loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Principal dificuldade � a comercializa��o

Ouvir
Compartilhar

| REGINA CARVALHO Repórter A mudança de associação para cooperativa é o sonho de muitas artesãs alagoanas. Uma das associações, fundada há três anos em Porto Real do Colégio, deu o pontapé inicial nesse sonho. Maria Lúcia Cravo, presidente da associação de artesãs do município, diz que está providenciando a documentação para que seu grupo se torne, enfim, uma cooperativa. ?Esse é um sonho nosso. Estamos engatinhando. Vamos abrir conta bancária e, enfim, tentar ver se com a cooperativa as vendas aumentam?, disse. As 22 artesãs que compõem a associação de Porto Real do Colégio fazem e comercializam o rendedê, a partir do ponto de cruz. Segundo a presidente, quase metade da população do município faz artesanato. ?A produção é vendida no Armazém Sebrae. Algumas vezes vendemos para turistas. Mas é pouco. Mão- de-obra nós temos, agora vamos nos tornar cooperativa para melhorar nossa situação?, ressaltou Maria Lúcia Cravo, professora aposentada. Como ela, outras artesãs da associação se dedicam exclusivamente ao ofício. As peças produzidas são na maioria jogo americano (bandeja), guardanapo e panos de uso doméstico. ?A maioria das pessoas daqui vive do artesanato?, lembrou Maria Lúcia. A aposentada Edla Santos Silva, vice-presidente da associação, ressalta que cada associada recebe uma cota de produção. Se forem peças pequenas, o grupo produz em média 250 por mês. Com muitas dificuldades ainda a serem superadas para manter viva a associação, que no início contava com 62 artesãs, a direção da entidade espera por dias melhores depois que se tornarem efetivamente membros de uma cooperativa. ?A situação econômica da nossa cidade é difícil. Nosso município é muito pobre. A gente não tem a quem vender. Mandamos para o Armazém Sebrae, mas é apenas por consignação?, lembra Edla Santos Silva. Em meio aos problemas inerentes para quem trabalha com artesanato em Alagoas, a vice-presidente conta com entusiasmo algumas vitórias. ?Essa semana recebemos a visita de uma brasileira, naturalizada francesa, que gostou muito do nosso trabalho. Ela comprou algumas peças e disse que ia nos ajudar?, comemora a aposentada. Em nenhum momento as máquinas são recursos utilizados por elas, o trabalho é demorado e feito todo à mão. Os objetos produzidos pelas artesãs de Porto Real do Colégio são levados para casa, já que a sede da associação é considerada um local inseguro para guardar a produção. Cada artesã da associação consegue uma renda mensal menor que R$ 80. ?Para fazer um pano de bandeja um artesão leva três dias para bordar e cerca de seis horas diárias de trabalho?, lembrou a vice-presidente. Essa mesma peça custa apenas R$ 4. No grupo, em que predominam mulheres, uma situação rara: um homem também borda e faz parte da associação. ?Ele também é aposentado. Era funcionário dos Correios. O trabalho dele é muito bom?, destaca Edla Santos. Assim como a cooperativa da Ilha do Ferro, em Pão de Açúcar, as artesãs de Porto Real do Colégio também compram o produto fora do Estado, em Sergipe, por causa do preço. ?A linha é comprada em Aracaju, porque o preço é melhor, e o tecido em Propriá?, ressaltou a associada. ### Exportação ainda é reduzida, diz Sebrae Rita Gonçalves, gerente do programa de artesanato do Sebrae, lembra que existe em Alagoas por volta de 17 associações apoiadas pelo Sebrae e apenas uma cooperativa, a de Pão de Açúcar. Entretanto, ela admite que há mais do dobro de associações no Estado que não são apoiadas pelo órgão. ?Muitas delas não são acompanhadas pelo Sebrae, que não tem condições de apoiar todo tipo de artesanato?, ressaltou. A gerente do programa de artesanato enfatiza que não ?vê o artesanato de Alagoas pronto para exportação?. Segundo ela, a produção ainda é considerada pequena e não está devidamente organizada. ?O mercado externo é muito exigente?, resumiu. Ela lembra que hotéis, bares e restaurantes do Estado deveriam ter o artesanato alagoano. As exportações ainda são muito esporádicas, não contam?, destacou a gerente. Sobre a mudança de associação para cooperativa, Rita Gonçalves lembra que se tornar uma cooperativa é uma decisão do próprio grupo. ?Incentivamos para o trabalho associativo?, completou. Nadjane Nunes da Silva participa da cooperativa desde que foi fundada. Nascida em Pão de Açúcar, ela ajuda no sustento de casa com os bordados ?boa-noite?. ?Desde pequena eu bordo. Aprendi com a minha mãe. Todo mundo aqui aprendeu com algum parente?, relatou. Quatro dos sete filhos da artesã já aprenderam a bordar. ?O segredo é ter paciência?, lembra a bordadeira. Uma das mais jovens do grupo é Daiana Bezerra de Oliveira. Com apenas 16 anos, ela já borda há três. ?Eu já bordava em casa e resolvi entrar para a cooperativa. Prestava atenção na minha mãe e na minha irmã bordando?, conta. Extrovertida, Gilvânia Cristina Dias, 43 anos, é uma das artesãs que mais gostam de conversar durante o trabalho na cooperativa, de terça-feira a sábado, das 13 às 17 horas. ?Enquanto a gente borda, a conversa rola solta.Tem conversa que nem homem, nem criança pode ouvir?, diz ela entre risos, compartilhados com todas do grupo. Com muitos anos de experiência, Gilvânia fala que é fundamental paciência e cuidado para não desfiar. O marido também é artesão, faz esculturas em madeira. ?A minha família vive do artesanato. É muito difícil, mas todos gostam?, relata a artesã. |RC

Relacionadas