Economia
Varejo quer mercado aberto para brinquedos
| CLARICE SPITZ Folha Online Enquanto os fabricantes de brinquedos se unem para entrar com pedidos de salvaguardas contra a China, um grupo formado por mais de 40 lojas e associações do varejo pede o fim de qualquer tipo de proteção para o mercado interno. Eles lançaram o Movimento pela Liberdade de Escolha do Brinquedo, que defende a não adoção de uma nova salvaguarda para o setor. O setor de brinquedos é um dos únicos que contam com restrições à importação há cerca de dez anos. A barreira comercial vem pela imposição de uma sobretaxa de 9% sobre tarifa de importação. No ano que vem, a sobretaxa cai para 8% e vale até 30 de junho de 2006, quando expira a salvaguarda. ?Chega até a ser imoral pedir mais proteção para um setor superprotegido?, afirma Ronald Schaffer, diretor financeiro da fabricante americana Mattel, dona da marca Barbie. Segundo o movimento varejista, as restrições aos importados tiram o direito à opção do consumidor, além de deixar os brinquedos mais antiquados elevando o custo dos importados. ?Queremos o caminho oposto do que vem sendo proposto, queremos liberalizar o comércio?, afirma. Concorrência desleal Por outro lado, os fabricantes de brinquedos se queixam da concorrência desleal, subfaturamento, pirataria e contrabando e justificam as salvaguardas contra a China. De janeiro a setembro, foram abertos cerca de 250 processos que estão sob análise no Ministério da Fazenda envolvendo 96 empresas por problemas na importação. Os fabricantes afirmam que o preço do quilo de brinquedo chegou ao País em média a US$ 4,9, quando deveria ser vendido a US$ 10. Segundo Synésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), de 2002 a 2005, as exportações chinesas de brinquedos para o Brasil cresceram em média 163% e, em alguns casos, como o de brinquedos com enchimento, avançaram 1.893%.