Economia
Brasil vai tentar negociar com EUA
| Clarice Spitz Folhapress São Paulo - O Brasil prefere negociar eventuais benefícios comerciais com os Estados Unidos, como a facilitação do acesso de produtos de interesse nacional no mercado norte-americano, ao invés de partir para a retaliação por conta dos subsídios concedidos aos produtores de algodão e já considerados ilegais pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, o Brasil busca uma ?solução negociada? que renda dividendos comerciais concretos. ?Se os americanos nos facilitarem a entrada de alguns produtos do nosso alto interesse, isso pode ser uma compensação razoável?, disse o ministro. Na última quarta-feira, expirou o prazo para que os EUA adequassem os subsídios à produção de algodão às regras da OMC. Na quinta-feira, o Itamaraty informou que, como os subsídios, foram julgados ilegais pela OMC sem que nenhuma medida fosse tomada, o governo brasileiro iria acionar a organização para aplicar retaliações. O ministro se recusou a especificar quais os produtos o Brasil tem maior interesse de colocar no mercado norte-americano. Ele afirmou que o governo deu uma margem de manobra ao Itamaraty para buscar negociações. China Furlan disse que o Brasil tem condições de controlar a entrada de produtos chineses no caso da adoção de eventuais auto-limitações por parte da China, ou seja, se os chineses concordarem em reduzir a venda de um determinado produto para o Brasil. A auto-limitação por parte da China evitaria que o Brasil aplicasse salvaguardas contra o país asiático. Os produtos mais sensíveis ao comércio da China com o Brasil são os têxteis e calçados.