Economia
Financiamento para todos os bolsos
| Bleine Oliveira Repórter A auxiliar de enfermagem Maria Cícera Santos Ferreira, 47 anos, residente do Clima Bom, está em dúvida sobre as vantagens de obter um financiamento da Caixa Econômica Federal para realizar o sonho da casa própria. Ela tem visto na TV a propaganda do ?Feirão Nacional da Casa Própria?, feita pelo governo federal, mas ainda não se decidiu. O temor de Cícera é o mesmo de milhares de pessoas que temem ver o sonho se transformar em pesadelo. A resistência tem origem nos problemas vividos por mutuários que financiaram a compra de suas casas pelo Sistema Financeiro de Habitação, mas não conseguiram quitar os contratos em função de saldo devedor ?impagável?. ?Isso não existe mais? ? garante o gerente de mercado para a área de Habitação da Caixa Econômica Federal, Geraldo Nunes, acrescentando que nos últimos oito anos a realidade habitacional brasileira mudou. ?Tanto que, até o final deste ano, a Caixa terá fechado contrato de financiamento com mais de 10 mil mutuários só em Alagoas?, diz Nunes. O programa carta de crédito com recursos do FGTS para pessoas com renda mensal entre R$ 300,00 e R$ 1,5 mil é um dos mais procurados pela população. Justamente o que tem atraído a atenção da enfermeira Maria Cícera, cuja renda é de R$ 420,00. Em dezembro do ano passado, o Conselho Curador do FGTS autorizou a Caixa a ampliar sua atuação na faixa de moradia popular. Com isso, a instituição está subsidiando entre 10% e 50% do valor do imóvel pretendido, de acordo com a renda do interessado. Há também financiamento para famílias com renda abaixo de um salário mínimo onde está concentrado o maior déficit habitacional do País. O déficit brasileiro, lembra Geraldo Nunes, é de 7,2 milhões de moradias. Com o programa de subsídio, o governo pretende reduzi-lo em quatro anos. O financiamento é para compra de imóvel novo ou usado, construção, reforma ou compra de terreno e de material de construção. ?Os juros são de 6% ao ano e o interessado ainda conta com o subsídio?, ressalta o gerente. Usando as regras do programa Carta de Crédito FGTS, Nunes simula a compra de um imóvel novo por um trabalhador com renda de R$ 400,00. Se o imóvel for avaliado em R$ 15 mil, o interessado pode financiar R$ 5.583,23, contando com R$ 6.641,68 de subsídio da Caixa. ?É um dinheiro que o governo oferece sem nenhum custo?, afirma Nunes. No exemplo acima, o interessado terá que dispor de 2.775 para completar os R$ 15 mil do valor do imóvel. A sua prestação, pelo prazo de 240 meses, será de R$ 60,37, podendo reduzir até o final do contrato. O presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação, Anthony Fernandes, pede que o interessado tenha muita cautela antes de assinar contrato de financiamento. Segundo ele, é preciso lembrar que a regra não é mais de equivalência salarial, mas sim as normas do mercado financeiro, o que faz remeter ao passado de débito que marcou milhares de mutuários. ?Somos a favor do financiamento, mas com base numa política habitacional compatível com a capacidade de pagamento da população?, diz Fernandes. Na sua opinião, o sistema atual permanece caracterizado pelo desequilíbrio entre o valor da prestação e a renda do mutuário. Por isso, ele recomenda fazer uma pesquisa nos bancos, inclusive os privados. ?A concorrência entre eles pode favorecer o consumidor?.