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Bicicleta � sin�nimo de neg�cios em AL

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REGINA CARVALHO Repórter Preço relativamente baixo e manutenção barata garantem o aumento do número de bicicletas comercializadas em Maceió. Fonte de renda, de transporte e utilizada para a prática de esporte, elas dividem espaço nas ruas com veículos de grande porte. Somente no trecho próximo ao Parque Rodolfo Lins, mais conhecido como Praça do Pirulito, Centro de Maceió, dez lojas vendem bicicletas, peças e oferecem manutenção. Os preços são populares e, por isso, os proprietários dos estabelecimentos comemoram o aumento das vendas nos últimos meses. ?Sem dúvida, aumentou a procura. Não sei precisar em quanto. Mas desde que as passagens de ônibus aumentaram, no ano passado, muita gente tem nos procurado. Ela é muito usada para ir ao trabalho. Vejo isso aqui no Centro?, comemora o vendedor Mousart Alex Tenório. Movimento Localizada na Praça do Pirulito, a loja foi montada há seis anos. A bicicleta de custo mais baixo para adulto custa R$ 160 e para criança R$ 130. ?A manutenção custa de R$ 10 a R$ 15. Temos um mecânico aqui que cuida disso. Nosso movimento é intenso. A procura tem sido muito boa?, informou o vendedor. De acordo com ele, se a manutenção for realizada com freqüência, a bicicleta pode ter vida útil por muitos anos. ?Somente um acidente de trânsito para danificar totalmente uma bicicleta. É mais fácil o ciclista se machucar?, destacou Mousart Alex. Ele conta ainda que muitas pessoas optam por comprarem peças separadamente e montarem a bicicleta. ?Nesse caso, somente o sistema de marcha pode chegar a R$ 1.2 mil. Totalizando as despesas, o cliente pode gastar mais de R$ 3 mil. Esse tipo é muito utilizada em trilhas e também é bastante procurada?, acrescenta. Alvo fácil Um professor universitário, que prefere não se identificar, é cliente assíduo de uma loja no Centro de Maceió. Ele participa com freqüência de trilhas. ?Prefiro montar minha bicicleta por uma questão de segurança?, declarou o professor, ressaltando ainda que proprietários de bicicletas têm sido alvo fácil da ação de assaltantes. ?Tem que deixar dentro de casa e com cadeado de preferência. Conheço pessoas que foram vítimas?, relatou o professor. O vendedor Mousart Alex conta que seu irmão, que mora no Sítio São Jorge, optou por utilizar uma bicicleta para se deslocar até o local de trabalho, no Centro da cidade. ?É longe, mas sai bem mais barato. Com o tempo, o ciclista se acostuma com a distância e ainda economiza?, explicou o funcionário da loja. Os preços das bicicletas comercializadas pelas lojas nas proximidades da Praça do Pirulito não variam muito. Ficam quase sempre entre R$ 150 e R$ 170, para adultos. Valor inferior ao encontrado em outros estabelecimentos, distribuídos pelos bairros da capital. Os lojistas reconhecem a vantagem e são quase unânimes em afirmar que o lucro é certo. ### Veículo complementa renda familiar A procura por bicicletas do tipo cargueira tem aumentado nos últimos meses e custam entre R$ 300 e R$ 400, preço encontrado em lojas populares da capital. Elas viraram meio de sobrevivência para muitas famílias que para complementarem a renda ou mesmo como única fonte, resolveram vender CDs, DVDs, fazer publicidade e entrega de produtos. Donos de estabelecimentos comerciais também passaram a ser clientes das lojas. ?Essa bicicleta virou opção de trabalho para muita gente que nos procura. Temos vendido bastante?, conta Janaína Mainara da Silva, proprietária de duas lojas de bicicletas no centro da capital. Segundo a proprietária, cerca de 20 bicicletas são comercializadas por mês em cada loja, além da garantida procura por peças e acessórios. Ela recomenda a seus clientes que realizem manutenção a cada 90 dias. ?Oriento porque dessa forma ela (bicicleta) vai resistir muito mais tempo?, explicou. Atualmente Janaína garante o sustento da família com os dois estabelecimentos na Praça do Pirulito, abertos há dez anos. ?A manutenção custa de R$ 12 a R$ 15, dependendo do serviço. Nós estamos vendendo bem?, comemora.