Economia
Produ��o industrial tem alta de 1,1%
| JANAINA LAGE Folha Online A produção industrial brasileira registrou alta de 1,1% em agosto na comparação com julho, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma recuperação em relação ao desempenho do mês anterior, quando a indústria nacional recuou 1,9%. Segundo o chefe da Coordenação da Indústria, Silvio Sales, o crescimento de agosto foi puxado pelos bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (roupas e alimentos), que registraram alta de 1,6%. Desde janeiro, o crescimento da indústria não era liderado por este segmento. À época, a produção havia caído 0,5%, mas poderia ter tido um desempenho ainda pior se os bens de consumo semiduráveis e não-duráveis não tivessem crescido 3,7%. A expansão é motivada principalmente pelo mercado interno, com a expansão da renda, inflação em queda e aumento da ocupação. Com o desempenho de agosto, a produção industrial voltou a se aproximar do nível recorde atingido em junho. O avanço observado em agosto foi gerado por 11 das 23 atividades pesquisadas com ajuste sazonal. Os avanços mais significativas foram registradas em fumo (25,1%), farmacêuticos (6,2%), máquinas e equipamentos (3,2%) e refino de petróleo e produção de álcool (2,4%). Já as principais influências negativas foram celulose e papel (-5,7%), alimentos (-1,4%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (-3,2%). Entre as categorias, a única queda foi verificada entre os bens de consumo duráveis (automóveis e eletrodomésticos), cuja produção caiu 1,7%. Em julho, já haviam registrado retração de 6,4%. Já os bens de capital (máquinas e equipamentos) registraram alta de 3,1%, mas ainda não compensaram a queda de 7,1% de julho. Os bens intermediários (insumos industriais) ficaram praticamente estáveis e avançaram 0,1%. Segundo Sales, o comportamento da indústria revela um padrão de crescimento focado em bens de consumo duráveis (móveis e eletrodomésticos) e não-duráveis. No ano passado, o crescimento recorde da indústria foi resultado da expansão dos bens de capital e dos bens de consumo duráveis. A análise trimestral mostra que o crescimento do terceiro trimestre em relação ao segundo deverá ser menor do que a expansão do segundo trimestre do ano em relação ao primeiro. ?Há uma desaceleração em curso quando se observa o desempenho em bases trimestrais. A desaceleração é puxada por bens de capital, com a pressão do investimento agrícola e dos bens de capital de uso misto?, afirmou Sales.