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Qual � o gargalo do mercado tur�stico de Alagoas?

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PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Antes de serem concluídas as obras do Centro Cultural e de Exposições de Maceió e do novo Aeroporto Zumbi dos Palmares o discurso corrente no Estado se baseava na argumentação de que a ausência desses equipamentos era um dos principais gargalos da atividade turística alagoana. Após vários atrasos em ambos os cronogramas das obras, em função da falta de recursos, finalmente observamos este ano as duas tão aguardadas inaugurações do centro de convenções e do aeroporto. Desde então, ficou a promessa de que uma nova fase seria instaurada no setor turístico do Estado, marcada pelo avanço e atração de novos investimentos. Não há como negar, tanto o centro cultural como o novo Zumbi dos Palmares foram dois investimentos importantes para Alagoas. O aeroporto, mais bonito e moderno, dá as boas-vindas aos turistas que lá desembarcam e o centro de convenções cumpre seu papel, sendo palco de dois eventos importantes sediados em Maceió nos últimos dois meses ? a 46ª Convenção Nacional Lojista e o XIV Congresso Brasileiro de Corretores de Seguros. Por outro lado, dados recentes da Infraero mostram que o número de turistas domésticos que visitaram Maceió até agosto deste ano aumentou, mas as taxas de crescimento ficaram abaixo de outras capitais nordestinas. Além disso, o número de turistas estrangeiros que visitaram a capital alagoana no mesmo período diminuiu, enquanto em Salvador, Recife, Natal e Fortaleza aumentou. Ainda é cedo para medir o impacto do aeroporto e do centro de convenções no turismo local. Mas seria injusto atribuir o desempenho aquém do desejado aos novos empreendimentos públicos. Contudo, o momento é oportuno para levantar a questão: e agora? De quais estratégias o setor turístico alagoano dispõe para vencer a concorrência de mercado dos estados conterrâneos? Com os investimentos recentes na infra-estrura turística restam mais gargalos? Nas páginas a seguir, o leitor da Gazeta poderá observar os dados do fluxo turístico do Estado e de outras capitais nordestinas e brasileiras e perceber que a concorrência no Nordeste não está para brincadeira. ### AL é o 5º destino do Nordeste e 22º do Brasil Diz a lenda que Maceió é o quarto destino turístico do Brasil. Bem, de acordo com dados da Infraero, essa teoria não se confirma ? pelo menos não no quesito fluxo de passageiros. De janeiro a agosto deste ano, 489,2 mil turistas desembarcaram em Maceió, dos quais 473,2 mil eram brasileiros e 16 mil estrangeiros (ver tabela). Entretanto, o fluxo turístico do Estado observado de 2003 para cá coloca Alagoas na quinta posição no ranking nordestino de desembarques da Infraero, liderado por Salvador (2,9 milhões de turistas), Recife (2,3 milhões), Fortaleza (1,8 milhão) e Natal (852 mil). Mas, se considerarmos o movimento aéreo de outras cidades brasileiras, verificamos que Maceió está na 22ª posição em termos de movimento aéreo (ver tabela da página 15). A lista é encabeçada por São Paulo, depois Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife e Porto Alegre. Tendo em vista que há 66 aeroportos no País, a 22ª colocação é positiva. Os números registrados também dão margem para outras interpretações. As taxas de crescimento do movimento aéreo total de 2003 a 2005 apontam para o bom desempenho do Estado de Sergipe que teve incremento de 62% no fluxo aéreo. Rio Grande do Norte vem logo em seguida com índice de 54%, enquanto o Piauí registra 49% e o Ceará 46%. Alagoas também tem apresentado boa performance, de 42%. Na disputa do mercado internacional, no entanto, Natal sai na frente. De 2003 para cá, a capital potiguar registrou 200% de aumento no número de desembarques de turistas estrangeiros, seguida de Salvador (120%), Fortaleza (88%) e Recife (56%). Maceió, por sua vez, diminuiu seu número de visitantes internacionais. Houve, nos últimos três anos, um crescimento regular do fluxo turístico em direção a todos os estados do Nordeste e o movimento de passageiros nos aeroportos nordestinos é um bom indicador desta dinâmica. A maior parte desse movimento está dirigida para os mercados maiores e mais competitivos, com mais infra-estrutura e alternativas na rede hoteleira, como é o caso de Bahia, Ceará e Pernambuco. O Rio Grande do Norte, que recebeu grandes investimentos nos últimos dez anos, vem se constituindo num fenômeno regional, aproximando-se dos grandes estados. PM ### Não há novas solicitações de vôos no novo aeroporto A Infraero foi a maior investidora da empreitada, desembolsando R$ 156,4 milhões. O governo do Estado de Alagoas contribuiu com R$ 5,5 milhões e a Embratur com R$ 55,6 milhões. Atualmente, há 19 vôos diários registrados no Aeroporto Zumbi dos Palmares. O número permanece igual ao do antigo aeroporto e, segundo a Infraero, ainda não foram registradas novas solicitações para outros vôos regulares. A obra do Zumbi dos Palmares faz parte de um programa nacional de modernização de vários aeroportos que, de 2003 para cá, realizou 19 