|RC ### Preço de ônibus urbano impulsionou vendas Uma das pioneiras na comercialização de bicicletas na Praça Rodolfo Lins, no Centro, é Maria José Correia Teixeira. Ela está no ramo há 24 anos. Quando chegou no local existiam apenas mais três proprietários. ?As vendas até já foram melhores, mas os preços têm aumentado muito?, lamenta a proprietária. Os motivos que contribuíram para a queda, de acordo com ela, foram a concorrência e os preços abusivos repassados pelos revendedores. ?Hoje a concorrência é muito grande. Antes, quando eram poucas lojas, vendíamos muito mais. Atualmente, em todos os bairros existem pelo menos uma loja de bicicleta?, lamenta. Ela confirma que vende cerca de 30 delas por mês, além de peças para motocicletas. Parte dessa comercialização é a bicicleta do tipo cargueira. ?Esse tipo de bicicleta custava R$ 280 até março desse ano, mas agora já custa R$ 400. Foi um aumento exagerado. Estou pedindo menos desse produto por causa do preço?, destacou. Economia Maria José conta ainda que a opção pela bicicleta como meio de transporte veio, principalmente, para suprir a falta de dinheiro com despesas de passagens de ônibus. ?O salário desse pessoal não dá para pagar a passagem. Sai muito mais barato andar e comprar uma bicicleta?, acrescentou. A movimentação de clientes na Praça do Pirulito é intensa, tradicional ponto-de-venda de bicicletas, motocicletas, peças e acessórios. A aproximação da data comemorativa do Dia das Crianças, em outubro, já está aquecendo as vendas e deixando os vendedores otimistas com os resultados que virão. ?É venda certa. Muita gente compra bicicleta no Dia das Crianças?, comemora Janaína Mainara. Agilidade As bicicletas também se tornaram meio de transporte fundamentais em determinados estabelecimentos comerciais espalhados em vários bairros de Maceió. São distribuidoras de bebidas, botijões de gás, alimentos, dentre outros serviços. Elas garantem agilidade na entrega, com a redução de custo e gera empregos. Ou seja, de entregadores. Basta um telefonema para o cliente ter em sua casa ou em seu estabelecimento o pedido entregue. Esse é o caso de um depósito de bebidas na Pajuçara. Michelle Moura, gerente do estabelecimento, conta que tem três bicicletas para entrega de bebidas e botijões de gás. Esse serviço está sendo oferecido há quatro anos. ?Desde que a gente abriu, que temos esse tipo de entrega?, declarou. Três funcionários fazem o serviço de pelo menos 50 entregas por dia em restaurantes, boates, bares, mercearias e residências. ?Temos entrega a todo momento. É muito trabalho. Não paramos?, informou a gerente. Da Pajuçara, onde fica localizado o depósito, os entregadores fazem o serviço para vários bairros de Maceió. Alguns deles mais distantes, como é o caso do Poço. RC ### Serviço de manutenção é favorecido As lojas que oferecem serviços de manutenção, conserto, revisão, venda de peças e acessórios têm público fiel e cada vez maior. Uma delas está localizada no Tabuleiro do Martins. Com clientela certa e cada vez maior, as lojas populares de venda de bicicleta são encontradas com freqüência na periferia da cidade. Pelo menos dez clientes por dia procuram esse estabelecimento, que recebe clientes de vários bairros. ?Percebemos um aumento da procura. Temos um preço popular de até R$ 12 para a revisão de bicicleta que atraem a clientela?, disse a funcionária da loja Sueli Dionísio do Nascimento. Ela reconhece que as vendas estão indo muito bem. ?Tem pouco tempo que estou trabalhando aqui, mas já sentimos que tem crescido a procura?, acrescentou. Tradição Uma tradicional mercearia do bairro Gruta, em Maceió, com 20 anos de existência, utiliza o serviço de entrega com bicicletas há cinco anos. O negócio está dando certo e até será ampliado. A informação é de uma funcionária do estabelecimento. ?Esse é um serviço interessante para o cliente e melhora as vendas. Já estamos pensando em trabalhar com motos para ampliar ainda mais os locais de entrega. Ir para outros bairros?, informou a funcionária da mercearia Maria Ferreira Gomes. O estabelecimento disponibilizou quatro bicicletas para o serviço de entrega e mesmo assim os pedidos não param de chegar por telefone. De acordo com a funcionária, em média 50 pedidos são feitos diariamente por clientes que residem entre o Jardim do Horto (Gruta) e a Avenida Rotary, no bairro Farol. ?Entregamos do sal ao gás, no limite dessas duas localidades?, ressalta Maria Ferreira. Os quatro funcionários trabalham exaustivamente das 7h às 20 horas. |RC ### Tem bicicleta para todos os bolsos Basta uma rápida visita ao calçadão do Centro de Maceió para perceber o grande número de ciclistas. Mesmo em tempos de revitalização do Centro, as bicicletas desafiam obstáculos e acabam levando vantagem. Alguns utilizam bicicletas para realizar compras e outros para ir ao trabalho. Elas podem ser estacionadas em locais onde os veículos sequer passam perto. Essa é uma das grandes vantagens, como declaram algumas pessoas adeptas desse meio de transporte. ?