Economia
Joinville tem o hectare mais caro
| INVERTIA O hectare de terra agrícola mais caro do País não está em Mato Grosso, São Paulo ou no Rio Grande do Sul, mas na cidade de Joinville, em Santa Catarina. Lá, o hectare ? tamanho de um campo de futebol ? da lavoura de arroz está avaliado em R$ 26 mil, o preço de um carro popular zero quilômetro. O valor é quase nove vezes maior que a média brasileira, de R$ 3 mil. ?A pressão da urbanização foi o fator mais importante para a valorização daquela área, e não a produção agrícola em si?, diz Pablo Lopes, analista do Instituto FNP, responsável pela pesquisa que identificou quais fatores têm influência sobre a negociação de imóveis rurais. No segundo lugar do ranking estão áreas de cultivo de laranja em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Lá, o hectare custa, em média, R$ 23,4 mil, com valorização de 20% nos últimos doze meses. Neste caso, pesou não só o fator urbanização, mas também a alta das cotações do suco de laranja no mercado internacional. A passagem de três furacões pela Flórida (EUA) ocasionou a redução da safra americana e fez os preços subirem 24% nos últimos 12 meses na Bolsa de Nova York. ?Ao contrário das terras para grãos, as áreas de laranja, cana e café continuam valorizadas. E a expectativa é de que, pelo menos no caso da cana-de-açúcar, os preços subam ainda mais?, diz Lopes. O aumento do consumo do álcool combustível, alternativa mais limpa e barata ao petróleo, está incitando as usinas a investir no plantio de áreas ainda maiores de cana, desencadeando uma verdadeira especulação imobiliária no campo. O preço médio das áreas de cana em São José do Rio Preto (SP), por exemplo, subiu quase 60% no último ano, para R$ 13,1 mil. Nas áreas de grãos, o hectare está acompanhando a queda dos preços da soja. ?Há um ano, a procura por terras era tamanha que praticamente se fechava um negócio por mês. Neste ano, a demanda é zero e a oferta, elevada?, diz Nadir Sucolotti, produtor em Sorriso (MT). No Centro-Oeste, o preço médio caiu 16%, mas há regiões como a de Cristalina (GO), onde a queda foi de 50% em doze meses. A valorização das áreas de cana, café e laranja ajudou a compensar a queda dos preços das regiões produtoras de grãos. Com isso, na média, o preço das terras caiu 5% no Brasil. ?Imaginávamos que a retração seria mais acentuada, de 25% a 50%, mas parte da queda foi equacionada porque os vendedores preferiram alongar os prazos de pagamento, em detrimento do desconto de preços?, diz Lopes. As áreas mais baratas do Brasil estão nas regiões de agricultura familiar, caso de Cariri (CE), onde o hectare custa meros R$ 14, o preço de um quilo de corte nobre de carne no supermercado.