Economia
Risco de d�ficit � maior no Nordeste
Se você está entre aqueles que sente calafrios só de lembrar do déficit de energia elétrica de 2001, quando o País teve de aderir ao racionamento, aí vai uma boa notícia. Até 2009, são poucas as chances de haver déficit no fornecimento do insumo no Brasil. É o que garante Mário Fernandes de Melo Santos, diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). ?Embora o risco de déficit do Nordeste seja o maior do País, consideramos a situação sob controle. Em última hipótese, é possível fazer um redirecionamento de energia de outras regiões do País para os estados nordestinos?, afirma. De acordo com estudos recentes da ONS, os riscos de racionamento de energia no Nordeste são de 9,2%, enquanto que no Norte do País são de 6,2%, no Sudeste de 2,8% e do Sul de 4,3%. A margem máxima de risco considerada razoável é de 5%. O diretor geral da ONS explica que o risco de apagão nordestino é o maio do Brasil por causa da demanda pelo insumo que cresce acima da média nacional. ?Quanto mais cresce o PIB (Produto Interno Bruto), mais cresce o consumo de energia. Segundo nossas projeções. Se o PIB esse ano encerrar com alta de 4%, a demanda por energia terá incremento de 5,9%. Por outro lado, a estimativa de crescimento nordestino é de 7,4%?, diz Santos. Consumo Segundo o executivo da ONS, já houve um aumento de 8,3% no consumo de energia na região no período entre janeiro e agosto deste ano. Vale ressaltar que o aumento da demanda nordestina foi bem superior ao do Brasil que, nos primeiros oito meses de 2005, foi de 5,7%. ?A base deste crescimento na indústria de transformação é na construção civil que aumentou seu consumo em 5,3% e 5,2%, respectivamente?, esclarece Santos, mencionando que o aumento da produção voltada para a exportação, sobretudo para a China e os Estados Unidos, fez com que o Nordeste respondesse com 8% do PIB neste item. ?Mesmo sendo um problema de pequena monta, o risco de déficit de energia no Nordeste é perfeitamente contornável. Basta que sejam realizados os investimentos previstos em infra-estrutura de geração ou distribuição?, afirma. 130 megawatts Na prática, se houver uma oferta de 130 megawatts no Nordeste, ou seja 1,5% do que a própria região já consome, o índice de risco ficaria na faixa dos 5% considerados razoáveis. ?Vale ressaltar que esses investimentos em geração de energia podem ser feitos em qualquer região do País, tendo em vista que, atualmente, o sistema elétrico brasileiro funciona integradamente entre todas as regiões?, diz Santos. Evolução Outro dado curioso apontado pela ONS é que o segmento que mais tem evoluído em termos de potência instalada é a energia de fonte hidrelétrica. Este ano, a potencia total instalada vai encerrar em 70.268 megawatts. Mas, até 2009, esta capacidade chegará a 76.874. As fontes de energia termelétricas, por sua vez, encerrarão 2005 com a potência instalada de 11.194 megawatts, chegando a 11.770 megawatts em 2009. O Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) contribuirá com uma potência instalada de 3.270 a partir de 2007 e não tem previsão de incremento de capacidade até 2009. ?Isso mostra que o Brasil buscou a diversificação da sua matriz energética desde a crise de abastecimento 2001, mas continua apostando no seu potencial e geração de energia hidrelétrica ? o que me parece ser uma boa escolha?, afirma Fernando Santos. |PM