Economia
Gasolina sobe hoje at� 9% nos postos
| JANAINA LAGE Folha Online A gasolina deve subir em média 5% para os consumidores, podendo chegar a até 9%, a depender dos casos. A Petrobras anunciou ontem reajuste de 10% na gasolina e de 12% no diesel nas refinarias a partir da 0h deste sábado. Os percentuais não incluem ICMS (Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços). Segundo cálculos de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, a gasolina ficará em média 5% mais cara nas bombas e o preço do diesel deverá subir cerca de 7%. Como o preço da gasolina nos postos é livre, os percentuais representam uma média do que deverá ser aplicado em todo o País. Os reajustes anunciados pela estatal incluem impostos como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o PIS-Cofins, que representam cerca de 18% do preço da gasolina nas bombas, mas não o Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), responsável por 32% do preço da gasolina. O percentual do preço de realização da Petrobras representa 28% do valor cobrado nas bombas. Os percentuais anunciados pela Petrobras serão pagos pelas distribuidoras de combustíveis quando adquirirem o produto nas refinarias. A Petrobras destaca que o impacto para o consumidor será de fato menor porque os aumentos não incidem sobre os impostos nem sobre os 25% de álcool que compõem a gasolina, nem sobre as parcelas de distribuição e revenda. Este é o primeiro aumento dos combustíveis anunciado pela estatal em 2005. Em 2004, a Petrobras elevou o preço da gasolina e do diesel três vezes. O primeiro reajuste foi de 10,8% para gasolina e de 10,6% para o diesel em 15 de junho. O segundo aumento foi de 4% para a gasolina e de 6% para o diesel em 14 de outubro e o terceiro, anunciado com um intervalo de apenas 42 dias, foi de 7% na gasolina e de 10% no diesel em 25 de novembro. Na época, José Sérgio Gabrielli, atual presidente da estatal, admitiu que houve influência do calendário eleitoral na definição do reajuste. Preços internacionais Há cerca de quinze dias, a Petrobras anunciou que só iria reajustar os preços dos combustíveis no Brasil depois que a cotação do petróleo se estabilizasse no mercado internacional. ?Quando a Petrobras achar que o mercado internacional se estabilizou, vai ter ajuste no Brasil?, disse Gabrielli. ?Não vamos anunciar a política de preços antecipadamente?. O presidente da estatal reconheceu que os preços domésticos não poderiam estar descolados dos internacionais por ?muito tempo?. Analistas afirmam que o preço do óleo seguirá volátil nas bolsas internacionais. O último reajuste dos combustíveis no país ocorreu em novembro, quando o barril de petróleo Brent no mercado internacional estava cotado a US$ 42. A escalada do preço do petróleo é apontada pelo Banco Central como a maior ameaça à estabilidade de preços no País. A pressão inflacionária é o argumento do BC para não reduzir a taxa básica de juros. ?A principal preocupação é a forte alta dos preços do petróleo. Seu recrudescimento recente reforça temores de que esses preços possam atingir picos mais elevados do que se contemplava até há pouco tempo como o cenário mais provável?, disse a ata da reunião do Copom de agosto.