Economia
Aumenta embargo � carne brasileira
Folha Online Brasília A Bulgária e Angola se juntaram aos países que restringiram as compras de carne brasileira em razão dos focos de febre aftosa confirmados em Mato Grosso do Sul. Com eles, já são 47 os países que impuseram algum tipo de embargo às exportações brasileiras. O Itamaraty não sabe informar, no entanto, se a restrição desses dois países vale apenas para a carne de Mato Grosso do Sul ou para todo o País. Ainda não há informações se o embargo vale para todos os tipos de carne e se abrange também outros produtos de origem vegetal. O Brasil vende carne bovina para 145 países. Os países que impuseram algum tipo de restrição à carne brasileira após a descoberta da doença são: Bulgária, Angola, Colômbia, Indonésia, África do Sul, Argentina, Bolívia, Chile, Cingapura, Cuba, Egito, Israel, Moçambique, Namíbia, Noruega, Paraguai, Peru, Romênia, Rússia, Suíça, Ucrânia, União Européia (25 Estados-membros) e Uruguai. Segundo o Itamaraty, até agora, só a Indonésia ampliou a restrição para produtos de origem vegetal (farelo de soja), máquinas e equipamentos. Produtores rurais do Rio Grande do Sul entraram com uma ação na Justiça Federal pedindo a vacinação contra a febre aftosa em Santa Catarina. A ?ação de obrigação de fazer? se deve ao fato de terem sido identificadas suspeitas de foco da doença no Paraná. ?Com os focos no Paraná e a ausência de vacinação em Santa Catarina, pode haver um rastilho de pólvora que chegaria, fatalmente, ao Rio Grande do Sul. Santa Catarina não vacina desde o ano 2000, e isso nos preocupa?, disse o advogado Nestor Heinz, da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), entidade responsável pelo processo. O objetivo da ação é fazer com que a Justiça obrigue Santa Catarina a vacinar todo seu rebanho. O secretário da Agricultura de Santa Catarina, Moacir Sopelsa, diz que os Estados devem ter autonomia para controlar a entrada de produtos de origem animal. ### Terceira maior feira do País é suspensa Uma portaria publicada na sexta-feira pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) no Diário Oficial suspende por dois meses a realização de qualquer evento pecuário na Bahia e também impede a entrada e o trânsito de animais com riscos de febre aftosa (bovinos, caprinos, ovinos, suínos e bubalinos) vindos das regiões afetadas pela doença. Com a portaria, a Feira Internacional da Agropecuária (Fenagro), que deveria ser aberta no próximo dia 23, em Salvador, será realizada em outra data - no ano passado, o evento, o terceiro maior do País no gênero, movimentou cerca de R$ 100 milhões. ?É uma medida dura porque envolve o período de realização do principal evento agropecuário da Bahia. Mas os produtores entendem a importância da medida, que é manter a Bahia como zona livre da febre aftosa?, disse o presidente da Associação Baiana de Criadores, Jayme Fernandes. Desde maio de 1997, a Bahia é considerada zona livre de aftosa com vacinação. A Secretaria da Agricultura também intensificou a fiscalização nas barreiras para evitar a entrada de animais contaminados - além dos 43 postos fixos e 20 móveis, outros 12 itinerantes foram montados. Além da Bahia, a proibição de trânsito agropecuário também já foi adotada pelos governos de São Paulo, Paraná, Goiás, Minas Gerais e Santa Catarina. ### Organizador de leilão descarta aftosa O agropecuarista José Moacir Turquino apresentou na sexta-feira, em entrevista coletiva na Sociedade Rural do Paraná, laudos médicos emitidos por veterinários contratados por ele que indicam que os animais adquiridos no leilão Dez Marcas - e interditados em propriedades de Grandes Rios, Maringá, Loanda e Amaporã - não apresentam sintomatologia de febre aftosa. Os animais são suspeitos de terem levado febre aftosa de Mato Grosso do Sul para o Paraná. Turquino, organizador do leilão, contratou uma equipe independente de cinco veterinários para fazer análises clínicas no gado que vendeu para quatro propriedades. As fazendas foram interditadas pelo governo do Paraná. O secretário em exercício da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Newton Pohl Ribas, disse em Umuarama (noroeste do PR) que um laudo final do Ministério da Agricultura sobre a existência ou não de animais contaminados pela febre aftosa no Paraná deverá ser divulgado apenas na próxima terça-feira. O ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) já disse que a probabilidade de o resultado dos exames ser positivo é de 90%. Até a última sexta-feira haviam sido confirmados 11 focos da doença em Mato Grosso do Sul e 47 países anunciaram restrições a produtos brasileiros por causa da febre. O Brasil é o maior exportador do mundo, em termos de volume, de carne bovina.