Economia
Emprego industrial fica est�vel, diz IBGE
| JANAINA LAGE Folha Online A desaceleração na indústria chegou ao mercado de trabalho. Em julho, o nível de emprego industrial se manteve estável na série com ajuste sazonal. No mês anterior, o nível de emprego havia recuado 0,6% na mesma base de comparação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estabilidade do nível de emprego entre junho e julho após a queda do mês anterior levou a uma redução do patamar de crescimento do mercado de trabalho industrial. A desaceleração se traduz numa queda de 0,2% entre os trimestres encerrados em junho e julho, segundo a média móvel trimestral. A renda do trabalhador na indústria também não teve fôlego para se recuperar e teve leve queda de 0,1% na comparação com junho. O recuo foi menor do que no mês anterior, quando a renda caiu 2,4% na comparação com maio. A análise do mercado de trabalho na indústria no longo prazo ainda mostra sinais positivos. O desempenho de julho é 1,1% superior ao de igual mês do ano passado e no acumulado do ano o nível de emprego cresce 2,15. Em relação a julho de 2004, nove das 14 áreas investigadas pelo IBGE tiveram um número maior de admissões do que de demissões. Os principais destaques foram São Paulo (3,2%) e Minas Gerais (3,6%), impulsionados pelas atividades de alimentos e bebidas e produtos de metal. As áreas que reduziram o emprego e exerceram maior influência foram Rio Grande do Sul (-7,0%) e Santa Catarina (-0,8%), afetados pelo desempenho das indústrias de calçados e artigos de couro e madeira. No acumulado do ano, as indústrias que tiveram maior impacto positivo no mercado de trabalho foram alimentos e bebidas (7,3%), meios de transporte (11,5%) e Minas Gerais (4,4%). Horas pagas O número de horas pagas ao trabalhador da indústria recuou 1,2% em relação a junho. Em relação a julho de 2004, houve crescimento de 0,9%. A jornada média de trabalho mostrou resultados negativos em todas as comparações: -0,2% no indicador mensal e -0,5% no acumulado do ano. Na comparação com julho de 2004, o resultado positivo refletiu o aumento nas horas pagas em oito das 14 regiões, com destaque para alimentos e bebidas, produtos de metal e meios de transporte. As horas pagas funcionam como um indicador antecedente sobre novas contratações. Isso porque quando o empresário se vê obrigado a pagar muitas horas extras há um aumento na probabilidade de que o crescimento da produção se transforme também em expansão da mão-de-obra. Folha de pagamento O valor da folha de pagamento caiu 0,1% em julho na comparação com junho. Em relação a julho de 2004, o crescimento foi de 3,1% e, no acumulado do ano, de 3,9%. Na comparação com julho de 2004, o valor real da folha de pagamento cresceu em 11 dos 14 locais pesquisados. A maior influência positiva ocorreu em São Paulo (4,6%), devido ao aumento das atividades de transporte (8,7%) e alimentos e bebidas (14,8%). Em julho, a indústria brasileira teve queda de 2,5%, o primeiro resultado negativo após quatro meses consecutivos de expansão. O IBGE avalia que o resultado pode sinalizar acúmulo de estoques.