Economia
Perda com aftosa pode somar R$ 800 mi
| INVERTIA E FOLHA ONLINE Os prejuízos com a ocorrência de focos de febre aftosa no Brasil podem chegar a US$ 800 milhões ao longo de um ano. A estimativa é do presidente do Grupo Interamericano de Erradicação da Febre Aftosa (Giefa), Sebastião Guedes. Guedes discorda da opinião de alguns representantes do setor privado, que afirmam que o os prejuízos serão mais morais do que financeiros. Mas ele considera também como grave o atraso que o Brasil deverá ter na entrada da carne nacional em mercados considerados ?premium?. ?Estamos tendo diversos problemas e, sem dúvida, a aftosa dificultará ainda mais a entrada da carne brasileira em mercados como Japão e Estados Unidos. O presidente do Giefa considera ainda que o Brasil pode acabar perdendo o posto de maior exportador de carne do mundo. Na sua opinião, isso pode não ocorrer imediatamente, mas é necessária uma ação forte para impedir que isso aconteça. ?A erradicação da aftosa é passaporte para exportar. O Brasil é líder, mas tem de mostrar que tem condições para isso?, disse. PARANÁ A Secretaria de Agricultura do Paraná divulgou ontem os resultados parciais dos exames de laboratório das amostras de sangue do gado suspeito de ter contraído o vírus da febre aftosa em quatro cidades do Estado. Os exames não são conclusivos, mas os resultados obtidos até agora não permitem descartar a existência da doença no rebanho paranaense. Na última segunda-feira, o ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) afirmou que os exames realizados no gado do Paraná estavam mostrando que não haveria a doença no Estado. No entanto, de acordo com o documento divulgado pelo governo paranaense, nos quatro municípios houve amostras de sangue que reagiram ao antígeno da febre aftosa de acordo com o exame Elisa 3ABC. Das 106 amostras, 16 apresentaram reação. Já os testes EITB mostraram resultado positivo apenas no município de Grandes Rios. Além disso, das 106 amostras avaliadas, só duas reagiram. De acordo com a secretaria, os resultados dos exames EITB e Elisa 3ABC ?ainda não oferecem informações suficientes para diagnóstico conclusivo das suspeitas, pelas quais se aguardam os demais resultados?. A conclusão sobre a existência da doença no rebanho paranaense só deverá ser conhecida neste fim de semana, quando devem ficar prontas as provas de isolamento viral. Por determinação do Ministério da Agricultura, as propriedades localizadas dentro de um raio de 10 km de onde foram coletadas as amostras suspeitas e de onde já foram confirmados focos em Mato Grosso do Sul estão temporariamente proibidas de fazer a vacinação contra a aftosa. ?A suspensão temporária da vacina tem como objetivo apoiar o trabalho de delineamento amostral, para estudo de avaliação de circulação viral nos animais desta região, sem que haja interferência da vacinação nos resultados das provas usadas para tal procedimento?, afirma a secretaria paranaense. Na última terça-feira, o Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União uma lista de 41 municípios considerados área de risco de contaminação de febre aftosa. Essas cidades não poderão permitir a saída de animais suscetíveis à doença nem a venda de produtos e subprodutos como a carne.