Economia
Alagoas avan�a para com�rcio exterior
CARLA SERQUEIRA Repórter A partir da próxima terça-feira, dia 6, as micro e pequenas empresas de Alagoas estarão mais próximas do mercado exterior. No auditório da Federação das Indústrias de Alagoas (Fiea), às 15h, será lançado no Estado o projeto Primeira Exportação. Dezesseis empresários vão assinar o termo de adesão ao programa que tem como parceiros o governo do Estado de Alagoas, Fiea, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os bancos do Brasil e Nordeste, Correios, Infraero, Faculdade de Alagoas (FAL) e o Porto de Maceió. O projeto é uma parceria do governo federal com o Estado e tem como objetivo difundir informações sobre o comércio exterior nas pequenas empresas brasileiras. Em Alagoas serão contempladas no primeiro ano 12 empresas do interior e 4 da capital, de vários segmentos, desde o comércio de biscoitos ao comércio de móveis e esquadrias. Segundo o secretário executivo de Indústria, Comércio e Serviços de Alagoas, Alberto Cabús, o principal objetivo é diversificar a pauta de exportações. ?Mais que aumentar a nossa participação na balança comercial brasileira, queremos multiplicar o número de empresas competindo em outros países?, explica, ao divulgar que Alagoas deve fechar este ano superando a meta de 500 milhões de dólares em exportações. ?Os segmentos de cimento e produtos químicos praticamente dobraram suas vendas no comércio externo?, diz ele. De janeiro até outubro deste ano, Alagoas registrou 30% de acréscimo no volume de exportações comparado com o mesmo período de 2004. Para o secretário Alberto Cabús, o número pode ser ainda maior no ano que vem. ?Exportar não é difícil?, acredita, ?basta informar as empresas sobre as exigências do mercado internacional para que elas possam se preparar?, explica, garantindo que há demanda de consumidores em outros países para a produção alagoana. De acordo em ele, a empresa alagoana Viver de Arte foi premiada este ano pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior por ter superado metas de exportações. ?Nosso desafio não é apenas infiltrar pequenas empresas de Alagoas no mercado internacional, mas principalmente, mantê-las competitivas no mercado de outros países?, afirma Alberto Cabús. Só de inhame, segundo o coordenador do Comércio Exterior do Sebrae, Elígius Thoen, a França quer comprar de Alagoas 36 toneladas por semana. ?É fundamental que os produtores se organizem para dar conta da demanda?, diz ele, dando o exemplo do segmento de flores tropicais. ?Em 2001, a exportação de flores tropicais não rendia mais de U$S 2 mil. Este ano a expectativa do setor é superar a marca dos U$S 80 mil?. Clarinda Emília coordena a produção de flores tropicais em Viçosa. São 14 associadas. ?Sabemos que existe mercado, o negócio é produzir e saber vender?, frisa a empresária. ### Alunos são capacitados para atuar nas empresas O projeto Primeira Exportação tem como meta capacitar as micro e pequenas empresas participantes para cumprir as exigências do mercado internacional. Para isso, vinte estudantes do curso de Comércio Exterior da Faculdade de Alagoas (FAL) foram preparados pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para orientar os empresários e produzir com eles um plano de produção direcionado a vendas em outros países. Uma série de requisitos precisam ser observados pelas pequenas empresas para ter espaço nos Estados Unidos e em países da Europa e Ásia, principalmente. Segundo o coordenador do curso Alexandre Lima, a falta de profissionais na área de mercado internacional em Alagoas é um dos fatores que justificam o despreparo destas empresas. ?Com a colaboração dos alunos, as empresas terão maior noção de como devem agir para conquistar mercado lá fora?, diz ele. O Curso de Comércio Exterior chegou em Alagoas há poucos anos. Na FAL, três turmas de profissionais foram formadas, mas o número de concluintes é sempre baixo. ?Muitos desistem por imaginar que não existe mercado, outros não se identificam mesmo?, observa o coordenador. De 50 alunos matriculados todos os anos, na primeira turma, formada em 2001, apenas 13 concluíram o curso; na segunda, somente 9; e, na terceira, 22. A coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior da Federação da Indústria de Alagoas (Fiea), Cristine Ramires, explica que os alunos da FAL foram capacitados durante uma semana para atuar como agentes dentro das empresas, fornecendo informações. ?Os estudantes serão orientados pelo comitê gestor formado por membros do Sebrae, governo, Fiea e da própria FAL, e devem, no prazo de um ano, remeter um relatório com estratégias de comercialização dos produtos?, diz, ao detalhar que ?o comitê será responsável por gerenciar o projeto enquanto os agentes por operacionalizar as ações?. CS ### Projeto prevê a troca de experiência Ele tem 21 anos e está concluindo este ano o 7º período do curso Comércio Exterior. ?Para nós, estudantes, será uma forma de aprofundar ainda mais o que aprendemos em sala de aula?, comenta, ao falar do desafio de preparar pequenas empresas para o mercado em países do primeiro mundo. ?A gente observa que a maior dificuldade dos empresários é lidar com a parte burocrática que engloba a legislação, a leitura de documentos, de termos. E é exatamente esta lacuna que vamos preencher?. Para Gabriel, o projeto vai lhe dá uma experiência