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Trabalhadores rurais pleiteiam aumento

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| PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia O maior segmento econômico do setor produtivo do Estado, o setor sucroalcooleiro, vai sentar com representantes de uma das suas principais forças trabalhadoras para negociar aumento de salários na semana que vem. Os cortadores de cana pleiteiam um aumento de 32,30% de reajuste sobre um piso salarial de R$ 302. Entretanto, os trabalhadores rurais já encaminharam para a classe patronal uma minuta contendo 65 cláusulas com reivindicações que visam garantir direitos adquiridos, mas também solicitações ainda não alcançadas. O documento que servirá de base para negociação já está sendo apreciado. A reunião ainda não está com data definida. Entre as reivindicações, estão o estabelecimento de cotas de contratação de mulheres e trabalhadores mais velhos para realização de atividades no campo e a proibição de falsos empreiteiros para contratação de mão-de-obra no período da safra. Na lista de antigas reivindicações há o pedido de disciplinamento do horário de trabalho nos canaviais, regime especial de trabalho durante a entressafra, repouso semanal remunerado e o pagamento de horas extras. De acordo com Fernando Torres, que faz parte da comissão negociadora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado de Alagoas (Fetag), os encontros anuais para renegociação salarial são sempre tranqüilos. ?Nossas conversas visam sensibilizar os empresários sobre as necessidades dos cortadores de cana. Claro, cada um vai defender seu ponto de vista, mas temos conseguido a cada ano repor as perdas salariais?, explica. ?O lucro do empregador é alto. Só no ano passado o setor sucroalcooleiro faturou cerca de R$ 2 bilhões. O que queremos é que o trabalhador tenha um pouco mais de participação nesse desempenho positivo?, afirma, mencionando que este ano o segmento empresarial prossegue realizando bons negócios, tendo em vista as vendas realizadas no comércio exterior que, até agosto deste ano, totalizaram pouco mais de US$ 411 milhões ? alta de 46% em relação ao ano passado. Empregadores Para Coriolando Guimarães de Oliveira, coordenador técnico da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e de Álcool de Alagoas, nos últimos cinco anos, a classe trabalhadora tem conseguido selar bons acordos com os empregadores. Contudo, Oliveira considera alto o percentual de reajuste pleiteado pelos trabalhadores. ?O aumento reivindicado está bem acima da inflação registrada de setembro a setembro, de pouco mais de 5%. Creio que o novo salário deve ficar em torno dos R$ 330?, afirma. Ele enfatiza que a maioria das usinas e destilarias alagoanas está adotando o relógio de ponto eletrônico para controlar os horários de atividade dos trabalhadores rurais, o que, a seu ver, até prejudica um pouco a classe trabalhadora. ?Os trabalhadores têm no piso o mínimo de remuneração. Mas, eles ganham por produtividade. Em média, quem corta de 7 a 8 toneladas dias, obtém remuneração média de R$ 700?, explica Oliveira. ?Dessa forma, não faz sentido falar em hora extra e muito menos em sistema de cotas, tendo em vista que as mulheres e os mais velhos não conseguem ter o mesmo desempenho do jovem trabalhador no corte de cana?, diz.

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