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FED eleva juros americanos para 4%

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| VINICIUS ALBUQUERQUE Folha Online O Federal Reserve (Fed, o BC americano) elevou ontem a taxa básica de juros dos Estados Unidos de 3,75% para 4% ao ano. Trata-se do 12º aumento seguido de 0,25 ponto percentual nos juros. A decisão continua a refletir uma preocupação moderada com a evolução dos preços no País. Em setembro, o PPI (sigla em inglês para índice de preços no atacado) registrou alta de 1,9%, enquanto o CPI (sigla em inglês para índice de preços ao consumidor) dos Estados Unidos registrou alta de 1,2%. Em ambos os casos, o efeito da valorização do preço do petróleo está entre os principais fatores a impulsionar os índices de inflação americanos. O furacão Katrina, que atingiu os EUA no mês de agosto, fez o preço do barril de petróleo chegar a US$ 70,90. A gasolina, por sua vez, chegou a US$ 3 por galão (3,785 litros) em alguns estados do País. O banco, no entanto, não encara a pressão dos preços dos combustíveis sobre a inflação como um grande risco. O presidente do Fed, Alan Greenspan, disse no mês passado que o aumento dos preços da energia podem pressionar a economia americana, mas sem o mesmo impacto que tiveram os choques de petróleo na década de 70. ?O efeito do atual salto do petróleo, embora notável, deve causar menos conseqüências ao crescimento econômico que o salto da década de 70?, disse Greenspan à época. O presidente do Fed estima que a alta dos preços de energia ainda será motivo de aflição na economia global por algum tempo. Crescimento do PIB Os aumentos nos preços dos combustíveis e nos índices gerais de inflação, causados pela alta do petróleo, no entanto, não tiveram o efeito de desacelerar a economia americana no último trimestre. O PIB (Produto Interno Bruto, soma de toda a riqueza produzida por um país) dos EUA cresceu 3,8% entre julho e setembro (na comparação anual). O resultado mostrou que, mesmo antes dos furacões, a economia dos EUA vinha apresentado bom desempenho. No trimestre imediatamente anterior a economia americana já dava sinais de força, com o crescimento de 3,3% no PIB (dado anualizado). Outros sinais de que a economia americana conseguiu superar bem a primeira onda de impacto dos furacões Katrina e Rita na economia foram os dados sobre gastos e renda do consumidor americano referentes a setembro. Os gastos do consumidor voltaram a subir, com a alta de 0,5% na comparação com agosto, divulgada ontem. A renda pessoal dos norte-americanos também registrou crescimento, apresentando aumento de 1,7%. Pessimismo Os efeitos dos altos preços da energia, no entanto, devem continuar surtindo efeitos nos próximos meses. Para o quarto trimestre, a expectativa dos economistas é de desaceleração nos gastos dos americanos. A confiança do consumidor na economia dos EUA, por sua vez, vem caindo. O índice de confiança do consumidor referente a outubro registrou queda, segundo a Universidade de Michigan, atingindo 74,2 pontos ? menor registrado nos últimos 13 anos. O índice de confiança apurado pelo instituto privado de pesquisa Conference Board também apontou para baixo em outubro, com 85 pontos ? nível mais baixo desde outubro de 2003. O temor sobre a fraqueza do mercado de trabalho está entre os fatores que mais afetam a confiança na economia dos EUA. Em setembro, não apenas não houve criação de postos de trabalho como foram fechadas 35 mil vagas, devido aos estragos causados pelos dois furacões. O índice de desemprego subiu para 5,1%. Foi também o maior recuo no número de empregos no país desde abril de 2003, quando foram fechados 54 mil postos de trabalho ? à época a economia do país ainda patinava com os efeitos da recessão de 2001.

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