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Consignado empresta R$ 97 mi em AL

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PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Os aposentados e pensionistas alagoanos já captaram R$ 97 milhões em empréstimos com desconto em folha até 2 de setembro deste ano. São dados mais recentes da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), ligada ao Ministério da Previdência Social. Só para se ter uma idéia desse montante financeiro, ele é quase três vezes maior do que o faturamento mensal do Shopping Center Iguatemi ? o reduto de consumo da classe média de Maceió ?, que gira em torno de R$ 35 milhões. E, ao que tudo indica, os valores do crédito consignado ofertados aos pensionistas do INSS do Estado têm tudo para crescer ainda mais daqui por diante. Dos 244,4 mil beneficiários e pensionistas regulares, apenas 55.551 tomaram empréstimos até o início de setembro. Ou seja, pouco mais de 22% do contingente geral do INSS. Vale ressaltar que a grande maioria dos pensionistas alagoanos que buscam o crédito com desconto em folha ganha apenas um salário mínimo. Traduzindo em números: cerca de 38 mil deles (69%) já captaram R$ 51,4 milhões em empréstimos que correspondem a mais de 50% do volume financeiro total. Os que ganham entre um e dois salários mínimos são o segundo grupo mais expressivo entre os clientes do crédito consignado, totalizando cerca de seis mil pensionistas. Esse grupo abocanhou R$ 10 milhões em empréstimos. Por outro lado, em termos de valores repassados, o segundo grupo mais importante do crédito consignado alagoano é formado pelos clientes que ganham mais de cinco salários mínimos. Esse contingente, formado por 2,8 mil pensionistas e aposentados, já tomou R$ 12,2 milhões em crédito. No Brasil, a maioria dos empréstimos também é requisitada pelo grupo que ganha um salário mínimo. Cerca de 2 milhões já obtiveram R$ 2,7 bilhões em crédito. No País são mais de 4,3 milhões de clientes ativos, segundo o Dataprev, totalizando quase R$ 9 bilhões em empréstimos. Outro dado curioso é que 65,77% dos pensionistas e beneficiários brasileiros do INSS que obtiveram empréstimo com desconto em folha dividiram seus débitos em 31 ou até 36 parcelas. Apenas 1,45% deles parcelaram o empréstimo em até seis pagamentos. LÍDER Na Região Nordeste, o montante emprestado aos aposentados e pensionistas alagoanos fica acima apenas dos volumes financeiros repassados aos beneficiários sergipanos. No Estado vizinho, dos 137 mil, 34 mil tomaram emprestados R$ 61 milhões. A Bahia lidera o ranking do crédito consignado ao beneficiário do INSS, com R$ 504 milhões repassados a 272 mil pessoas. Em seguida vem Pernambuco, com R$ 362 milhões para 197 mil beneficiários e o Ceará, com R$ 263 milhões para 171,1 mil clientes. Os valores são proporcionais ao número real de beneficiários permanentes do INSS que nesses estados são maiores do que em Alagoas e Sergipe. Na Bahia há 1,3 milhão de pensionistas e aposentados, enquanto em Pernambuco são 870 mil e o Ceará 826 mil. ### Consignado chega às empresas privadas O crédito consignado já foi uma espécie de patinho feio do mercado financeiro. Nem a equipe econômica do governo colocava lá muita fé nele. Iniciado em 1998, apenas para os servidores públicos, o acesso ao empréstimo com desconto em folha para pensionistas e aposentados do INSS só foi operacionalizado em 2004. Desde então, a linha de crédito só faz crescer atraindo cada vez mais o interesse de bancos dispostos a assinar convênio com o INSS, além das instituições financeiras como o Banco do Brasil e o BMG que agora querem oferecer o crédito consignado para funcionários das empresas privadas. De acordo com o Banco Central (BC), a manutenção do consumo observada em todo Brasil está sustentada, atualmente, na ampliação do acesso ao crédito. Dados mais recentes do BC apontam que o total de crédito ofertado por consignação com desconto em folha de pagamento ultrapassa os R$ 