grandes obras de melhorias em várias regiões do País. Entre os aeroportos construídos ou modernizados estão os de Campinas, Campina Grande, Joinville, Manaus, Porto Velho, Petrolina, Recife, Cuiabá, Congonhas/SP, Brasília, Navegantes, Macaé, Guarulhos, Uberlândia e Maceió. Segundo informações da Infraero, o trabalho continua em cidades como Goiânia, Cuiabá, Brasília, João Pessoa, Macapá, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Guarulhos, Recife e Natal. Para conclusão de boa parte destas obras, a Infraero ? responsável pelo maior volume de obras exibidas pelo governo ? negociou aporte financeiro de R$ 400 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento no mês de maio. Nesta época algumas obras foram paralisadas, inclusive a de Alagoas. |PM ### Rede hoteleira precisa ser ampliada Alagoas está sob forte pressão da competição dos outros estados nordestinos. Para concorrer em pé de igualdade com os destinos turísticos da região, o Estado precisa captar novos investimentos para a rede hoteleira interna e realizar mais investimentos em infra-estrutura. Pelo menos essa é a opinião que pre-valece entre os especialistas do mercado turístico. De acordo com Afrânio Lages Filho, diretor da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav/AL) o maior gargalo do setor turístico alagoano na atualidade é o grande déficit da rede hoteleira do Estado. ?Os números oficiais apontam que há 16 mil leitos em Maceió, mas eu acredito que há muito menos?, diz Lages Filho. ?O que observamos, agora que temos sediado eventos de porte como a 46ª Convenção Nacional Lojista e o XIV Congresso Brasileiro de Corretores de Seguros, é que não dispomos de hotéis para alojar satisfatoriamente os participantes de tais encontros. Precisamos atrair grandes redes nacionais ou estrangeiras, que possam investir em empreendimentos de pelo menos 250 leitos com quatro ou cinco estrelas?, afirma. Na opinião do empresário, proprietário da agência Aeroturismo, o governo do Estado deveria contratar profissionais no mercado, mapear áreas estratégicas ideais para construir novos hotéis e adquirir esses terrenos para, no momento mais oportuno, oferecer como contrapartida para novos investidores. ?Foi assim que a Bahia e outros estados nordestinos cresceram na atividade turística. Foi partindo de uma estratégia agressiva, ofertando inclusive incentivos fiscais, para grandes redes internacionais que passaram a erguer novos empreendimentos por toda a região?, analisa. Para Afrânio Lages Filho, não adianta investir maciçamente na divulgação de Alagoas como roteiro turístico porque a rede hoteleira não comporta um número muito grande de turistas, inclusive na capital. A seu ver, toda verba destinada à divulgação, inclusive, deveria ser destinada à ampliação do mercado hoteleiro local. ?Perdemos, inclusive, em competitividade porque como a oferta de leitos é reduzida às vezes se hospedar no Estado acaba se tornando mais caro do que em outras capitais mais conhecidas e que dispõem de melhor infra-estrutura turística. O empresário não fornece uma estimativa de quantos hotéis seriam necessários para suprir a demanda reprimida do Estado. ?Mas reforço, quanto mais melhor?, diz. Para Afrânio Lages Filho, Alagoas não pode se garantir apenas nas suas belezas naturais nem ficar na nostalgia em relação ao passado, rememorando a década passada, quando Maceió se tornou o segundo destino turístico do Nordeste, perdendo apenas para a Bahia. ?É preciso profissionalizar o setor e correr atrás do prejuízo. Nos acomodamos e, aos poucos, fomos perdendo espaço para outros estados que traçaram estratégias de mercado para crescer?, reflete. Em concordância, o economista Cícero Péricles de Carvalho, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), acredita que o mercado local carece de mais hotéis. Contudo, Carvalho menciona outros investimentos que considera relevantes. ?Mais infra-estrutura, como vias de acesso, limpeza urbana e saneamento básico também são necessárias. O turismo local precisa de alternativas de lazer e cultura para garantir maior permanência dos turistas no Estado?, analisa o economista. Além disso, Carvalho afirma que para atrair mais turistas para o Estado são imprescindíveis verbas para promoção do produto Alagoas tanto no mercado doméstico, nos estados mais ricos do Brasil, como no exterior. ?O turismo local tem de superar esses grandes obstáculos para atingir maiores taxas de crescimento. Por enquanto, a construção de novos hotéis está concentrada no anúncio de três unidades médias em Maceió e algumas pousadas no litoral. No mais, temos muitos factóides, investimentos que nunca se realizam e expectativas que não se materializam?, diz. prodetur Cícero Péricles de Carvalho relembra que todos os investimentos realizados na região nordestina nestes últimos dez anos não foram ocasionais. ?A conta turismo chegou a acumular déficit de US$ 10 bilhões no período em que o dólar estava desvalorizado em relação ao real, nos primeiros anos do governo Fernando Henrique. Ou seja, os turistas brasileiros gastaram mais dólares no exterior do que os estrangeiros no Brasil. Foi a partir daí que