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Nº 5751
Economia

Sono de motoristas � alvo de estudos para evitar acidentes

FERNANDA MEDEIROS O Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa (Ipep) vai realizar, por um período de seis meses, uma pesquisa com cerca de 4.500 motoristas autônomos e contratados para verificar o padrão de sono dos motoristas brasileiros nas estradas. A p

Por | Edição do dia 12/05/2002 - Matéria atualizada em 12/05/2002 às 00h00

FERNANDA MEDEIROS O Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa (Ipep) vai realizar, por um período de seis meses, uma pesquisa com cerca de 4.500 motoristas autônomos e contratados para verificar o padrão de sono dos motoristas brasileiros nas estradas. A pesquisa é inédita e visa mapear os números de acidentes causados pela sonolência e apontar os prejuízos dessas ocorrências para as empresas e para o País. “Grande número de acidentes que ocorrem nas estradas, envolvendo ônibus e caminhões de carga, acontece durante a madrugada ou pela manhã, horários em que o motorista deveria estar descansando, dormindo. No entanto, ele está na estrada, cansado, estressado e acaba sendo vencido pelo cansaço e pelo sono, pois têm pouco tempo de folga e local impróprio para dormir”, afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Transportadoras de Cargas do Estado de Alagoas, João Santana. Inclusive, em função desse grande número de acidentes, ocasionados pela falta de repouso dos motoristas, é que ele afirma que é favorável à diminuição da carga horária dos motoristas de ônibus e caminhões nas rodovias federais. Projeto Trata-se de um projeto de lei do Executivo, para evitar o alto índice de acidentes nessas rodovias. Daí, o governo argumenta que 38% dos acidentes de trânsito que ocorrem nas rodovias federais envolvem a responsabilidade de motoristas de caminhão e ônibus. “É uma medida válida do governo, afinal vai combater o alto índice de acidentes de trânsito nas estradas”, declarou João Santana. De acordo com o projeto, o motorista que trafega em rodovias federais ficará proibido de dirigir ininterruptamente por mais de quatro horas. Santana explica que a maior preocupação da categoria é justamente com o fato de a jornada de trabalho dos motoristas ser pesada e irregular. “Acho que a diminuição das horas vai contribuir muito com a redução de acidentes e assaltos, fatores que têm prejudicado tanto os motoristas como os empresários. Com esta medida, porém, todos ficarão com suas cargas e com os passageiros mais bem protegidos. Os únicos que vão achar ruim são os assaltantes”, observou. Sobre o problema do sono ao dirigir, João Santana cita o caso recente do presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Transportadoras de cargas de Campina Grande. “Ele sofreu um acidente quando dirigia entre 11 horas e meia-noite da última sexta-feira. Infelizmente, foi fatal”, destacou. Ele acredita que a medida de se reduzir as horas dos motoristas ao volante não deve acarretar demissões nem contratações de pessoal. Isso porque, segundo ele, trata-se apenas uma paralisação, onde não haverá troca de turno dos profissionais do volante. “Por isso, o número de motoristas será o mesmo, não representando demissões nem maiores prejuízos”, opinou. Santana acredita também que não haverá aumento nos custos dos transportes. “Mesmo se houver, será compensado pela redução do número de acidentes. Isso é o mais importante, pois a segurança do motorista está acima de tudo”, finalizou.

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