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Produ��o de banana de AL est� em crise

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IVAN NUNES Repórter União dos Palmares - A região do Vale da Pelada, localizada na Zona da Mata alagoana, foi durante mais de duas décadas o hectare mais cobiçado pelos produtores de bananas do Estado de Alagoas. A variedade plantada era tanta que as safras naquela localidade chegavam a ser impressionantes. Ter negócio no Vale da Pelada, principalmente quando se tratava da cultura da banana, era a certeza de bons lucros. Mas, com o passar do tempo, a realidade foi mudando e viver da atividade ficou muito diferente daquela época de ouro. A ausência de uma política agrícola dos governos municipal e estadual praticamente contribuiu para o mercado produtor alagoano perdesse o fôlego. Apesar da pequena escala de produção, os consumidores de bananas oriundas do Vale da Pelada são os estados da Bahia, Pernambuco, Ceará e Paraíba. Segundo especialistas, a qualidade da produção era elogiada e bem aceita pelo mercado por causa de características como espessura e quantidade de frutos nos cachos. ?Enquanto a bananeira daquela época dava de 12 a 15 frutos no cacho, hoje o que se observa são pequenos cachos e de pouca textura? é a análise do engenheiro agrônomo da Central de Abastecimento e de Assistência ao Produtor de Alagoas (Ceapa), Manoel Bernardo de Melo. Nesse período áureo, União dos Palmares viveu uma época de puro domínio no mercado da fruticultura nordestina. A cidade se dava ao luxo de ter a primeira fábrica de doces de bananas do interior alagoano instalada na Rua da Ponte, atualmente desativada devido à falta de incentivos fiscais da época. A fábrica de doces Palmares chegou a empregar cerca de 300 pessoas. Toda safra do produto era comercializada de maneira antecipada pelos donos da Palmares para evitar que parte da produção fosse comercializada para os consumidores e atravessadores de União dos Palmares. Fim da emater Segundo a Secretaria de Agricultura em União dos Palmares, nos últimos quinze anos, a realidade de quem vive da banana mudou para pior. ?A extinção da Emater em Alagoas foi um golpe muito duro para os pequenos agricultores em geral. Mas, para aqueles que faziam bons negócios com a venda da banana, o fim da instituição teve impacto negativo. A ausência do técnico agrícola ao lado do homem do campo foi o tiro de misericórdia?, diz Macário Rodrigues, técnico agrícola da Secretaria. Na opinião de Rodrigues, a ausência de um interlocutor da secretaria para conversar diretamente com as autoridades do governo do Estado traz conseqüências desastrosas para a atividade agrícola local, inclusive na hora de reivindicar melhores condições de trabalho para a equipe técnica da área. ?O nosso distanciamento do homem do campo deve-se às péssimas condições de trabalho que nos são dadas. Não existem veículos adequados como carros com tração para o enfrentamento das péssimas estradas vicinais no município, principalmente para chegar até ao Vale da Pelada. Nem as mínimas condições, não podemos desempenhar o nosso papel que é o de levar orientações técnicas a quem precisa. Se este quadro não for revertido, os agricultores ficarão à míngua?, lamenta Ademir Simião, técnico especializado em cultivo de bananas. ### Má condição de estradas é outro gargalo da produção Para os produtores de banana do Vale da Pelada das localidades de Esfrega Folha e Timbó dos Mendes é a ausência de ações da Prefeitura Municipal de União dos Palmares com relação à conservação das estradas vicinais. Segundo dados do presidente da Associação dos Produtores Rurais de Duas Barras, Benedito Francelino da Silva, as más condições de acesso trazem prejuízo aos produtores. ?Recentemente, um dos produtores da região, Moacir Francisco, perdeu 50 mil laranjas por que não tinha transporte para ir apanhar o produto na sua propriedade. Foram meses e meses de um trabalho totalmente perdido?, desabafa Silva. O acesso difícil, inclusive, limita o bom desenvolvimento do trabalho dos técnicos da Secretaria de Agricultura. De acordo com Maria José Rusino, técnica da secretaria, ao longo dos doze meses do ano, a equipe só consegue trabalhar efetivamente em seis meses. Segundo o secretário municipal de Agricultura de União dos Palmares, Cícero Costa, o poder público municipal se preocupa com as condições precárias das estradas de acesso da cidade. ?O prefeito já requisitou um kit agricultura, composto por uma motoniveladora e um