Economia
D�lar cai, mesmo com a��o do BC
| PAULA DIAS Globo Online O EMBI+ Brasil, indicador calculado pelo JP Morgan que mede o risco-país brasileiro, fechou em queda de 7 pontos ontem, aos 316 pontos centesimais. Esse é o mais novo piso histórico do indicador, criado em abril de 1994. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conquistou novo patamar de pontos e bateu outro recorde histórico ontem, patrocinado pelos investidores estrangeiros. O Índice Bovespa fechou com 33.233 pontos, alta de 1,60%. O volume financeiro total foi de R$ 2,525 bilhões, considerado excelente. E mesmo com a presença firme do Banco Central na ponta de compra, o dólar fechou em queda pelo terceiro dia consecutivo. A moeda americana cedeu mais 0,91% e fechou valendo R$ 2,175 na compra e R$ 2,177 na venda. ?A questão central por trás da queda do dólar são os altos juros reais praticados no País. Todo o resto é perfumaria, acessórios?, disse Hélio Ozaki, diretor de câmbio do Banco Rendimento. Ele garante que, não fossem as compras diárias de dólares do Banco Central, a cotação da moeda americana ontem já estaria abaixo dos R$ 2,00. Calcula-se que o BC já comprou, somente no mercado à vista, mais de US$ 8 bilhões desde o início de outubro. As compras vêm aumentando de ritmo nos últimos dias. Além disso, o BC também reativou os leilões de contratos de swap cambial reverso, que equivalem a compras de dólares no mercado futuro. Nos últimos dias, cerca de US$ 3,5 bilhões foram movimentados em contratos de swap. Juros ?O Brasil se destaca entre os emergentes por ter juros reais elevados e uma crescente credibilidade, refletida pela queda do risco-país. O investidor estrangeiro quer aproveitar essa oportunidade, já que os países desenvolvidos têm taxas próximas de zero ou até mesmo negativas?, diz Ozaki. Embora o Banco Central negue, continuam as especulações em torno da possibilidade de os juros passarem a cair com mais força, como forma de compensar a queda de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo operadores, o investidor estrangeiro também traz recursos ao país para aproveitar uma espécie de ?fim de festa?, já que a tendência seria a redução maior da taxa Selic. A queda do risco-país, em última análise, significa que aumentou a confiança dos investidores estrangeiros no Brasil. O indicador reflete o desempenho dos juros pagos por uma cesta de títulos da dívida externa, em comparação com as taxas dos papéis americanos, considerados os mais seguros do mundo. Quanto menores os juros pagos pela cesta de títulos, menor o risco-país. Somente países emergentes têm seu risco-país calculado. O EMBI+ Argentina fechou em 473 pontos centesimais, em queda de 3 pontos. O risco uruguaio ficou em 306 pontos (queda de 3 pontos) e o mexicano, em 91 (alta de 3).