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A marca da Embraer na terra da rival

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| Eduardo Diniz Globo Online São José dos Campos - A Embraer entregou na última sexta-feira seu centésimo avião da família 170/190, apenas 19 meses depois da homologação internacional da série de aeronaves, conhecida como E-Jet. A entrega da centésima aeronave, um Embraer 175, curiosamente, foi feita à Air Canadá, empresa aérea sediada no país da Bombardier, a maior concorrente da empresa brasileira. A Embraer e a Bombardier vêm, há quase 10 anos, disputando acirradamente o mercado de aviões regionais. A companhia brasileira acusou a concorrente de se beneficiar de subsídios supostamente concedidos pelo governo canadense. A empresa canadense já fez acusações semelhantes contra a Embraer. O problema foi encaminhado à Organização Mundial do Comércio (OMC) com processos movidos tanto pelo Brasil, como pelo Canadá, e com vitórias para ambos os lados e o direito inclusive, de se retaliarem mutuamente. O 100º Embraer 175 entregue à Air Canada faz parte de uma encomenda de 15 jatos do mesmo modelo à empresa brasileira, com entregas previstas para terminar em janeiro de 2006. Configuradas para oferecer nível superior de conforto para 73 passageiros em duas classes distintas, os novos aviões da empresa têm nove assentos na classe Executive e 64 na Hospitality, além de oferecer um sistema de entretenimento a bordo com telas individuais para todos os passageiros. A companhia aérea canadense também já fez encomendas firmes (com depósito inicial realizado) de 45 aviões Embraer 190, configurados com 93 assentos. ?A entrega do 100º E-Jet é um grande feito da nossa nova família de aeronaves. Estamos honrados que a Air Canada, nosso primeiro operador do Embraer 175 no mundo, esteja recebendo esta aeronave comemorativa?, disse o vice-presidente executivo, Mercado de Aviação Comercial da Embraer, Frederico Fleury Curado. Os E-Jets da Embraer atualmente voam nas cores da LOT Polish Airlines, Alitalia Express, US Airways Express, United Express, Delta Connection, Cirrus, Air Canada, Paramount Airways, Hong Kong Express e Finnair. A frota de E-Jets tem 168.618 horas de vôo e uma taxa de despachabilidade de 99,64%. Em novembro, a operadora de baixos custos e baixas tarifas JetBlue, dos Estados Unidos, deverá colocar em operação comercial seu primeiro Embraer 190, de 100 assentos, enquanto que a Copa Airlines, do Panamá, receberá o seu primeiro Embraer 190, configurado com 94 assentos, no mesmo mês. O vice-presidente de Operações Industriais da Embraer, Artur Coutinho, confirmou que a fabricante de aeronaves continua em negociação com a TAM para fornecimento de aviões Embraer 170/190 (série E-Jet). Os aviões substituiriam os Focker 100 da companhia aérea. Coutinho, no entanto, não quis adiantar em que nível está a conversação, limitando-se a dizer que ?existem tratativas?. Perguntado se a conclusão das negociações dependeria de crédito do BNDES para essa operação, o executivo não respondeu. ### Empresa pode ter fábrica na Rússia A fabricante brasileira Embraer estuda montar uma linha de produção de aviões na Rússia para atender a demanda local. A informação foi divulgada pelo Itamaraty em declaração conjunta dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Vladimir Putin (Rússia), que estiveram reunidos semana passada em Moscou. Segundo nota do Itamaraty, os dois ?assinalaram a disposição da empresa brasileira Embraer de estabelecer parceria com empresas russas, inclusive a possibilidade de estabelecimento de linha de montagem de jatos ERJ-145 na Rússia?. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da empresa confirmou as negociações. ?A Embraer confirma contatos preliminares, mas informa que não há nada definido sobre o assunto?, disse. A Embraer não possui escritório de vendas na Rússia e não tem tradição de negociações com empresas do país. Na China, por exemplo, a empresa concordou em instalar uma linha de produção local como forma de ter maior acesso ao mercado e tentar alavancar as vendas. Intercâmbio comercial Segundo o Itamaraty, a parceria dos dois países na área de aviação pode, também, incluir a compra, pelo Brasil, de helicópteros e hidroaviões russos, em particular o helicóptero MI-171A e do avião BE-103, já certificados no país. Rússia e Brasil alcançaram um intercâmbio comercial de US$ 2,1 bilhões nos sete primeiros meses deste ano. Lula e Putin ?manifestaram disposição de incentivar os setores público e privado de seus países a incrementar e diversificar a pauta bilateral de bens e serviços?, diz a nota. O Itamaraty afirmou que foi constatado interesse russo na construção de usinas hidrelétricas no Brasil e que a Rússia pode participar do programa de satélites brasileiro.

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