Economia
Em crise, empresas de �nibus demitem
| FELIPE FARIAS Repórter O sindicato que representa os rodoviários vai convocar a direção da Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsal) para passar a fazer parte das negociações do acordo coletivo da categoria. Segundo dirigentes da entidade, apesar de não representar nem patrões nem empregados, a Arsal seria a principal responsável pelo impasse nas negociações porque, segundo eles, não consegue controlar o transporte alternativo, cuja concorrência é apontada pelos empresários do setor como a causa da crise que tem levado à perda de linhas e redução de carros em operação, por parte das empresas, e que provocou a demissão de cerca de 900 rodoviários nos últimos dois anos. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Estado de Alagoas, Divanildo Ramos, disse que a entidade vai dar prazo até terça-feira para que os empresários apresentem uma contraproposta à pauta de reivindicações da categoria, cuja data-base é este mês. Se não houver acordo, a entidade ameaça promover mobilização para fechar as entradas de Maceió até o fim da semana que vem como forma de pressionar o governo a mediar uma solução para o impasse. ?Não estamos fazendo a defesa do patrão. É que a concorrência é mesmo desleal. E estamos sentindo o reflexo disso na crise por que as empresas estão passando na forma das demissões que se repetem dia após dia?, informou. Redução De acordo com o sindicato, a Real Alagoas, que possuía 124 carros operando em 112 linhas para todas as cidades alagoanas, está hoje com 86 ônibus cobrindo apenas 35 linhas. A empresa Atlântica tinha 65 carros em operação na época da regulamentação do transporte alternativo; hoje está com apenas 35. E a Viação Rio Largo teve de passar suas linhas para a empresa Tropical, de Aracaju (SE), que assume a operação em Alagoas em 1º de outubro, segundo o sindicato. ?A Arsal perdeu o controle sobre os alternativos?, acrescenta Cícero Vital, também dirigente sindical. Segundo ele, a agência autorizou a operação de 720 carros que exploram transporte alternativo na época da regulamentação, mas já existiriam hoje cerca de 2 mil em circulação. ?Há localidades do interior cuja demanda só comporta dois ônibus, mas tem 40 carros de transporte alternativo em circulação?, endossa Ramos. ?E é só o ?filé? que eles pegam?, acrescenta José Wilson da Silva, também dirigente do sindicato, referindo-se aos usuários do transporte alternativo: ?Eles não aceitam vale-transporte, não transportam policiais nem idosos, não pagam encargos sociais e empregam menores como cobradores?, acusa. ?E os rodoviários demitidos não estão sendo absorvidos pelo transporte alternativo, como prometido pela Arsal?, acrescentou Silva. Diante da situação, o sindicato vai cobrar da Arsal que passe a integrar a mesa de negociações do acordo coletivo, mesmo não representando nenhuma das partes envolvidas.