Economia
AL tem a 2� menor renda do Nordeste
| PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Alagoas tem a segunda menor renda do Nordeste. É o que revelam as Estatísticas do Cadastro Geral de Empresas de 2003 levantadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBE). O Estado detém 40.419 empresas, 0,7% do total existente no País, ocupando 351.688 pessoas, gerando renda anual de R$ 2,084 bilhões por ano. Na região, a renda dos alagoanos só está à frente da do Piauí, que totaliza cerca de R$ 1,7 bilhão anual, mas que tem um número de estabelecimentos maior do que Alagoas ? pouco mais de 47 mil. Em número de empresas, o Estado só fica acima de Sergipe no rankig regional, que tem 27.237 unidades. Entretanto, o conjunto de estabelecimentos sergipanos gera mais renda para seu contingente ocupado ? formado por 271 mil pessoas ? somando R$ 2,1 bilhões por ano. O Nordeste reúne 15,3% do total de empresas brasileiras, com 855.239 mil estabelecimentos. O Estado nordestino que agrega o maior número de empresas é a Bahia, com 262.462 mil e 4,7% de participação no contingente nacional. Na Bahia, há 1,6 bilhão de pessoas ocupadas, totalizando R$ 12,1 bilhões de renda anual. Em segundo lugar na região vem o Ceará, com 162,6 mil estabelecimentos, 994,9 mil pessoas ocupadas e renda de R$ 6,2 bilhões anuais. Em seguida está Pernambuco, com pouco mais de 137 mil empresas que ocupam 1,09 bilhão de indivíduos e renda anual de R$ 8 bilhões. A participação alagoana em número de empresas, que já foi de 0,6% em 1996, subiu 1 ponto percentual (ano do levantamento anterior do IBGE). Contudo, vale ressaltar que, no mesmo período, outros estados nordestinos aumentaram mais significativamente suas participação em número de empresas no Brasil como o Rio Grande do Norte, que subiu de 0,8% para 1,1%; o Ceará, 2% para 2,3% e a Bahia, de 3,9% para 4,6%. Maceió Em Maceió há 20.542 empresas que ocupam 159,4 mil pessoas, das quais 132,8 mil são assalariados. A renda da capital alagoana soma R$ 1,2 bilhão anual ? menos do que o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) paga anualmente aos aposentados e pensionistas do Estado, que totaliza R$ 1,5 bilhão. Numericamente falando, a maioria das empresas situadas em Maceió é do segmento do comércio. No total são 10.815 unidades locais. O setor é o maior gerador de ocupação na capital, reunindo 39,5 mil pessoas, das quais 26,4 são assalariadas. Restaurantes, hotéis e pousadas somam 1.358 estabelecimentos, ocupando 7,3 mil pessoas. As atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às empresas agrupam o segundo maior número de empresas de Maceió, com 2,4 mil unidades locais e 17 mil ocupações. Embora não sejam significativas em termos de número de unidades locais, apenas 73, as atividades de pecuária e agricultura se destacam no mercado maceioense pela quantidade de pessoas ocupadas em suas atividades ? cerca de 4,2 mil. A indústria da transformação reúne 1.248 empresas, das quais 495 são fabricantes de produtos alimentícios e 138 são confecções. O segmento mantém ocupados 16,6 mil indivíduos. ### Indústria perde espaço no emprego FOLHA ONLINE A indústria de transformação perdeu espaço como atividade empregadora, revela a pesquisa Cadastro Central de Empresas 2003, divulgada ontem pelo IBGE. O setor permanece como a principal atividade econômica em relação ao total de pessoas empregadas, mas com fôlego menor. O segmento representava 32,6% do pessoal assalariado em 1996. Em 2003, este percentual caiu para 29,9%. O recuo de 2,7 pontos percentuais ocorreu em razão de atividades como fabricação de produtos têxteis, combustíveis, veículos e produtos alimentícios. As indústrias de transformação reduziram sua participação também em relação aos salários pagos. De 1996 a 2003, o percentual caiu de 38,4% para 35,6%. Apesar disso, as indústrias se mantiveram como principal atividade geradora de salários porque concentravam mais de um terço do total pago nos dois anos analisados. As atividades que apresentaram maior redução nas participações dos salários foram: fabricação de produtos alimentícios e bebidas, fabricação de máquinas e equipamentos, produtos têxteis, metalurgia básica e fabricação de material eletrônico e de comunicações. Enquanto a indústria teve sua participação reduzida, o comércio foi a atividade que apresentou maior crescimento em relação ao total de pessoas empregadas. De 1996 a 2003, o percentual passou de 21,9% para 25,8%. O crescimento foi verificado principalmente no comércio varejista, com destaque para o segmento de tecidos, artigos de armarinho, vestuário, calçados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, hipermercados, supermercados, lojas de conveniência, produtos farmacêuticos e material de construção, entre outros. A participação do comércio nos salários também aumentou e passou de 13,8% para 16,4% entre 1996 e 2003. O IBGE destaca que apesar do aumento da participação no total de salários pagos, a atividade ainda representava menos da metade da participação das indústrias de transformação. A terceira principal atividade empregadora em 2003 era o grupo atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados a empresas. Sua participação subiu de 10,4% em 1996 para 13,0% em 2003. O crescimento atingiu principalmente a atividade de serviços prestados a empresas, com destaque para seleção, agenciamento e locação de mão-de-obra e atividades de limpeza em prédios e domicílios. SALÁRIOS Os salários pagos por empresas registraram queda de 11% entre 1996 e 2003. O valor mensal médio pago pelas empresas passou de R$ 590 em 1996 para R$ 859 em 2003. Em termos reais, o salário caiu para R$ 525,29 ? esse valor foi obtido levando-se em conta que, descontada a inflação medida pelo IPCA de 63,53% no período, o trabalhador teve perda de 11%. Em número de salários mínimos, a renda média mensal passou de 5,5 salários mínimos em 1996 para 3,7 . O cálculo leva em conta o valor do salário mínimo de R$ 108 em 1996 e de R$ 230 em 2003. A redução de 11% é resultado da redução dos salários pagos pelas empresas com 100 ou mais pessoas ocupadas, principalmente nas áreas de melhor remuneração, como produção e distribuição de eletricidade, gás e água (-14,7%) e intermediação financeira (-12,4%).