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M�quinas importadas s�o 37,5% do Pa�s

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| ADRIANA MATTOS Folha Online O aumento na importação de máquinas e equipamentos no País, um dos principais motores da economia e termômetro de sua expansão, já acontece à custa da produção nacional. Economistas elaboraram, em outubro, relatórios setoriais que apontam para a hipótese de existência de um ?deslocamento da produção? do setor em detrimento da mercadoria fabricada no Brasil. Análises já discutem um ?novo processo de substituição? de máquinas nacionais por estrangeiras. Isso, em parte, como fruto da perda de valor da moeda americana, que acumula tombos desde 2004. Dólares mais baratos abrem espaço para a entrada de maquinários importados com preços agressivos no Brasil. Só este ano, a moeda registrou desvalorização de cerca de 15%. Um cenário como esse incomoda a indústria local, que reclama e prevê que só pode vir a recuperar esse mercado a partir de 2007. Mas, para a economia do País como um todo, o efeito pode ser positivo, já que a importação de bens de capital com valores mais baixos ajuda a reduzir os gastos com a expansão fabril. Essa ?economia? para a fábrica estimula o aumento da produção e também reduz custos, que podem chegar ao consumidor final. ?Teoricamente pode até funcionar assim. Mas estamos falando aqui de concorrência desleal e de efeitos nocivos a nossa indústria. A China vende com preço baixo pelo dólar depreciado e pelo ?dumping social? [salários baixos] que pratica. Isso é inaceitável?, diz Humberto Barbato, diretor do departamento de comércio exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Uma situação que tem gerado, nos bastidores, debates em reuniões fechadas em São Paulo entre representantes do setor de máquinas e o governo. Oficialmente, as partes dizem que as conversas servem para ?fomentar o desenvolvimento da área?. Na pele do BNDES, o banco de fomento do País, o governo tem dito aos líderes da indústria que a política cambial não muda. Admite que concorrer com a China é extremamente difícil, mas que o setor precisa ganhar mais competitividade com as próprias pernas, segundo apurou a Folha. Irritadas, as empresas, representadas pela Abimaq, entidade do segmento, já disseram ao BNDES que é preciso liberar recursos de forma mais ágil e a taxas de juros menores ? e que não há competitividade que ?vença? a invasão chinesa de maquinários. Nesse movimento de tentar ampliar linhas de crédito para a compra de equipamentos nacionais, o banco anunciou ontem a aprovação de um financiamento de até R$ 900 milhões ao grupo Gerdau para modernização e atualização tecnológica. Análises e desempenho Pelas contas da Abimaq, a participação de máquinas importadas no total consumido no País está em 37,5% este ano, o que mostra uma supremacia dos equipamentos nacionais. Porém, há cinco meses o nível de utilização da capacidade instalada só cai nas fábricas em São Paulo, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, de setembro de 2004 a setembro de 2005, o volume comprado do exterior cresceu quase 45%. E pagou-se menos pelo produto: ocorreu uma retração de 3% no preço médio de importação de bens de capital nesse intervalo. Para o economista Rafael Barroso, do grupo de análise de conjuntura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), se os bens de capital importados não ?tomam espaço? da produção nacional, então o efeito final na taxa de investimento se torna realmente positivo para o País.

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