Economia
PIB tem queda de 1,2% no 3� trimestre
| JANAINA LAGE FOlha Online A economia brasileira teve retração de 1,2% no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior queda em dois anos e meio ? no primeiro trimestre de 2003, caiu 1,3%. O comportamento da economia ficou bem abaixo das expectativas dos analistas que previam cenários de uma leve alta de 0,1% até uma queda de 0,5%. Segundo reportagem publicada ontem pela Folha de S. Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem, quando já tinha conhecimento de que o PIB seria pior que o esperado, que ministros defendessem a política econômica para não fragilizar o ministro Antonio Palocci (Fazenda) em um momento em que ele já vem sofrendo desgaste. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, houve expansão de 1% no Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no país. No acumulado dos nove primeiros meses de 2005, a alta é de 2,6%. O resultado mais fraco do ano já era previsto desde o primeiro semestre. Juros em alta, taxa de câmbio desfavorável aos exportadores e concentração dos efeitos da crise política do governo Lula foram alguns dos fatores citados por economistas para justificar a expectativa por um resultado inferior ao dos demais trimestres do ano. Sob a ótica da produção, o fraco desempenho do PIB foi motivado pelo comportamento da indústria e da agropecuária. Sob a ótica da demanda, os investimentos contribuíram para a taxa negativa. ?Tivemos uma surpresa no terceiro trimestre com a forte queda da confiança do consumidor intensificada pela crise política, o que levou a uma estabilidade das vendas no comércio e a uma redução da produção industrial?, afirmou Guilherme Maia, da consultoria Tendências. A expectativa por um desempenho mais fraco ganhou fôlego após a divulgação dos resultados da indústria, que foi o motor do crescimento da economia no segundo trimestre, quando houve expansão do PIB de 1,1%. A produção industrial apresentou o pior desempenho do ano no terceiro trimestre. Segundo dados do IBGE, houve queda de 2,1% em julho, alta de 0,9% em agosto e queda de 2% em setembro. Embora existam diferenças entre a medição do comportamento da indústria na produção industrial e no PIB, os resultados já indicavam que a expansão do segundo trimestre não se repetiria. A percepção de que a economia não deverá atingir o patamar de crescimento de 3,4% no ano ? essa é a previsão do Banco Central ? levou analistas a revisarem para baixo suas projeções. Segundo o boletim Focus, organizado pelo Banco Central, a previsão média de crescimento de mais de cem instituições financeiras alcança 3%. Segundo cálculos do IBGE, para alcançar um patamar de crescimento de 3% no ano, a economia brasileira precisa crescer 4,3% no último trimestre na comparação com igual período do ano passado. Um crescimento mais modesto, da ordem de 2,8% no ano, seria atingido com uma expansão do PIB no quarto trimestre de 3,5% em relação a igual período de 2004. De acordo com os dados do PIB, a indústria brasileira teve queda de 1,2% no terceiro trimestre, após registrar expansão de 1,4% no segundo trimestre. A análise sob a ótica da produção mostra ainda que a agropecuária registrou queda de 3,4% e os serviços tiveram resultado estável. A agropecuária foi afetada pela queda de 2,6% na safra de laranja, pelo recuo de 11% na safra de trigo e de 11,8% na safra de café. Segundo o IBGE, o único produto que tem safra no terceiro trimestre com desempenho positivo foi a cana-de-açúcar. Além disso, a pecuária apresentou desempenho favorável e ainda não foi afetada nas contas nacionais pelo problema da aftosa. ### Haverá recuperação no 4º trimestre Depois de um ensaio de recuperação, os investimentos voltaram a cair no período julho-setembro, com uma retração de 0,9%, contra alta de 4,7% no segundo trimestre. Segundo o IBGE, a queda foi motivada pelo recuo em máquinas e equipamentos e na construção civil, responsável por cerca de 60% dos investimentos. Segundo analistas, as incertezas políticas também afetaram na disposição de investir no empresariado. A análise do PIB sob a ótica da demanda mostra que o consumo das famílias se manteve em alta no terceiro trimestre, com uma taxa de 0,8%. Analistas destacam a expansão do crédito como um dos aspectos positivos do período julho-setembro. Apesar do resultado negativo, há uma expectativa generalizada de recuperação da economia no quarto trimestre. Esse movimento deve se restringir aos meses de novembro e dezembro. ?Renda, crédito, retomada da confiança, vendas no comércio e juros em queda vão sustentar a recuperação no quarto trimestre?, afirmou Maia, da Tendências Consultoria, que aposta em crescimento de 2,8% no ano, abaixo do patamar previsto pelo BC.|JL