É muito mais prático. Não pagamos para estacionar e podemos colocar perto de onde estamos?, definiu Luciano Gomes de Oliveira, funcionário de uma loja de roupas do Centro. O auxiliar de serviços gerais do Departamento de Trânsito (Detran), José Cícero da Silva, não lembra de quando começou a andar de bicicleta. Mas recorda quando optou por ela para resolver pendências do dia-a-dia. ?Há dois anos uso bicicleta para ir ao trabalho. E não quero deixar de usar. Já me acostumei a sair com ela?, disse. Ele conta que resolveu utilizar o veículo de duas rodas porque diminui o tempo de espera pelo ônibus e ainda economiza o dinheiro da passagem. ?Com ela levo cerca de 15 minutos para chegar ao trabalho e quase o mesmo tempo para chegar no comércio?, conta José Cícero, que mora no bairro Ponta Grossa. ?Vim para o Centro para fazer uma pesquisa de preços de eletrodomésticos?, destacou, enquanto colocava corrente e cadeados, prendendo sua bicicleta em um poste no calçadão. No Centro, o mais comum é encontrar bicicletas que ?viram? carrinhos para revenda de CDs e DVDs piratas e carros de som ambulantes. Um deles até estava equipado com uma TV, de 14 polegadas, para colocação de DVDs. Dessa forma, o cliente tem a oportunidade de ver o produto antes de efetuar a compra. Sofisticadas A procura também é grande por bicicletas diferenciadas. A maioria delas é utilizada para trilhas, eventos e estradas. Mesmo sofisticadas e caras, o ritmo de vendas continua crescendo. ?Trabalhamos com bicicletas importadas. Mesmo consideradas caras, procuram muito nossos produtos. Esse aumento começou desde o ano passado e está aumentando cada vez mais, porque muita gente tem uma bicicleta, mas continua comprando outras?, relatou Isabela Cristina dos Santos, funcionária da loja que fica na Jatiúca. A bicicleta mais barata custa R$ 1,4 mil. Esse valor pode chegar a R$ 30 mil, como informou a funcionária. ?Mesmo assim vendemos por volta de quatro delas por mês. Elas são compradas principalmente para a prática de esportes?, completou. O preço da manutenção também varia. Vai de R$ 10 a R$ 50. RC ### Em Londres, vendas também cresceram As vendas de bicicletas também cresceram em Londres, mas por razões bem diferentes. O número de londrinos que passaram a andar mais de bicicletas e motonetas aumentou após a segunda onda de ataques terroristas ocorrida em julho na capital inglesa. As vendas nas lojas de bicicletas e de motonetas em Londres tiveram crescimento considerável logo após os atentados ocorridos há duas semanas em um ônibus e em três estações do metrô e se mantêm altas, com um movimento maior já observado ontem, após os atentados. Quatro tentativas de explosões ocorridas há quase dois meses ? que não deixaram vítimas, segundo a polícia ? tiveram como alvo trens de metrô e ônibus, repetindo o padrão do atentado do dia 7 de julho, quando três explosões em trens e uma em um ônibus de dois andares deixaram 52 mortos, além dos quatro suicidas autores da ação terrorista. Outras 700 pessoas se feriram. A ACT (sigla em inglês da associação dos comerciantes de bicicletas e motocicletas) disse que as lojas de bicicletas tiveram um aumento de quase 400% em suas vendas desde 7 de julho, segundo o gerente da associação, Mark Brown. Algumas das pessoas que compraram uma bicicleta ou uma motoneta nova ou que simplesmente tiraram a que já possuíam de casa adotaram o novo transporte por medo de novos atentados, enquanto outras disseram que se trata apenas de uma solução prática para circular pela cidade. O trânsito em Londres ficou mais difícil após as explosões de julho. Mais pessoas passaram a tirar o carro de casa para trabalhar. |FOLHA ONLINE

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