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Novas ind�strias preparam salvaguardas

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| Globo Online Rio de Janeiro Fabricantes de pneus, escovas, óculos, máquinas, cabos de aço, baterias, alto-falantes, porcas e parafusos são apenas alguns dos setores da indústria nacional que se preparam para entrar com pedidos de aplicação de salvaguardas contra a China. A informação consta na edição mais recente do informativo eletrônico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, divulgado na última sexta-feira. O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, Roberto Giannetti da Fonseca - mesmo se dizendo cético quanto ao efetivo emprego do instrumento - informou que os fabricantes de cabos de aço, telas metálicas, grampos e pregos já apresentarão seus processos ao governo na semana que vem. Segundo ele, cabos de aço chineses têm entrado no Brasil com preços até 50% inferiores aos de sua matéria-prima. Resultado: hoje a participação da China no mercado interno já corresponde a 28% (dentre outros quesitos, são exigidos o mínimo de 10% de participação chinesa para a aplicação de uma salvaguarda). Nos próximos dias, o Sindicato Interestadual da Indústria de Óptica de São Paulo (Siniop) também apresentará petição, reclamando, principalmente, da ameaça chinesa em óculos de sol. Entre setembro de 2004 e agosto deste ano, das 55 mil peças importadas pelo Brasil, mais de 50 mil eram chinesas, a US$ 0,10 cada. Dois períodos antes (setembro 2002 a agosto de 2003), embora o preço já fosse baixo (US$ 0,13 a unidade), registrou-se a entrada de cerca de 30 mil peças. Com tamanha concorrência, das 359 empresas do setor ótico em funcionamento em 2002 somente 86 permanecem ativas atualmente. Outro setor que entrará com pedidos em breve é o de pneus. De acordo com os representantes dessa indústria, as câmaras de ar nacionais são as que sofrem a pior concorrência. Com preços de produtos finais inferiores ao da matéria-prima, os chineses já ocupam mais de 50% do mercado de reposição de pneus no País. Em situação ainda pior estão os fabricantes de escovas, que apresentarão a petição em breve. Impossibilitados de concorrer com a China desde o ano 2000, alguns empresários que antes eram produtores acabaram se transformando em importadores. Em cinco anos, 13 indústrias fecharam as portas, restando apenas duas em todo o território nacional (uma em São Paulo e uma na região Sul). ?Hoje, 60% do mercado interno de escovas é de produtos importados?, queixou-se Manolo Canosa Miguez, presidente do Sindicato da Indústria de Móveis de Junco e Vime e Vassouras e de Escovas e Pincéis do Estado de São Paulo (Simvep). Além dos baixos preços dos importados legalmente, a indústria nacional ainda tem que enfrentar problemas como subfaturamento e o contrabando. Além desses setores, as entidades que representam as indústrias de máquinas e equipamentos, porcas e parafusos, baterias e alto-falantes, entre outros, também já estão preparadas para entrar com pedidos de salvaguardas contra a China. Desde a última segunda-feira o Ministério do Desenvolvimento disponibilizou em seu site um formulário para esclarecer dúvidas de empresários e acelerar os procedimentos para abertura de investigação de salvaguarda para a China. Por meio do formulário, os empresários devem encaminhar os documentos aos técnicos do Decom, que farão uma análise preliminar dessas informações. A partir disso, o Decom poderá dizer se o material enviado é suficiente ou não para abrir a investigação.

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