trator de esteira, para fazer reparos imediatos nas estradas. Mas esse kit ainda aguarda a liberação de recursos em Brasília. Mas até agora não sabemos como está o andamento do processo?, justifica Costa. Para Ednaldo Alexandrino da Silva, residente na região do barro Vermelho, localidade próxima ao Vale da Pelada, ?a ausência da prefeitura na conservação da estrada é uma vergonha?. ?Como se não bastasse o desânimo que causa aos produtores de banana, as estradas mal conservadas prejudicam até as crianças em fase escolar da região. Os alunos normalmente têm de andar léguas e mais léguas para pegar um transporte que os leve até a escola. E isso não tem desculpa. Pois, no verão, a situação ainda piora. Nessa época do ano, ninguém passa a máquina na estrada e fica sempre por isso mesmo?, comenta Ednaldo Alexandrino Silva, mostrando o trecho mais crítico da estrada que liga União dos Palmares ao Vale da Pelada. |IN ### Campanha pretende combater praga União dos Palmares - Ávidos por ações concretas que contribuam para diminuir os prejuízos no cultivo da banana, os produtores da região de União dos Palmares receberam a visita do secretário de Agricultura do Estado, Kleber Torres. O encontro reuniu também os secretários municipais de Agricultura das cidades de Colônia de Leopoldina, Novo Lino e Santana do Mundaú. A presença de presidentes de associações de moradores se deu em número reduzido. Em novembro, os produtores rurais pretendem se encontrar para lançar uma campanha contra a praga do Moleque da Bananeira que, ao longo dos anos, vem dizimando plantações principalmente no Vale da Pelada e tem causado prejuízos nas safras. Segundo a Secretaria de Agricultura, é possível conviver com o Moleque da Bananeira sem preocupação. ?Esse inseto existe no Brasil todo, mas aqui em nossa região ele tem atacado o rizoma da bananeira mas nunca foi combatido de maneira firme?, diz o secretário de Agricultura, Kleber Torres. ?O moleque da bananeira vem ao longo dos anos provocando sérios danos à cultura da banana nessa região, mesmo se tratando de uma praga comum?, completa a técnica da Secretaria da Agricultura, Maria José Rufino. De acordo com o secretário Kleber Torres, essa campanha vai tentar retomar o volume de produção do passado nos municípios da região de União dos Palmares. ?O projeto de minimizar a atuação do moleque da bananeira onde ele atua é importante porque o produtor volta a acreditar nas ações do governo. Alguns falam que a prioridade é a agricultura mas muitas vezes isso não passa de discurso. Sei das reais dificuldades que todos os produtores vivem, mas a campanha contra o moleque da bananeira vai devolver a grande potência que a região possui no cultivo da banana?, afirma Torres. Comercialização A vinda do secretário de Agricultura de Alagoas a União dos Palmares reacendeu velhas queixas dos pequenos produtores e presidentes de associações da classe sobre a falta de um local adequado para a venda do produto. Atento a todos os questionamentos, o secretário Kleber Torres rebateu às críticas do secretário de Agricultura da cidade de Ibateguara que defendeu a municipalização da agricultura, a exemplo do que acontece com a saúde e educação nos municípios brasileiros. ?Trata-se de um enorme engano essa questão da municipalização da agricultura, não há praticamente nada que possa sustentar a vida dessas secretarias, devido à ausência de uma política agrícola séria. No momento, prioridade na agricultura fica somente no discurso?, disse Torres. Trânsito Sobre a venda do produto na cidade de União dos Palmares, a Gazeta constatou que não existe um local adequado para a comercialização da banana. As quintas e sextas-feiras, sempre pela manhã, dezenas de produtores se amontoam nas ruas localizadas no centro da cidade. Eles colocam seus produtos no chão, sem as mínimas condições de higiene, para expor seus produtos aos compradores interessados e atravessadores que compram as bananas para revender em Recife, Caruaru (PE), Arapiraca e Maceió. A banana de União tem mercado garantido nessas cidades. A comercialização da banana em grande escala não dura muito e tem sido comum a feira terminar sempre ao meio-dia. O trânsito que comumente é interrompido naquela localidade, devido aos inúmeros caminhões, é liberado. Vale salientar que a feira de banana disputa espaço com os proprietários de alguns lava-jatos onde a desorganização tem chamado a atenção de quem necessita usar aquele espaço. IN

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