Economia
Rodovias s�o os maiores gargalos
| CLARICE SPITZ Folha Online As rodovias são uma pedra no sapato das empresas brasileiras e um dos principais fatores de perda de competitividade da indústria brasileira. A conclusão faz parte do estudo Indicadores de Competitividade Industrial divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Sebrae. A insatisfação é generalizada, mas, de fato, as micros e pequenas empresas são as que mais sofrem com os problemas de infra-estrutura. Segundo Maurício Mendonça, coordenador da unidade de competitividade da CNI, as empresas de grande porte acabam por se valer da logística privada e sofrem menos. ?É uma necessidade urgente o investimento da infra-estrutura industrial?, afirma. De acordo com o empresariado, como são fatores que dependem menos de decisões diretas de cada empresa, as críticas chegam ao governo. ?Há uma ligação com políticas públicas.? Ao todo, 743 questionários de empresas foram analisados com dados referentes a 2003. Em 14 dos 27 setores pesquisados, mais de 75% das empresas disseram estar pouco satisfeitas ou insatisfeitas com as rodovias no País, sobretudo na Região Centro-Oeste. Os setores que se disseram mais insatisfeitos foram a indústria extrativa, minerais não-metálicos, química e vestuário e acessórios. A precariedade das ferrovias e de hidrovias não fica atrás nas queixas de empresários. No caso das ferrovias, 19 setores têm mais de 75 estabelecimentos pouco satisfeitos e insatisfeitos. A pesquisa aponta, ainda, uma preocupação com a qualidade do abastecimento d?água para a indústria nos grandes centros urbanos. ?Era uma preocupação que não existia e que deve crescer nos próximos anos?, disse Mendonça. Levantamento Em setembro, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) divulgou um levantamento que apontou que cerca de 72% das rodovias federais do País estão ruins, péssimas ou deficientes. Ao analisar uma malha rodoviária federal pavimentada e algumas estradas estaduais, num total de 81.944 quilômetros, os técnicos da CNT constataram que 59.029 km apresentam algum grau de imperfeição. Os trechos considerados deficientes somaram 31,8% do total (26.063 km), os ruins 22% (18.057 km) e os péssimos 18,2% (14.909 km). As estradas federais consideradas boas somaram apenas 17% da malha rodoviária federal (13.922 km), e as ótimas 11% (ou 8.993 km). Apesar da pequena melhora em relação às condições gerais das rodovias avaliadas em 2004, quando foram considerados ruins, péssimos ou deficientes 74% dos 74.681 km analisados, o panorama apresentado pela pesquisa foi considerado ?lamentável? pela CNT. Na avaliação da CNT, ao invés de ser um fator favorável ao desenvolvimento nacional, as rodovias continuam em estado crítico, representando um sério entrave ao progresso econômico e social do País.