importante. ?Vamos estar planejando, com os donos das empresas, formas de lidar com o câmbio, de aplicar os dólares, além de desenvolver melhor outros idiomas durante possíveis negociações?, explica. Raphael Bezerra também está ansioso para iniciar os trabalhos em uma das empresas contempladas no projeto. ?Muita gente não tem idéia do tamanho do mercado que está reservado para os profissionais de Comércio Exterior em Alagoas. O que nos falta é a cultura de exportações e não produtos. Tem amigos meus que acham que Alagoas só tem açúcar para exportar, mas não é verdade. Temos muitos produtos de boa qualidade?, diz ele, que tem 20 anos, e está concluindo o 5° período do curso Comércio Exterior na FAL. O projeto Primeira Exportação, para Raphael, será o começo de uma nova fase de exportações no Estado. ?Até hoje, as negociações das micro e pequenas empresas em Alagoas têm sido feitas de forma mais amadora que profissional. A Europa tem grande simpatia pelo Brasil. Os gringos gostam da nossa cultura e a gente precisa aproveitar mais isso?, defende. |CS ### Produtos autênticos favorecem Alagoas Foi sem pretensões que a educadora Auzenir Santos deu início a sua produção de bolsas. Em casa, no bairro da Jatiúca, com a irmã Zenir Moraes, ela começou a exercitar a criatividade usando a chita como matéria-prima para a confecção das primeiras peças. ?A chita?, conta ela, ?nos faz lembrar muito da nossa infância na Bahia. Era com este tipo de tecido que fazíamos roupas para as nossas bonecas?, lembra Auzenir, ao explicar que, até agosto do ano passado, produzia bolsas para uso próprio. ?Por onde eu ia com a bolsa, as pessoas comentavam, queriam comprar, pediam para eu fazer outras?, conta. ?Comecei a vender algumas e o negócio cresceu tanto que tive que deixar meu emprego para me dedicar à produção?. Auzenir e a irmã resolveram abrir a empresa Flor de Chita que na próxima semana, num evento de moda programado para ocorrer no Teatro Deodoro, vai vestir a apresentadora global Grazy, ex-participante do programa Big Brother Brasil 5. ?Temos peças ainda na Alemanha, Inglaterra, Itália, Argentina. Ainda não estamos comercializando, mas há uma procura?, afirma. Hoje, a pequena fábrica de Auzenir possui quatro funcionários diretos e mais quatro indiretos, entre bordadeiras e costureiras. ?De bolsas passamos a confeccionar roupas, além de acessórios. Atualmente produzimos desde bata de praia a vestidos longos para festas à noite?. Para ela, a oportunidade de participar do projeto Primeira Exportação é como um sonho que começa a ser realizado. ?Quando o nosso negócio começou a dar certo por aqui, ficamos imaginando as possibilidades lá fora. A Alemanha, especialmente, gosta muito da chita, do colorido que ela traz?, conta a empresária ao falar da satisfação de participar do projeto. ?É um grande incentivo para nós. Nossa dificuldade é lidar com a burocracia e contar com alunos da área será fundamental?. De acordo com Edmundo Accioly, diretor de Desenvolvimento e Promoção da Secretaria Executiva de Indústria, Comércio e Serviços de Alagoas, a escolha das 16 pequenas empresas foi feita com base na originalidade dos produtos, consolidação das mesmas em mercados internos e o interesse que demonstrou durante as capacitações oferecidas este ano em parceria com o Sebrae. ?As empresas participantes precisam estar atentas para a qualidade de suas produções, desde a embalagem ao acabamento de cada peça. Por isso procuramos beneficiar empresas que já tinham o pé no chão com relação a estes critérios?. Cristine Ramires, coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Alagoas (Fiea), afirma que o objetivo principal do projeto é diversificar a pauta de exportações. ?O açúcar é responsável por 90% das exportações no Estado. As pequenas empresas não representam sequer 1%. Queremos mudar isso, mas será a médio e longo prazos?, avisa. CS ### Esquadrias do agreste de AL têm mercado na Europa Das 16 micro e pequenas empresas que foram incluídas no projeto Primeira Exportação quatro são de Arapiraca, entre elas, a Amazônia Esquadrias. Há três anos atuando no mercado, ela tem como diferencial trabalhar com madeira maciça e, principalmente, com madeira de reflorestamento, como as extraídas de eucaliptos. Segundo Egberto Pedro da Silva, um dos sócios da empresa, a Europa oferece um bom mercado para o produto que confecciona. ?Lá eles têm uma consciência mais apurada para as questões ecológicas. Os europeus só compram esquadrias e móveis se a madeira usada na produção for de reflorestamento?, afirma. A empresa, desde a fundação, estabeleceu a meta de a cada ano conquistar mercado em estados diferentes do Brasil. Ano passado, eles consolidaram vendas em Sergipe e, este ano, em Pernambuco. ?O mercado internacional tem muito espaço para a gente; tive a oportunidade de viajar para a Europa há alguns meses e pude constatar isso. O que nos falta é melhorar a tecnologia?, revela o empresário. A empresa já começou a investir em novos equipamentos. ?Nossa necessidade é garantir maior precisão no corte de cada peça. Com isso, vamos agregar mais qualidade aos nossos produtos?, diz, ao revelar que emprega 33 pessoas e produz por mês 1.500 metros cúbicos de esquadrias por mês em Arapiraca. ?Temos a consciência que só iremos crescer conquistando novos mercados e, para isso, é essencial melhorar a produção?. |CS