18 bilhões. Os juros praticados pelo crédito consignado são mais baixos do que os oferecidos para o crédito pessoal pelos bancos. Segundo dados de maio do Banco Central, a média de juros do empréstimo pessoal girava em torno dos 77,2% ao ano, enquanto que no empréstimo em consignação a taxa anual é de cerca de 35,6%. A distância entre os juros cobrados por cada modalidade de crédito tem uma justificativa fácil de explicar: o risco. Como o crédito consignado tem seu pagamento automaticamente descontado no salário do cliente, os riscos são bem menores do que nas modalidades em que a instituição financeira precisa aguardar a iniciativa de pagamento por parte do cliente do empréstimo. Retorno Muitos apostavam que o crédito consignado iria ter pouca representatividade nos lucros das instituições financeiras. Ledo engano, a modalidade de empréstimo deu o maior retorno. Tanto que os bancos especializados nela apresentaram a melhor rentabilidade do setor bancário no primeiro semestre deste ano. Um levantamento realizado pelo BC mostrou que quatro instituições especializadas em crédito consignado: BMG, Cruzeiro do Sul, BMC e Pine tiveram um retorno médio de 39,5 no ano. Por outro lado, grandes bancos de varejo como Bradesco, Itaú, e Unibanco tiveram rentabilidade média de 27,5%. Vale ressaltar que essas instituições também realizam empréstimos com consignação em folha. Ou seja, mesmo com juros mais baixos os consignados se mostraram um bom negócio.|PM ### Crédito obtido serve para quitar dívidas Cercado ainda de muitos preconceitos ? como, por exemplo, de que os velhinhos do INSS estavam sendo induzidos ao crédito irresponsável por causa das inúmeras propagandas na TV ? o crédito consignado foi esmiuçado em três pesquisas recentes. Duas delas encomendadas pela Associação Brasileira dos Bancos (ABBC) ao Ibope e à Vox Populi, divulgadas nos meses de julho e agosto, respectivamente. E a mais recente, encomendada pelo BMG ao Ibope. Os resultados, desmistificantes, são muito parecidos. A primeira conclusão do estudo do Ibope realizado em julho é que 60% dos tomadores de empréstimo pelo crédito consignado utilizaram os recursos para pagar dívidas. Neste universo, 30% saldaram débitos com lojas, 38% com outros bancos ? sendo que 23% eram dívidas contraídas no cartão de crédito e 9% no cheque especial ? e 39% captaram dinheiro para pagar agiotas, ou dívidas com impostos e condomínio. Ou seja, o consignado não estava desviando os clientes do cheque especial. Outro aspecto curioso, os casos de fraude representam apenas 0,004% do total de contratos de empréstimos assinados pela modalidade de crédito. A maioria esmagadora dos clientes do consignado, 95% deles, disse ter tomado a iniciativa de buscar o empréstimo. Apenas 4% foram procurados pela instituição financeira. Cerca de 60% dos clientes ficaram sabendo da modalidade de crédito pela TV e 91% dos entrevistados consideraram as informações sobre o consignado claras ? apenas 5% consideram as informações confusas. Na pesquisa de agosto, da Vox Populi, por sua vez, foi constatado o alto índice de satisfação dos clientes que contraíram recursos pelo crédito consignado: 43% consideraram o empréstimo ótimo, enquanto 48% o qualificaram como bom. Nessa pesquisa, 69% afirmaram ter obtido crédito para quitar dívidas, 20% disseram utilizar o dinheiro para comprar, construir e reformar seu imóvel. Apenas 7% afirmaram que buscaram o crédito para tratamento de saúde. A facilidade de acesso ao crédito, rápida e sem burocracias, foi a principal vantagem citada por 94% dos consultados pela pesquisa. O mais recente levantamento, encomendado pelo BMG, divulgado no início de setembro, aponta que 32%, quase um terço dos entrevistados, não sabem a taxa de juro que pagaram pelo empréstimo consignado. O perfil típico dos clientes dessa modalidade de crédito é de mulheres com idade média de 56 anos, com formação completa até o ensino fundamental. |PM

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