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Safra ruim leva Brasil a importar trigo

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Devido a problemas na qualidade de boa parte da safra de trigo do Paraná e também em função de uma menor produção prevista para a Argentina, o principal fornecedor do Brasil, os moinhos brasileiros terão de importar mais trigo de outros países, como Estados Unidos e Canadá, no ano agrícola 2005/2006, afirmou um representante da indústria. ?Se fizer a conta na ponta do lápis, você vai chegar à conclusão de que vai faltar trigo (de qualidade). Nós vamos ter de buscar trigo em outro lugar, nos Estados Unidos, no Canadá ou no leste da Europa,? afirmou Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, o maior do País, e diretor da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). Ele não estimou quanto poderia ser importado de outros destinos. No ano passado, as importações do Brasil, um dos principais compradores do mundo, atingiram 4,84 milhões de toneladas, sendo mais de 95% da Argentina. O maior Estado produtor brasileiro previa colher cerca de 3 milhões de toneladas. Mas, de acordo a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), aproximadamente um milhão de toneladas de trigo da safra atual, afetada pelo excesso de chuva, acabará sendo destinado para ração, por falta de qualidade. A indústria de farinha brasileira consome anualmente cerca de 10 milhões de toneladas. Pih acrescentou que compras fora do eixo do Mercosul devem mesmo se resumir àqueles países do Hemisfério Norte, já que os do Mar Negro, como Ucrânia e Rússia, que poderiam ser potenciais fornecedores, ?não têm mais trigo? - para importar dessas nações, o frete também seria mais caro. Os argentinos, cientes de que sua safra será menor e de que a produção brasileira será inadequada, mantêm os preços da safra nova elevados. ?Todo mundo esperava uma queda de preços na Argentina, isso não está acontecendo,? disse, lembrando que a diferença entre a safra nova e a velha atualmente é de apenas alguns dólares, quando chega até US$ 25 por tonelada. ### Produção da Argentina pode diminuir De acordo com a Abitrigo, o produto da safra nova comprado em Up River nesta mesma época no ano passado estava cotado a US$ 104 por tonelada, e hoje está em US$ 134. No disponível (safra velha), o trigo dessa mesma região, onde se colhe cereal com maior teor de proteína, está valendo US$ 140. Além disso, salientou Lawrence Pih, os vizinhos, que deverão produzir em 2005/06 cerca de 12 milhões de toneladas, contra mais de 16 milhões no período anterior, ?não precisarão mais concorrer no mercado mundial este ano.? Ele explicou que a Argentina, que precisa de 6,5 milhões de toneladas para uso interno, está vendendo agora um volume maior para o Brasil, por causa dos problemas na safra nacional, o que deve reduzir seus estoques finais em 2005 para 600 mil toneladas. Além de estoques mais baixos, o produto argentino de qualidade pode ficar mais escasso no decorrer da safra 2005/06, o que reforça a idéia de que o Brasil terá de ir a outros mercados, ressaltou Pih. ### Excesso de chuva afetou produção De acordo com o industrial Lawrence Pih, a safra do Paraná foi afetada pelo excesso de chuva no período da colheita durante ?quase dois meses seguidos.? ?Na região das cooperativas no Oeste, que colheram mais tarde, as perdas foram muito altas, a qualidade do trigo ?chuvado? é péssima,? confirmou o analista técnico-econômico da Ocepar Gustavo Sbrissia. Pih explicou que o trigo ?chuvado? não é adequado para a produção de farinha, pois perde suas características enzimáticas. O agrônomo do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral) Otmar Hubner admite que a chuva prejudicou o trigo paranaense, mas lembrou que ?no ano passado tinha qualidade e os moinhos também não compraram,? preferindo o cereal argentino. Segundo Hubner, o problema maior é a cotação do dólar, que deixou o valor do importado mais competitivo que o nacional. ?Para justificarem que não estão comprando, falam da qualidade.?

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