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Economia

D�vida e PIB adiam grau de investimento

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| CLÁUDIA TREVISAN Folha Online O Brasil tem pouco mais de 20% de chance de atingir o desejado grau de investimento nos próximos cinco anos, considerando as estatísticas de ?promoção? de países pela Standard & Poor?s, uma das maiores agências de classificação de risco do mundo. Mas a possibilidade de subir só um degrau na escala de ?notas? passou a ser de 75% neste mês, depois que a agência mudou de ?neutra? para ?positiva? a perspectiva da classificação do País. Nesse caso, a alteração da nota leva em média um ano e três meses. Se essa mudança ocorrer, o Brasil ainda ficará a dois passos do grau de investimento, patamar no qual o País é considerado um bom devedor e, por isso, é capaz de captar dinheiro no mercado a taxas mais baixas e prazos mais longos. Conseguir o grau de investimento é um dos principais objetivos do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. As chances do Brasil foram apresentados semana passada em São Paulo por David Beers, diretor global de Ratings de Finanças Públicas e Ratings Soberanos da Standard & Poor?s. A uma platéia de empresários e economistas, Beers disse que a situação do Brasil nunca foi tão favorável para a obtenção do grau de investimento, mas que uma série de fragilidades faz com que a mudança não seja tão rápida quanto deseja o governo. Beers mostrou que a situação do Brasil em uma série de indicadores é pior que a de países que têm grau de investimento: o tamanho da dívida em relação ao PIB é maior, o volume de exportações em relação ao PIB é menor, e a taxa de crescimento, mais baixa. Esses índices apontam para o peso da dívida e a capacidade de o governo gerar receitas para pagar seus compromissos ? em moeda estrangeira, com as exportações, e nacional, com o crescimento e maior arrecadação. Os fatores positivos são as políticas fiscal, monetária e cambial consistentes e o amadurecimento das instituições. O ponto em que o Brasil está melhor na comparação com os países que são grau de investimento é no tamanho do superávit primário, que é o dinheiro que o governo economiza para pagar os juros. As dúvidas sobre o futuro, segundo Beers, são três: como o Brasil vai reagir a um cenário internacional menos favorável que o atual, se vai poder crescer mais rapidamente nos próximos cinco anos e se manterá a disciplina fiscal.

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