surgiu o Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur). A proposta inicial visava integrar todo o litoral brasileiro, oferecendo novos roteiros turísticos no Nordeste para atrair os turistas do Sul e Sudeste e, no plano internacional, visa competir com o Caribe?, conta. Para o economista, os investimentos nos aeroportos do Nordeste fazem parte dessa lógica de construção de uma rede que já tem sete aeroportos internacionais: Salvador, Recife, Fortaleza, Natal, João Pessoa, São Luís e, agora, Maceió. Na primeira fase do Prodetur foram investidos US$ 670 milhões em infra-estrutura voltada para o mercado turístico nordestino, segundo dados do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). O Prodetur oferece dinheiro do BID aos projetos turísticos dos estados brasileiros, mas o banco que faz as operações de financiamento é o BNB. Por outro lado, para que os estados recebam os recursos solicitados precisam comprovar sua capacidade de endividamento e boa parte das informações financeiras é obtida no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) do Ministério da Fazenda. Ou seja, sem o aval da STN não há empréstimo. Envolvida em um imbróglio com o Estado do Paraná, em função da comercialização dos títulos das letras alagoanas, Alagoas não pode lançar mão dos recursos existentes no Prodetur. O Estado está com o nome no Cadin. Segundo o Banco do Nordeste, embora Alagoas tenha apresentado projetos para a segunda fase do programa, há ainda muitas incertezas sobre a liberação de recursos e a Secretaria do Tesouro Nacional ainda não se posicionou favoravelmente em relação ao Estado. PM ### Até o fim do ano teremos novidades, diz Secretaria Para o secretário de Turismo do Estado, Eugênio Sampaio, a conquista do Centro Cultural e de Convenções foi fundamental para gerar um maior equilíbrio entre a alta e a baixa estação no que se refere ao fluxo de turistas no Estado, sobretudo em Maceió. Segundo ele, em média, as taxas de ocupação dos hotéis na baixa estação têm sido historicamente registradas em torno de 50%, sendo que já este ano essa média gira em torno dos 65%. ?A importância do Centro Cultural e de Convenções é tanta que pela sua agenda (totalmente completa para este ano, e 60% das datas ocupadas para o ano de 2006) podemos ressaltar o sucesso do trabalho na captação de eventos para o Estado?, afirma. Sampaio diz que para promover um melhor aproveitamento da infra-estrutura oferecida pelo centro de convenções, a superintendência dele tem realizado trabalho de divulgação nas empresas de eventos de todo o País, quanto no exterior. ?Com o novo aeroporto, Alagoas deixou de ser um destino secundário ? que necessitava de outros aeroportos com mais estrutura do que a que possuíamos para que os turistas internacionais pudessem chegar ao nosso Estado ? e passou a ter um importante portão de entrada?, afirma. De acordo com o secretário, esta semana o Estado recebeu boas notícias sobre vôos portugueses e italianos que devem contribuir para aumentar o fluxo de passageiros internacionais em Alagoas. ?Mas não podemos esquecer do mercado nacional?, frisa. ?Alagoas tem vivido um momento extremamente positivo, com campanhas no interior de São Paulo ? graças a uma parceria firmada com a Secretaria de Comunicação ? fazendo com que 40% do fluxo de turistas venha daquele Estado?, conta. ?É claro, ainda temos muito a percorrer. Precisamos melhorar nossa infra-estrutura básica, aumentar o número de oferta de resorts, o número de leitos, além de dar maior qualificação à nossa mão-de-obra. Tudo o que pudermos agregar, com certeza, será útil neste processo que agora nos obriga a ser cada vez mais profissionais?, afirma. Interior Segundo Sampaio, Alagoas tem recebido alguns convites de investidores estrangeiros para novas negociações que podem gerar resultados até o fim do ano. ?Assim como já estamos desenvolvendo, com alguns municípios do Estado e alguns órgãos financiadores, formas de incentivos voltadas para o mercado local?, diz. Para ele, há uma necessidade atual de buscar maior envolvimento com os municípios do interior nas discussões a respeito do turismo. ?Há vários produtos que ainda não estão sendo explorados e outros que têm sido explorados de uma forma que pode não gerar a sustentabilidade que tanto desejamos?, exemplifica. Para Sampaio, a queda no fluxo de turistas estrangeiros em Maceió se deve a vários fatores. ?A temporada de julho sofreu muito por causa das chuvas e da valorização do real. Mas acreditamos que, no segundo semestre, haverá mudanças nestes números?, afirma. ?Por outro lado, poderíamos ter alcançado um melhor resultado se tivéssemos investido mais maciçamente em mercados que sempre tivemos como fiéis, mas, devido à realidade do aeroporto, fomos obrigados a ampliar as ações em outros mercados. E como tudo que é novo gera inicialmente algum desconforto, acreditamos que isto tenha influenciado um pouco?, explica, mencionando que o maior mercado de Alagoas ainda é o nacional e que o mercado estrangeiro, com exceção dos argentinos e portugueses, ainda é muito recente e está em formação.

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