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Artesanato busca consolidar mercado

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| REGINA CARVALHO Repórter Mãos em ritmo frenético e olhos atentos. É com paciência e dedicação que trabalham as 43 artesãs da cooperativa Art-ilha, localizada no povoado Ilha do Ferro, distante 12 km do centro da cidade de Pão de Açúcar, sertão alagoano. Essa cooperativa, fundada em 1998, e que envolve exclusivamente mulheres, é referência de organização, de bons resultados e de trabalho primoroso. O acesso ao pequeno e aconchegante povoado Ilha do Ferro é feito por estrada de barro, onde a paisagem que prevalece é quase sempre a mesma: gado magro e vegetação seca. Vivem nesse celeiro de artesãos, que trabalham com bordados e esculturas em madeira, aproximadamente 600 habitantes. A cooperativa fica às margens do Rio São Francisco, paisagem privilegiada, motivo que impulsiona a exuberância do trabalho e é fonte de inspiração para as bordadeiras que correspondem a mais da metade da população local. As peças produzidas por elas são feitas a partir de encomenda, a maioria delas de uma clientela fiel do Rio de Janeiro e de São Paulo. ?O mês de novembro foi muito bom para a gente. Fizemos duas mil peças e para dezembro temos mais encomendas, cerca de 100, para mandar para São Paulo?, destacou a presidente da cooperativa Art-ilha, Poliana Lima Gomes. As principais peças encomendadas, segundo ela, são jogos americanos, que as artesãs chamam de bandeja, guardanapos, toalhas e sachês. Alguns desses objetos levam meses para serem feitos, exigem tempo, paciência e cuidado. ?O mais trabalhoso é o jogo de lençol. Se for uma pessoa só leva por volta de 2 meses ou mais para fazer?, lembrou a presidente, que aprendeu a bordar quando tinha apenas 7 anos. Como ela, a maioria das artesãs descobriu o ofício muito cedo. ?Aprendi olhando minha mãe fazendo. Essa é uma tradição aqui. Quase todo mundo sabe bordar?, acrescentou Poliana. O bordado feito pelas artesãs da Ilha do Ferro é único. Foi desenvolvido tendo como referência uma florzinha típica da região, conhecida como ?boa-noite?. ?O boa-noite está presente em quase todas as peças?, destaca. Ela conta o segredo da costura: ?me perguntam e eu digo que é no desfiar do tecido?, completa a presidente. Os tecidos para fazer as peças são comprados direto da fábrica, em São Paulo. A opção pela compra nesse Estado deve-se ao preço do produto. ?Um metro de linho em São Paulo custa R$ 25 e em Pão de Açúcar é R$ 60. Aqui é muito caro, o jeito é trazer de fora. Da mesma forma fazemos com as linhas, que também são compradas em outros estados?, lembra a presidente da cooperativa Art-Ilha. As peças produzidas são comercializadas em exposições e no Armazém Sebrae, no bairro de Jaragúa, em Maceió. O valor arrecadado com a venda é dividido com as artesãs e parte fica na cooperativa. Um exemplo dessas peças é o jogo americano, uma das mais requisitadas, que custa R$ 18. Desse valor, R$ 12 fica com a artesã e o restante vai para a cooperativa. A consultora do Sebrae Ana Lúcia Torres esclarece que para se tornar cooperativa o grupo deve ter no mínimo 20 pessoas físicas. ?Associação não tem poder de comercialização, já a cooperativa é mais elaborada e profissionalizada?, declarou a consultora. Ela reforça que em Alagoas existem quatro cooperativas de artesanato. A que mais se destaca é a da Ilha do Ferro. ?Ela se destaca pelo sucesso. Elas (as artesãs) começaram do nada, embora ainda não tenham uma renda tão boa?, ressaltou Ana Lúcia. A presidente da Artilha confirma que, apesar do reconhecimento do trabalho, as artesãs ganham ainda muito pouco. De acordo com ela, quando aumenta o número de encomendas, cada bordadeira ganha em média R$ 150. ?Desde setembro estamos fazendo apenas por encomenda. Infelizmente ainda ganhamos pouco?, acrescenta Poliana Gomes.

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