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Economia

Economia do Chile se tornou resistente

| VINICIUS ALBUQUERQUE Folha Online A política fiscal do Chile tornou a economia do País mais resistente aos choques econômicos ocorridos nos anos 90, que atingiram as economias do México (em 1994 e 1995), da Rússia (em 1998, que chegou a afetar o Brasi

Por | Edição do dia 11/12/2005 - Matéria atualizada em 11/12/2005 às 00h00

| VINICIUS ALBUQUERQUE Folha Online A política fiscal do Chile tornou a economia do País mais resistente aos choques econômicos ocorridos nos anos 90, que atingiram as economias do México (em 1994 e 1995), da Rússia (em 1998, que chegou a afetar o Brasil) e a crise da Argentina (em 2001 e 2002), segundo o estudo Economic Surveys, da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), publicado em novembro. A política monetária do país também pode ser gradualmente afrouxada, com a inflação convergindo para a banda de 2% a 4%, estipulada pelo governo. Durante a “era dourada”, a economia chilena registrou um crescimento médio de 7% ao ano, com a renda per capita praticamente dobrando no período. A tendência chilena contrasta com a latino-americana em geral, de estagnação econômica na maior parte dos anos 80. Hoje, a renda per capita chilena (considerada a paridade com o poder de compra) está em cerca de 40% da média dos países da OCDE e pouco abaixo de 30% em relação à dos EUA. A economia chilena conseguiu se recuperar do período de desaquecimento econômico que viveu entre 1998 e 2003. O Produto Interno Bruto (PIB), soma de toda a riqueza produzida por um país, apresentou crescimento acima de 6% em 2004, apoiado em um crescimento do consumo e, em particular, dos investimentos. A razão investimento/PIB cresceu cerca de 25% em 2004, maior nível desde 1998 e muito acima da média registrada na chamada “era dourada” da economia chilena, entre 1985 e 1997 (com destaque para o período já nos anos 90, com o governo democrático de Patricio Aylwin), diz o documento. “Um ambiente externo favorável, em conjunto com políticas macroeconômicas sólidas, também ajudou”, diz a OCDE no estudo, que chama a atenção ainda para a alta nos preços do cobre no mercado mundial (o Chile tem algumas das maiores jazidas de cobre do mundo), o bom saldo em conta corrente e o mercado de trabalho, no qual o desemprego vem caindo e os salários estão em alta. No período de 1998 a 2003, o PIB do país foi diminuindo e, em 2004, chegou a 4,3%. Até 2010, a OCDE estima que a economia chilena deva ir crescendo gradualmente, até os 5%. O Chile vem praticando uma política de redução de tarifas e eliminação de barreiras comerciais desde o início dos anos 70, lembra o estudo, razão tida como a principal para o bom desempenho econômico chileno. A pauta de exportações do país, no entanto, carece de diversificação, concentrando-se principalmente nas vendas de cobre. “Com o típico crescimento mais lento da demanda internacional por produtos primários do que por outros bens, a expansão potencial orientada para fora pode, portanto, ser restringida no futuro”, diz a OCDE. O Chile tem tratados de livre-comércio com os EUA e a União Européia e está em estágio avançado de negociações com a China, a Índia e o Japão. “O benefício dos tratados pode ser pequeno, no entanto, uma vez que a economia chilena já é bastante aberta”, acrescenta o estudo.

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