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Pa�ses em desenvolvimento se unem

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| VINICIUS ALBUQUERQUE Folha Online Os países em desenvolvimento reforçaram sua aliança no primeiro dia da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Hong Kong, na tentativa de flexibilizar as posições dos países desenvolvidos sobre liberalização comercial e pacotes de ajuda ligados ao livre comércio. Representantes e ministros de 110 países, membros do G20 (exportadores agrícolas), G33 (querem proteger alguns produtos agrícolas) e G90 (países mais pobres que querem proteger seus agricultores dos exportadores competitivos) se reuniram após a abertura do evento para discutir uma agenda em comum, disse o chefe do Departamento de Agricultura e Produtos de Base do Ministério das Relações Exteriores, Flávio Damico. O encontro foi organizado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. ?A agenda do encontro incluiu tópicos como ajuda para os países menos desenvolvidos, maior flexibilidade para os países pobres que buscam liberalização comercial e compensações para países que perderem acesso preferencial aos mercados dos países ricos?, disse Damico. Os EUA, a União Européia e o Japão acertaram segunda-feira uma oferta de ajuda para os países menos desenvolvidos com fundos para impulsionar a capacidade desses países de aproveitar as oportunidades de um sistema comercial global mais livre. A oferta foi recebida pelos países mais pobres com desconfiança e temor de que não consigam se beneficiar de um mercado liberalizado, segundo Damico. De acordo com ele, o encontro foi uma demonstração de união entre os países pobres e em desenvolvimento. Segundo a porta-voz da delegação indiana em Hong Kong, Shipra Biswas, um outro grupo, com nove países ? incluindo Brasil, Argentina, Índia e África do Sul ? se formou para buscar uma aliança sobre questões ligadas à liberalização do comércio de produtos manufaturados. O grupo foi formado devido à resistência da Europa, que disse que não fará novas propostas para o comércio agrícola (o bloco europeu propôs um corte médio de 46% em suas tarifas sobre importações de produtos agrícolas) até que Brasil, Índia e China, entre outros países, façam aberturas mais significativas nos mercados de produtos industrializados. Manifestação Manifestantes entraram em choque com a polícia de Hong Kong ontem, marcando a reunião da OMC com um sinal que tem se repetido em encontros do órgão: a presença de protestos antiglobalização. Entre os manifestantes que foram às ruas de Hong Kong [que é uma região administrativa especial da China] se destacaram os fazendeiros da Coréia do Sul, que atacaram os policiais com varas de bambu. A polícia respondeu com jatos de gás-pimenta, a poucas quadras do local onde ocorre o encontro ministerial. A manifestação durou cerca de meia hora e acabou logo depois que chegou o reforço policial. Ainda não havia notícias de feridos. Com bandeiras e cartazes contra a OMC, os fazendeiros sul-coreanos protestavam contra a abertura dos mercados em seu País à concorrência internacional, por medo de não serem capazes de competir com os produtores agrícolas estrangeiros. Segundo a imprensa local, havia entre 2.000 e 4.000 manifestantes. O grupo ainda foi composto de agricultores japoneses, indianos, filipinos e brasileiros. Todos defendendo posição semelhante: a competição internacional ? que se daria principalmente entre grandes produtores ? poria em risco seu trabalho e até mesmo a posse de suas terras. Os esquemas de segurança foram preparados pela polícia de Hong Kong meses antes da realização do encontro da OMC, para evitar que se repetisse o ocorrido em outros episódios, como na reunião de Seattle, em 1999, que resultou em prejuízos estimados em cerca de US$ 3 milhões e em cerca de 500 prisões. A reunião da OMC iniciada ontem em Hong Kong tem o objetivo de concluir a Rodada Doha de negociações, lançada em 2001 na cidade de Doha (capital do Qatar) e já um ano atrasada. Em 2003, as negociações estagnaram pelo mesmo motivo que, aparentemente, vai impedir que se chegue a um acordo desta vez: os subsídios e as tarifas agrícolas praticados nos países desenvolvidos. A abertura de mercados agrícolas no Brasil também foi criticada na manifestação. ?No Brasil, milhões de pequenos agricultores foram forçados a deixar a região rural por causa dos mercados abertos?, disse o agricultor brasileiro José Valdir Minerovsk à agência de notícias Associated Press.

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