (105), Amazonas (132) e Bahia (1,2 mil). As quantidades citadas são em toneladas curtas, seguindo as unidades de peso e medidas dos Estados Unidos. No total, são 33 mil toneladas curtas ? ou 29 mil toneladas pela unidades de medidas brasileiras. As cotas americanas de açúcar são abertas para 40 países, entre eles, a Guatemala e as Filipinas. Contudo, em função do período da safra, nem todos os países foram contemplados com o pedido adicional de 76,6 mil toneladas curtas da commodity como o Brasil. As exportações de açúcar para os Estados Unidos não são significativas em termos de quantidade, tendo em vista que a existência de subsídio visa proteger a produção nacional de açúcar americano. ?Lá, assim como na Europa, os produtos à base de beterraba também têm alto custo de produção. Se o açúcar brasileiro mais competitivo fosse disputar espaço, levaria os produtores à bancarrota?, explica Angelo Bressan, diretor do Departamento de Açúcar e de Álcool do Ministério da Agricultura. ?Então desde os anos 80, a partir da Rodada do Uruguai, que os Estados Unidos estabeleceram cotas de importação para fazer um política de boa vizinhança comercial com outros produtores mundiais?, relembra Bressan. Mas, para os produtores de açúcar brasileiros e de outros países, a vantagem de exportar para os Estados Unidos pelo sistema de cotas é interessante porque, embora os volumes sejam pequenos, os Estados Unidos pagam o dobro do preço pelo produto. Só para se ter noção, a tonelada do produto negociado na Bolsa de Nova York está oscilando atualmente na casa dos US$ 200. As cotas preferenciais americanas pagam US$ 450 pela mesma tonelada da commodity. O Ministério da Agricultura restringe as cotas americanas ao Norte e Nordeste do País para estabelecer um incentivo à produção destas regiões que são menos competitivas que o Centro-Sul. ?Quem produz mais, fica com percentuais maiores?, diz Angelo Bressan. Como Alagoas é o maior produtor de açúcar da região, seu percentual é maior. E, mesmo dentro dos estados, prevalece o critério de produção. Por isso, os maiores produtores de açúcar do Estado tem percentuais maiores em relação aqueles com produção menor. ALAGOAS Em Alagoas, os empresários do setor sucroalcooleiro acolheram positivamente a notícia do incremento das importações americanas. ?Um aumento nas cotas é sempre muito bem-vindo, só não foi melhor porque as quantidades são sempre bem pequenininhas?, diz José Carlos Maranhão, líder do Grupo Maranhão. Segundo o empresário, os produtores alagoanos não terão nenhuma dificuldade em atender ao pedido inesperado de açúcar porque o volume não tem impacto significativo nos estoques de açúcar do Estado. ?Atualmente, as exportações de açúcar para os Estados Unidos representam 7% do total de açúcar exportado por Alagoas?, conta Maranhão. ?Com o adicional deste ano, o percentual deve subir para 8%?, calcula.