Economia
13� injeta R$ 345,2 milh�es em Alagoas
PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia O Natal de 2005 promete ser daqueles para o comércio varejista de Alagoas. Após um ano de sucessivos incrementos mensais nas vendas, em relação a 2004, a injeção de capital do 13º salário no Estado promete turbinar ainda mais os negócios do setor. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 650 mil pessoas devem receber o bônus salarial de fim de ano, em um total de R$ 345,2 milhões. Só o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que contempla 317.771 aposentados e pensionistas vai derramar 114,8 milhões extras na economia alagoana. No Brasil, o abono natalino vai injetar R$ 45,9 bilhões até o fim do ano. A maior parte do dinheiro a ser distribuído ficará nas mãos dos trabalhadores do mercado formal: R$ 33,94 bilhões. Os aposentados e pensionistas do INSS embolsarão outros R$ 11,30 bilhões. Os trabalhadores domésticos deverão receber R$ 634,31 milhões em abono natalino. Este ano, o pagamento do 13º salário corresponderá a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Segundo recente pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), 58% dos trabalhadores que vão receber o 13º salário vão colocar as contas em dia, realizando o pagamento de dívidas pendentes. Apenas 17% pretendem usar o dinheiro extra para fazer compras. Outros 8% vão guardar o abono para pagar as despesas de começo de ano, como IPVA, IPTU e material escolar, enquanto 7% usarão o dinheiro em despesas com compras e reforma da casa. Só 4% vão poupar a parte que sobrar do 13º. Contudo, sabe-se que boa parte daqueles que vão quitar seus débitos e reestabelecer crédito no comércio volta a realizar compras parceladas no comércio. De acordo com o Dieese, houve um incremento no volume financeiro relativo ao 13º salário este ano em relação ao ano passado. Foram pagos nacionalmente R$ 40,2 bilhões em 2004. Ou seja, houve um aumento real de de 8,5% no montante do abono este ano. Emprego formal Segundo o Dieese, as razões que levaram a esse aumento de receita no 13º salário no Brasil estão relacionadas ao crescimento de 5,8% no número de trabalhadores com carteira assinada. Atualmente há pouco mais de 31 milhões deles no País. O reajuste promovido no salário mínimo este ano, que subiu de R$ 260 para R$ 300, também deu a sua contribuição no incremento do 13º salário. Além disso, o número de empregados domésticos com registro em carteira aumentou 7,45% este ano em relação a 2004 e o número de aposentados também cresceu 3,51%, atingindo o total de 23,6 milhões. Em termos nominais, o valor do abono a ser pago aos aposentados brasileiros subiu 11,2%, correspondendo a 11,3 bilhões. O montante correspondente ao dos empregados do mercado formal cresceu 14,9%, subindo para R$ 33,9 bilhões. Já o dos empregados domésticos com carteira assinada cresceu 16,7%, atingindo R$ 634 milhões. Nas páginas a seguir, o leitor da Gazeta vai saber qual é a expectativa dos especialistas do comércio varejista do Estado em relação a esta injeção de capital que impulsiona as vendas a cada fim de ano. ### Importados vão elevar vendas dos supermercados A queda do dólar no mercado de câmbio brasileiro vai favorecer o consumidor alagoano, elevando seu poder de compra. É o que afirma Raimundo Barreto de Souza, presidente da Associação dos Supermercados de Alagoas (ASA). Segundo ele, alguns produtos atrelados ao mercado internacional e preços fixados em dólar tiveram seus valores reduzidos, tendo em vista que a moeda americana sofreu desvalorização média de 15% este ano. ?Entre esses artigos podemos destacar os derivados de trigo e soja, por exemplo?, diz Souza. Além disso, este ano, o preço de alguns artigos importados consumidos nas festas de fim do ano, como vinhos, queijos, champanhe, uísque e frutas secas, também ser reduzidos em função da queda do dólar. ?Ano passado, o câmbio se manteve elevado e esses artigos não tiveram um bom desempenho nas vendas. Mas, este ano, estamos prevendo um incremento de receita de até 10%, em relação a 2004, graças ao aumento no consumo dos importados?, afirma Souza. Em relação a performance nas vendas do setor supermercadista do Estado este ano, o presidente da ASA diz que as vendas se mantiveram estáveis, registrando crescimento de 2% em relação ao ano passado. ?Esperávamos uma média de crescimento maior?, conta. Contudo, para 2006, Souza acredita que deverá ocorrer um incremento maior de receita do setor por causa do calendário eleitoral, apesar da possível turbulência política. ?Geralmente as eleições geram um bom movimento de capital?, explica. PM ### Otimismo dá a tônica no varejo do País EDITORIA DE ECONOMIA A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) tem previsões otimistas em relação às vendas de Natal no País. O presidente da Abras, João Carlos de Oliveira, estima que as vendas cresçam de 10% a 12% nos 15 dias anteriores ao Natal. Se a previsão for confirmada, o Natal deste ano será o melhor para o setor dos últimos quatro anos. Para o presidente da associação, o otimismo do consumidor em relação à queda da taxa básica de juros ? atualmente em 19% ao ano ? e o acesso ao crédito devem contribuir para o avanço. No acumulado do ano, as vendas no setor supermercadista brasileiro cresceram 2,18%, apesar de os preços terem caído 5,29%, de janeiro a setembro deste ano de acordo com o Abrasmercado ? índice de preços da Abras. Vale ressaltar que a associação realiza seu levantamento com 90 empresas do setor no Brasil. Shoppings Outro segmento do comércio que está otimista em relação às vendas de Natal deste ano