Economia
Brasil precisa de 50 novas destilarias
| PATRÍCIA ZIMMERMANN Folha Online O Brasil precisará investir cerca de US$ 3,5 bilhões em 50 novas destilarias de álcool para atender à demanda crescente pelo produto nos próximos 15 anos. A área plantada de cana-de-açúcar também terá que ser ampliada em 3,5 milhões de novos hectares até 2023. Essa previsão de investimentos, que equivale a uma nova refinaria de petróleo com capacidade de processamento de 300 mil barris por dia, faz parte das ?Diretrizes da Política de Agroenergia 2006-2011?, um documento elaborado pelos ministérios de Minas e Energia, Agricultura, Desenvolvimento e Ciência e Tecnologia. As necessidades de investimento levam em consideração que a capacidade instalada do setor suportaria o processamento de mais de 430 milhões de toneladas de cana para produção de 18 bilhões de litros de álcool e 29 milhões de toneladas de açúcar. Por outro lado, além do crescimento da demanda interna e externa, a difusão dos veículos flex fuel (movidos a álcool ou gasolina) deve elevar o consumo anual do mercado interno (de aproximadamente 12 bilhões) em 1,5 bilhão de litros de álcool. O setor também prepara-se para exportar mais nos próximos anos. Consolidadas essas expectativas, a demanda poderá elevar a produção atual de cana em 75%, com o acréscimo de 700 milhões de toneladas. O desafio do governo, segundo o estudo, será a estruturação de um plano de investimentos capaz de levar os novos investimentos para fora das regiões tradicionais do setor. Para isso, terá que solucionar problemas de infra-estrutura a fim de incentivar a migração da atividade para as regiões Centro-Oeste e para o Estado de Tocantins e sul do Maranhão e Piauí. Agroenergia O Brasil deve encarar o esgotamento de fontes hidrelétricas e também de petróleo como oportunidade para desenvolver seu potencial na área de agroenergia. A avaliação foi feita pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Estratégico do Ministério de Minas e Energia, Márcio Pereira Zimmermann. Segundo ele, a participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira chega a 44%, enquanto no mundo essa participação é de apenas 14%. Somente a biomassa responde por 29,1% de toda a energia consumida, e a hidroeletricidade por 14,5%. ?No curto e médio prazos, a função da agroenergia será a de propiciar uma transição mais tranqüila rumo a uma matriz energética com maior participação da energia renovável, inclusive ampliando o horizonte de uso das atuais fontes de carbono fóssil?, diz o estudo. Para levar à frente o projeto de desenvolvimento da agroenergia, no entanto, o governo precisa se apressar. No caso do biodiesel, pelo ritmo atual, a capacidade instalada de produção não deverá ser suficiente para atender à demanda compulsória estabelecida por lei, que obriga a mistura de 2% de biodiesel ao diesel a partir de 2008 e de 5% a partir de 2013. De acordo com o próprio estudo do governo, até o fim deste ano a capacidade instalada de produção do biodiesel deverá atingir apenas 143,2 milhões de litros por ano, bem abaixo do consumo previsto para o primeiro ano de obrigatoriedade da mistura (2008), que é da ordem de 840 milhões de litros por ano.