Economia
Microcr�dito cresce 50% em Alagoas
| PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia O CrediAmigo, linha de microcrédito do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), atingiu os R$ 2 bilhões em desembolsos em novembro deste ano. Os valores são relativos ao acumulado desde 1998, ano de criação do crédito voltado aos micro e pequenos empresários nordestinos, mineiros e capixabas. Em Alagoas, em valores acumulados superam os R$ 126 milhões e só nos últimos três anos registra incremento de cerca de 50% no volume financeiro emprestado. No Estado, no período entre 1998 e 2002, foram registradas 59 mil operações de crédito com repasses de R$ 48,9 milhões. De 2003 até outubro deste ano houve um salto. No total, o banco já soma 85,9 mil operações, somando R$ 77,7 milhões em repasses. ?Esperamos um incremento de mais 50% até o fim do ano?, diz Carlos Antônio Campos Silva, gerente regional do CrediAmigo em Alagoas. Segundo o executivo do BNB, esse aumento no volume de empréstimos é esperado em função do final de ano que é quando boa parte dos clientes investem na compra de mercadorias e matéria-prima para atender a demanda aquecida das festas natalinas. ?Além disso, estamos otimistas em relação a 2006. Acreditamos que os valores desembolsados devem crescer cerca de 40%?, afirma Campos Silva. ?Temos novas estratégias que visam expandir o número de clientes e desembolsos daqui para frente?, explica. E que ninguém duvide do fôlego do Banco do Nordeste. Considerando seu ritmo de crescimento nos últimos três anos, o banco tem tudo para ser bem-sucedido na empreitada. Em 2003, só em Alagoas o BNB repassou R$ 21,3 milhões aos pequenos empresários do Estado. No ano seguinte, foram R$ 27,8 milhões. Este ano, os valores já superam os do ano passado totalizando R$ 28,6 milhões. Esse aumento, segundo Carlos Antônio Campos Silva, se deve ao aumento da rede de atendimento do banco que conta com nove unidades de negócios que cobrem todos os municípios do Estado. ?Ano que vem abriremos mais dois postos de atendimento: um em Cajueiro e outro em Maragogi?, conta. ?Além disso, estamos inovando e devemos realizar pequenos empréstimos, a partir do ano que vem para pessoas que desejam abrir seu primeiro micronegócio?, adianta. De acordo com Campos Silva, uma nova metodologia já está sendo testada em Fortaleza com grupos solidários com pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. ?Elas fazem parte de um grupo com outros micro e pequenos empreendedores que balizam os empréstimos iniciais?, explica. Ano que vem Alagoas será também será incluído no programa. ### BNB terá correspondentes bancários Outra novidade, segundo Carlos Antônio Campos Silva, está no fechamento de convênios com correspondentes bancários ? que entrará em vigor no ano que vem ? visando ampliar a rede de atendimento dos clientes do CrediAmigo. Esses clientes, inclusive, passaram a contar com uma conta corrente no Banco do Nordeste este ano para poder fazer suas movimentações financeiras. Esta conta é imediatamente aberta no momento em que é realizada a primeira operação de crédito na instituição bancária. ?Clientes com movimentação de até R$ 2 mil por trimestre tem isenção de tarifas?, ressalta. O Banco do Nordeste conta atualmente com 67 agentes de crédito no Estado de Alagoas e registra 1% de índice de inadimplência no Estado. ?Essa taxa já foi mais baixa, de 0,5%?, diz Campos Silva. Na sua opnião, o leve aumento na inadimplência se deve à expansão de outras linhas de crédito popular, com juros baixos, que acabou deixando os micro e pequenos empreendedores alagoanos com nível de endividamento acima de suas capacidades de pagamento. ?Por isso, não autorizamos operações de crédito para que ainda está saldando empréstimos em outras praças?, conta, mencionando que o BNB sempre pondera sobre a capacidade de pagamento de seus clientes. Perfil Na carteira ativa do Banco do Nordeste constam hoje 11.742 clientes (até outubro). Confirmando a tradição mundial do microcrédito, 61,24% dos clientes atendidos pelo CrediAmigo são mulheres, contra 38,76% formados pelo público masculino. Mais da metade dos clientes, 54% deles, têm até o ensino fundamental incompleto de instrução e apenas 2% têm o nível superior completo. Considerável contingente destes empreendedores fazem parte do setor informal da economia. Entre os setores financiados pelo CrediAmigo em Alagoas, 92% dos empreendimentos estão relacionados com o Comércio, 5% ao segmento de Serviços e 3% à Indústria. Entre as atividades, a predominante no Estado é o ramo das confecções, 47% delas. Em seguida vem a comercialização de cereiais (22%), alimentos e bebidas (18%), animais (6%) e os salões de beleza (7%). A grande maioria dos clientes do CrediAmigo (42%) tem idade entre 36 e 50 anos. Empresários maduros, com mais de 50 anos, correspondem a 30% do contingente geral. ?São pessoas que encontraram dificuldades de se enquadrar no mercado formal de trabalho e resolveram partir para o seu próprio negócio?, analisa Campos Silva. A renda familiar de 30% dos clientes chega até R$ 600 mensais. Outros 28% apresentam renda entre R$ 600 e R$ 1 mil. Entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil formam um contingente de 18%, enquanto os com rendimentos de 1,5 mil a 5 mil correspondem a 24% dos clientes.|PM ### Banco quer ampliar acesso ao crédito O CrediAmigo oferecerá no ano que vem aos seus clientes poupança, seguro de vida e auxílio funerário. É o que garante Stélio Gama Lyra, superintendente de Microfinanças e Projetos Especiais do Banco do Nordeste, em Fortaleza. Segundo o executivo, o crescimento observado no CrediAmigo em Alagoas e nos outros estados onde o banco atua, de cerca de 50% nestes últimos três anos, se deve a uma forte orientação do governo federal para a massificação da política do microcrédito. ?De 2003 para cá reduzimos a taxa de juros para 2% e facilitamos o acesso ao crédito graças à formação de grupos solidários para captação de empréstimos. Daqui para frente queremos oferecer novos produtos e facilitar também a aquisição de equipamento pela linha de crédito?, afirma. ?Outro aspecto relevante é que estamos ampliando o controle de representantes dos grupo sobre a definição dos valores, os repasses para cada membro que dele faz parte e até concedendo crédito para pessoas com pequenas restrições cadastrais ? desde que o grupo balizem estes empréstimos?, ressalta. No caso dos empréstimos concedidos aqueles que ainda não têm negócios constituídos, Lyra, reforça que os repasses iniciais são pequenos, de R$ 100, e são concedidos a 30% das pessoas que fazem parte de um grupo solidário. ?Com essa experiência pretendemos atingir a base mais baixa da pirâmide que, até então, o banco não vinha atingindo?, conta. Até o fim do ano, Stélio Gama Lyra, acredita que o Banco do Nordeste deve encerrar em R$ 2,1 bilhões o volume financeiros de empréstimos no Nordeste, Espírito Santo e Minas Gerais. Ano passado, a instituição financeira totalizou R$ 440,9 milhões em empréstimos e 507,8 mil operações de crédito. A carteira ativa do BNB, até outubro deste ano, contava com 189 mil clientes. |PM