Economia
Macei� concentra 55% do PIB de AL
| PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Alagoas apresenta uma concentração espacial e de renda muito acima da média nacional e até mesmo nordestina. É o que revela o recente levantamento Produto Interno Bruto dos Municípios 1999-2003, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dez maiores municípios de Alagoas detêm, juntos, 75% de toda a riqueza produzida, sendo que a capital é responsável por 55% do que é produzido no Estado. Ou seja, do total de 10,3 bilhões de reais do PIB alagoano, R$ 5,8 bilhões se localizam em Maceió. O fenômeno do nacional deslocamento da riqueza para municípios do interior, principalmente por meio da interiorização de indústrias, não ocorreu em Alagoas. Pelo contrário. Maceió ampliou seu índice de concentração estadual, que é atípico mesmo para o Nordeste, a exemplo de Aracaju que representa 30% do PIB de Sergipe, Recife 25% de Pernambuco e Salvador com apenas 15% da riqueza baiana. Segundo o economista Cícero Péricles de Carvalho, professor do departamento de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a explicação da realidade de concentração de riquezas alagoana é relativamente simples. ?Nestas dez localidades, estão concentradas as poucas indústrias do Estado, o setor de serviços mais dinâmico, o comércio mais ativo e a agricultura moderna, principalmente a voltada para a exportação?, analisa. ?Os maiores municípios são também os mais populosos e, como os vizinhos são bem menores e mais pobres, essas cidades exercem o papel de sedes mesorregionais, seja na Mata, Agreste ou Sertão?, afirma o economista. De acordo com Carvalho, os grandes municípios têm áreas de influência que correspondem as suas capacidades de oferecer serviços médicos, bancários, educacionais e comerciais às localidades vizinhas, transformando-se assim em centros dinâmicos sub-regionais, e exemplo de Arapiraca, na região fumageira; Delmiro, no Sertão; ou Coruripe, no litoral sul. ?As pequenas localidades, por sua vez, são ex-distritos que se emanciparam, mas que nunca perderam a condição de região dependente da antiga sede municipal. Para exemplificar essa disparidade na distribuição espacial de riquezas: mesmo juntos, os dez municípios com menores PIBs, na classificação do IBGE, têm uma economia menor que alguns bairros da capital, como, por exemplo, o Jacintinho?, compara Carvalho. Modelo antigo Para o economista, Maceió é o retrato fiel do modelo concentrador de renda que o Brasil conhece desde o tempo colonial, e que mantém os seus traços mais fortes no Nordeste. ?A capital tem, em primeiro lugar, o privilégio de, desde o século XIX, de concentrar quase toda a administração pública federal e estadual, além da sua própria prefeitura. São mais de 80 mil funcionários públicos vivendo na capital. Uma de cada três famílias na capital tem um servidor público?, reflete. ?Ao longo de décadas se implantou em Maceió um setor de serviços e uma rede comercial desenhadas para servir a todas as regiões do Estado e, por isso, eles absorvem muita gente. Estes setores são os grandes empregadores, tanto no setor formal, com trabalhadores de carteira assinada, como na economia informal?, completa Cícero Péricles de Carvalho. Além disso, o professor frisa que as poucas indústrias alagoanas, fora do setor sucroalcooleiro, estão quase todas localizadas em Maceió, como a Braskem e a Socôco ? símbolos da industrialização setorial. ?Na capital também está situado o principal pólo turístico do Estado. O somatório de tudo isto é que Maceió produz 55% da riqueza estadual. E isso traz um problema crônico: por ter mais vantagens competitivas, como a melhor infra-estrutura e o mercado consumidor amplo, a cidade continua atraindo mais empresas, ajudando nessa concentração de riquezas?, conclui Carvalho. Subdesenvolvimento O economista afirma que município de Maceió tem a dinâmica própria de uma região subdesenvolvida. Apesar de ser o mais populoso e mais rico município do Estado. ?Sua economia está baseada na imensa rede da economia de serviços e comércio, onde predomina o setor informal. Ruas inteiras e parte de bairros periféricos têm nestas atividades a sua razão econômica. Este setor de presença generalizada convive com um distrito industrial e algumas poucas plantas industriais; convive, também, com uma imensa área rural, onde encontramos canaviais ocupando 60 mil hectares, uma usina de açúcar (Cachoeira) e a pecuária de leite em fazendas de gado e atividades crescentes no setor de laticínios?, descreve. Segundo Carvalho, a falta de alternativas no interior do Estado e a dinâmica econômica municipal um pouco superior a média estadual têm penalizado Maceió com uma forte migração rural e com os deslocamentos das cidades do interior alagoano em direção à capital. ?O município conhece esse processo de urbanização desde a transferência da capital de Alagoas, que foi Marechal Deodoro até 1839, e sofreu