no País é formado pelos shopping centers. A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) estima um aumento na receita dos centros de compras brasileiros de até 8% em relação a 2004. ?O 13º salário é sempre um incentivo a mais para o comércio. Parte desse dinheiro acaba sendo direcionada para as compras?, afirmou o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun. Segundo ele, a expansão do crédito, a recuperação do poder de compra ? resultado da combinação dos reajustes salariais ? além do controle da inflação terão impacto positivo no faturamento dos shoppings brasileiros. ?Com a redução da Selic as condições de pagamento ficarão melhores e o consumidor poderá contar com prazos maiores?, diz. ### Comércio espera alta de 20% nas vendas Este ano, em todos os meses, as vendas do comércio varejista alagoano registraram crescimento em relação aos mesmos meses do ano passado. É o que apontam as sucessivas Pesquisas Mensais do Comércio, realizadas ao longo de 2005 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro, as vendas do comércio no Estado registraram aumento de 20,47% em relação a setembro de 2004. No acumulado do ano, o incremento registrado é de 18,63. Vale ressaltar ainda dois aspectos: o primeiro diz respeito às médias de crescimento alagoanas que desde março de 2004 vêm se posicionando sempre acima das taxas de crescimento nacionais (ver quadro). Em setembro, a taxa média de incremento nacional foi de 5,62%. Só para relembrar, no mês de julho, o incremento médio brasileiro ficou em 4,49%, enquanto o de Alagoas foi de 18,77% e, em agosto, o Brasil registrou alta de 6,81% e Estado de 22,51%. Além disso, superar a base comparativa de 2004 é um feito extremamente positivo para o setor varejista alagoano, tendo em vista que o ano passado foi período de retomada das vendas do comércio. Só para relembrar, o ano de 2003 foi considerado um verdadeiro desastre na opinião de especialistas em varejo porque as incertezas do cenário econômico e político tiveram impacto negativo sobre as vendas do setor ? foi o primeiro ano do governo Lula e não se sabia ainda quais seriam as diretrizes estabelecidas pela equipe econômica do ministro Antônio Palocci. Otimismo Contudo, a fase negativa já passou e, na atualidade, as expectativas do comércio alagoano estão para lá de otimistas. De acordo com o economista Sílvio Costa, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenador do Instituto de Estudos e Pesquisas da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), o mês de dezembro promete para o varejo do Estado. ?As vendas deste ano certamente serão melhores do que às do ano passado?, diz Costa. ?O empresariado em geral espera um aumento de receita de até 20%?, completa. Segundo ele, no fim de ano, graças à injeção de capital do 13º salário, todos os segmentos do mercado observam crescimento nas vendas. ?O setor de construção civil vende mais material de construção nessa época, as revendedoras de veículos comercializam mais carros. O aquecimento nas vendas atinge os bens duráveis, semi-duráveis (como roupas e calçados) e os não-duráveis (como os alimentos)?, reforça. Segundo o professor, os principais objetos de consumo dos alagoanos neste fim de ano devem ser os aparelhos de DVD e os telefones celulares, tendo em vista o desempenho positivo de vendas de ambos ao longo do ano. Em relação ao ano que vem, Sílvio Costa não arrisca nenhum palpite sobre a manutenção da tendência de constantes incrementos nas vendas do comércio varejista. ?É um ano eleitoral e, dependendo do clima estabelecido, pode gerar ou não insegurança no consumidor. Se as incertezas e a interpretação pessimista sobre a realidade nacional predominar certamente haverá um impacto negativo sobre as vendas no comércio, pois o consumidor preferirá guardar seus recursos para possíveis tempos de vacas magras ao invés de gastar?, explica. Mas, segundo Costa, tudo é relativo e imprevisível. ?Há alguns meses, o País foi bombardeado com denúncias de corrupção contra representantes do governo federal e nem por isso o consumidor diminuiu seu ânimo para as compras?, argumenta. Por outro lado, Costa afirma que o próprio empresariado do comércio está mudando suas estratégias, visando cativar os clientes para manter um ritmo constante nas vendas. ?Crédito, facilidades de pagamento e política de pós-venda. Eis as palavras-chaves do setor?, resume. PM ### Shopping estima crescimento de 50% no ano que vem No Shopping Center Iguatemi, as expectativas também estão positivas em relação às vendas do fim de ano. De acordo com a superintendência do centro de compras, localizado na capital alagoana, já descontada a inflação registrada pelo Índice Geral de Preços (IGP), estima-se 20% de aumento real na receita. ?Houve uma fase do ano, logo que começaram a surgir as primeiras denúncias de corrupção no cenário político, em que caiu a freqüência de público e as vendas no shopping. Creio que os consumidores deixaram as compras de produtos considerados supérfluos para o segundo plano?, analisa Robson Rodas, superintendente do Iguatemi. ?Entretanto, desde outubro, estamos observando um crescimento de 20% nas vendas e de 30% na freqüência do público?, enumera. Segundo Rodas, é difícil traçar um quadro futuro de desempenho nas vendas do setor varejista no geral para o ano que vem. ?Mas no Iguatemi estamos prevendo um crescimento de receita da ordem de 50%. Novas lojas âncoras como a Renner, Ferreira Costa e Marisa Family estão negociando sua entrada no shopping. Esses novos investimentos vão certamente atrair a atenção do consumidor, induzindo as compras?, afirma.|PM