Economia
Consignado esfria venda de eletros
| ADRIANA MATTOS Folha de São Paulo O efeito negativo da venda por meio do empréstimo consignado, algo já percebido pelo varejo de alimentos, passou a afetar o comércio de eletroeletrônicos. Houve perda na velocidade de vendas no segmento no terceiro trimestre e no mês de outubro, reflexo direto do encolhimento do salário do trabalhador como resultado das parcelas do financiamento que permite o desconto na folha de pagamento do funcionário. Em setembro deste ano, a Folha antecipou um movimento nesse sentido ? negado por entidades como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a direção de empresas de análise de crédito como a Serasa, que não criam num reflexo desse peso no consumo. O arrefecimento nas vendas de bens duráveis do Ponto Frio no terceiro trimestre de 2005, em comparação com o desempenho dos primeiros meses do ano, teve como fator a redução na renda disponível para gastos no período. Essa queda foi efeito do aumento do desconto em folha com o consignado. Em comunicado presente no balancete financeiro do terceiro trimestre da rede, a empresa diz que, por conta de um cenário de demanda menor, a receita de vendas do grupo cresceu no ano por causa, entre outros fatores, da abertura de lojas durante 2005. Inaugurações de pontos tendem a ?turbinar? o resultado, já que a abertura de lojas atrai um volume expressivo de novos consumidores num primeiro momento. A Casas Bahia confirma os rumores de queda nas vendas na rede no período de julho a outubro. O diretor-executivo da empresa, Michael Klein, informou que a retração foi reflexo, em parte, do empréstimo consignado. Essa redução foi de 5% no faturamento da rede durante esse intervalo de tempo e pode ser verificada no conjunto das mesmas lojas que a cadeia tinha em 2004 ? excluindo o efeito inauguração. ?Se incluirmos nos números os ganhos com as aberturas de pontos, então o resultado final da cadeia foi de alta nas vendas?, disse Klein. Na avaliação de Rui Pena, diretor da Panasonic, fabricante de eletrônicos, outras questões como as altas taxas de juros no crediário e o aumento nos gastos das chamadas contas fixas (telefone, mensalidade escolar) podem ter impactado nos gastos dos consumidores e, por conseqüência, nos resultados das lojas. De cada dez brasileiros, quatro utilizam o crédito consignado, com desconto em folha de pagamento, para fazer compras ou viajar. Entre os que aderiram a essa modalidade de empréstimo, 20% já tinham pendências com outra forma de financiamento quando recorreram ao sistema de desconto no salário ou benefício. Os dados fazem parte de um levantamento do Ibope publicado no Congresso de Cartões de Crédito, há dois meses. O que ocorre é que quando um trabalhador faz um empréstimo consignado em banco, há um desconto direto no contracheque das parcelas do financiamento. A taxa de juros cobrada tende a ser menor do que a das financeiras. No entanto, o trabalhador já embolsa menos salário para pagar os outros empréstimos que fez.