Economia
N�o faltou verba para aftosa, diz Palocci
| GLOBO ONLINE E FOLHA ONLINE O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou ontem que a febre aftosa não foi causada pela contenção de recursos. Segundo ele, foram liberados R$ 90 milhões para a área de defesa animal e vegetal. Deste total, o Ministério da Agricultura usou apenas R$ 50 milhões. Segundo Palocci, o mais importante agora é descobrir as causas para evitar que o problema se repita. ?Não podemos atribuir culpas antes de conhecer o problema?, disse. No caso do Mato Grosso do Sul, Palocci disse que não houve problema com os recursos, da ordem de R$ 3 milhões, e sim com o projeto. Segundo Palocci, o Ministério da Fazenda não teria problemas em admitir sua parcela de culpa caso a aftosa tivesse sido causada pelo contingenciamento de recursos. ?Quando não há recurso, não podemos gastar. (...) Rodrigues teve uma visão clara dos riscos e nós imediatamente liberamos. O ministério teve mais recursos do que precisou utilizar?, disse. O ministro enfatizou que a não utilização da verba não foi causada necessariamente por ineficiência do Ministério da Agricultura. Ele citou como exemplos projetos que ficaram parados por muito tempo e que somente a injeção de recursos no curto prazo não é suficiente para garantir sua estruturação. R$ 16 milhões O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou que já estão garantidos R$ 16 milhões para a indenização de pecuaristas que tiveram que abater seu rebanho devido à ocorrência de febre aftosa em alguns animais e para compensar a suspensão da comercialização de leite e derivados. Uma medida provisória regulamentando o pagamento ? que será condicionado à comprovação de que o fazendeiro tomou todas as medidas fitossanitárias obrigatórias, especialmente a vacinação ? já deveria ter sido publicada, mas o governo decidiu aguardar o resultado dos exames no Paraná, que deve sair esta semana, para ver se há confirmação de suspeitas de febre aftosa em quatro fazendas de cidades paranaenses. Segundo Rodrigues, a medida provisória já estava pronta e seria assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (21), quando surgiu a suspeita da doença no Paraná. ?Decidimos esperar o resultado dos exames para depois fazer uma única medida provisória?, explicou o ministro. Na medida provisória estavam previstos cerca de R$ 16 milhões para indenização dos produtores do Mato Grosso do Sul. Roberto Rodrigues lembrou que a infecção do gado no Paraná ocorreu em exposições e leilões de animais infectados do Mato Grosso do Sul. De acordo com o ministro, os governos do Paraná e de São Paulo, onde os animais também estiveram, estão rastreando todos os animais que participaram das exposições. ?Não há mais riscos em relação à proliferação de focos de aftosa em função da feira no Paraná?. Paraguai O Paraguai anunciou que irá iniciar uma nova vacinação preventiva de gado no Estado de Canindeyú, que faz fronteira com Mato Grosso do Sul. As autoridades paraguaias também adotaram um plano de vigilância sanitária na área de fronteira com o Paraná, depois que na sexta-feira foram encontrados no Estado animais com sintomas da doença. O Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa) informou que vacinará a partir de hoje aproximadamente 64 mil cabeças de gado no noroeste de Canindeyú, que pertencem a cerca de 200 proprietários. Um número similar também será imunizado em uma zona que faz fronteira com a mesma região, num período que será prolongado por um mês.