uma ampliação fulminante nas quatro últimas décadas do século XX, quando quase quadruplicou sua população?, relembra. ### Petróleo impulsiona riquezas municipais DA EDITORIA DE ECONOMIA O petróleo foi a grande alavanca do crescimento da riqueza dos municípios em 2003, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O município com maior PIB per capita do País, por exemplo, é São Francisco do Conde, uma cidade de apenas 28.665 habitantes e que apresentou um PIB por habitante de R$ 282,4 mil. A explicação: a cidade é a sede da refinaria Landulpho Alves - Mataripe, a segunda maior do país, com capacidade de 323 mil barris por dia. Segundo o IBGE, o preço médio do barril do petróleo leve subiu de US$ 17,8 em 1999 para US$ 28,89 em 2003, o que significa um crescimento de 62%. Convertido em reais, a diferença chega a 175%. Os municípios de Campos dos Goytacazes e Macaé, ambos no norte fluminense, que participam em 2003 com cerca de 2% do PIB nacional e 16,2% do PIB estadual têm no petróleo sua fonte de crescimento. Campos elevou sua participação no PIB nacional, ao saltar da 27ª posição em 1999 para a 6ª em 2003. Já Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o principal pólo de produção de derivados de petróleo do Estado do Rio passou da 15ª posição para a nona no ranking. Paulínia, que tem o maior PIB per capita do Estado de São Paulo, abriga a maior refinaria do país, a Replan, com a maior capacidade instalada de produção de barris do País (365 mil barris por dia). No ranking de PIB per capita, Carapebus (5º), Rio das Ostras (6º), Armação dos Búzios (8º) e Macaé (10º) também foram influenciados pelos royalties do petróleo e gás natural. A coordenadora da pesquisa do IBGE, Sheila Zani, lembra que, além do petróleo, a participação da agropecuária e da soja também impulsionaram o crescimento do PIB municipal. ?Enquanto a indústria manteve praticamente a estabilidade, o petróleo e esses setores literalmente puxaram o crescimento?. Capitais X Interior A pesquisa do IBGE mostra que entre 1999 e 2003 a participação percentual das capitais no PIB nacional diminuiu enquanto municípios fora das regiões metropolitanas cresceram. As capitais, que tinham 32% em 1999, reduziram seu percentual para 28% em 2003. Fora das regiões metropolitanas das capitais, a participação cresceu de 46% para 50%, influenciada pela exploração e produção de petróleo, pela agropecuária e por incentivos fiscais que provocaram a interiorização de algumas empresas industriais. As cidades que mais registraram ganhos foram Campos dos Goytacazes (RJ), Macaé (RJ), Paulínia (SP) e Camaçari (BA), Duque de Caxias (RJ) e Manaus (AM). Campos dos Goytacazes e Macaé, por exemplo, ambas no Estado do Rio, participam com cerca de 2% do PIB brasileiro. Concentração De acordo com a pesquisa, apenas dez municípios brasileiros respondem por 25% da produção de bens e serviços brasileiros, revela a pesquisa sobre o Produto Interno Bruto (PIB) em 2003. São elas: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Manaus, Belo Horizonte, Campos dos Goytacazes, Guarulhos, Curitiba, Duque de Caxias e Porto Alegre. Em 1999, apenas sete municípios detinham a mesma parcela do PIB. Participação São Paulo foi a capital brasileira que mais perdeu participação no PIB nacional entre 1999 e 2003, segundo estudo divulgado pelo IBGE. Em 1999, São Paulo detinha 11,6% de participação. Em 2003, esse percentual caiu para 9,4%. O Rio de Janeiro aparece na segunda posição entre as capitais que mais perderam. A cidade detinha 5,6% e chegou a 4,3% nesse mesmo período. Curitiba, Salvador e Porto Alegre seguem a lista de capitais com forte redução de participação. A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) analisou o PIB dos 5.560 municípios brasileiros e mostra que apesar de ter registrado queda, a capital paulista permaneceu em primeiro lugar na contribuição ao PIB do país. Em 2003, o PIB brasileiro teve um leve avanço de 0,5% em 2003 e atingiu cerca de R$ 1,5 trilhão. Para analistas, o ano sintetizou os piores resultados de uma conjuntura que já se mostrava ruim desde o fim da década de 90 e que registrou pressões inflacionárias e cambiais. No campo econômico, ao mesmo tempo em que havia elevação do esforço fiscal e da taxa de juros, os indicadores de mercado de trabalho se deterioravam, com aumento do desemprego e queda nos rendimentos. Das 27 capitais, incluindo Brasília, apenas nove tiveram crescimento em participação no PIB entre 1999 e 2003: Porto Velho (RO), Manaus (AM), Boa Vista (RR), Macapá (AP), Palmas (TO), Natal (RN), João Pessoa (PB), Maceió (AL) e Brasília (DF). No ranking formado pelo PIB das capitais nordestinas, Maceió está posicionada no quarto lugar. A capital alagoana só perde para Fortaleza (CE), com R$ 12,8 bilhões; Recife (PE), com R$ 12,7 bilhões, e Salvador, com R$ 11,9 bilhões. No ranking de renda per capita, Maceió está colocada na 14ª posição nacional, liderada por Vitória (ES).