Economia
Leitura on-line de jornal dispara no Pa�s
| Sabrina Valle Globo Online O porcentual de pessoas que optam por ler o jornal na Internet tem crescido mais rapidamente do que o de internautas em geral. O fenômeno acontece tanto nos Estados Unidos ? país cujo mercado de mídia serve de referência mundial ? quanto no Brasil, dizem pesquisas da Nielsen/NetRatings e Ibope/NetRatings. Os levantamentos também mostram que internautas do sexo masculino e com nível alto de instrução são maioria entre esse público. Apesar da disparada, mais de dois terços dos leitores ainda preferem ler jornais na versão impressa. A Nielsen/NetRatings mostra que 22% dos entrevistados nos EUA trocaram sua principal fonte de notícias da versão impressa para a online. O porcentual de leitores de jornais online engordou 11% nos Estados Unidos apenas entre outubro de 2004 e outubro deste ano. Isso é mais do que os 3% de crescimento do número de internautas em geral. Por aqui, uma pesquisa do Ibope/NetRatings com base na mesma metodologia aponta um aumento ainda mais significativo dos leitores online: 13,9%. Bem mais do que a alta de 3,6% da circulação dos jornais impressos entre agosto de 2005 e agosto de 2005. ?O crescimento de audiência dos sites de jornais mostra que essas entidades oferecem atrativos únicos aos visitantes. A maioria, se não todos, oferece interatividade, como blogs, podcasts (rádios online personalizadas) e streaming (sem necessidade de download) de áudio e vídeo?, diz o analista da Nielsen/NetRatings Gerry Davison. O alcance desse tipo de mídia é maior no Brasil. Do total de 18,9 milhões internautas residenciais brasileiros, 30,8% lêem seus jornais preferidos pela Internet, diz o coordenador de análise do Ibope Inteligência, Alexandre Magalhães. Nos EUA, 26% dos internautas têm o mesmo hábito. Apesar da evolução mais acelerada, o universo brasileiro de leitores de jornais online representa menos de um décimo do americano. Cerca de 39,3 milhões de pessoas acessaram jornais pela Internet em outubro passado nos Estados Unidos, contra 3,6 milhões daqui. Só NYTimes.com, líder de audiência por lá, tem 11,4 milhões de leitores, mais que o triplo de todos os nossos sites de jornais. A migração de leitores da versão impressa para a online explica em parte a queda geral de circulação dos jornais do mundo. A United Press International diz que os jornais da América do Norte e da Europa perderam 600 mil leitores desde 1995. No Brasil ? onde houve alta de 3,6% ? o diretor-geral do Instituto Verificador de Circulação (IVC), Ricardo Costa, diz que as empresas brasileiras se esforçaram e têm conseguido reverter a tendência mundial de encolhimento do mercado. No entanto, essa recuperação é insuficiente para compensar a queda de circulação no mercado brasileiro nos últimos dez anos. Os três principais jornais do país somavam 2,9 milhões de exemplares em circulação em 1995. Hoje circulam apenas 1,07 milhão, quase três vezes menos.