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Pa�s paga US$ 15,5 bi antecipado ao FMI

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| IVONE PORTES E ANA PAULA RIBEIRO Folha Online O governo brasileiro vai antecipar para o final de 2005 o pagamento de US$ 15,5 bilhões em dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que venceriam até o final de 2007. Segundo a assessoria de imprensa do Banco Central, esse dinheiro será suficiente para pagar todas as dívidas do país com o Fundo. A proposta de antecipação do pagamento foi feita pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central (BC) e aprovada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ?O pré-pagamento ao FMI representa um momento histórico ao País e reflete a melhora significativa dos fundamentos macroeconômicos no período recente como conseqüência das decisões de política econômica tomadas pelo governo?, comemorou o presidente do BC, Henrique Meirelles. O Brasil tem reduzido seu endividamento com o FMI desde novembro de 2003, quando os débitos junto ao organismo atingiram seu ponto máximo: US$ 33,7 bilhões. Segundo comunicado do Ministério da Fazenda, o dinheiro para os pagamento sairá das reservas internacionais do BC, que estavam em US$ 67,062 bilhões ontem. O governo justifica a decisão de antecipar os pagamentos com o ?fortalecimento do setor externo e de outros fundamentos macroeconômicos do Brasil?. Com o superávit comercial de US$ 44 bilhões projetado para este ano, criaram-se as condições para que o BC passasse a comprar volumes maiores de dólar no mercado e fortalecesse as reservas. São esses dólares que agora estão sendo transferidos ao FMI. O ministério informa que o pagamento antecipado ao FMI não altera o bom relacionamento entre o Brasil e a instituição. ?Além disso, o Brasil dará prosseguimento ao diálogo sobre a conveniência de desenvolver mecanismos que fortaleçam a arquitetura financeira mundial e amenizem os impactos de choques sobre a conta de capital das economias abertas?. O BC definirá, nos próximos dias, os detalhes operacionais referentes ao pagamento antecipado, que será efetuado até o fim deste mês. Economia O ministro Antonio Palocci disse que o pagamento antecipado de US$ 15,5 bilhões em dívida com o FMI possibilitará ao País economizar US$ 900 milhões em juros. Segundo ele, a decisão do governo brasileiro de antecipar o pagamento só foi possível devido ao crescimento das reservas internacionais. O dinheiro emprestado do FMI fica nas reservas internacionais do Banco Central e não pode ser usado para investimentos sociais ou em infra-estrutura, por exemplo. Os recursos servem apenas para engordar o colchão de liquidez do governo em caso de uma crise de confiança no mercado, mas o País paga juros ao FMI mesmo que o dinheiro não seja usado. Palocci negou que será necessário um eventual aperto fiscal para sua realização. Segundo o ministro, as condições para adiantar o pagamento da dívida com o FMI foram alcançadas graças ao ?crescimento das reservas e comportamento das contas externas?. ?Nosso saldo comercial é muito forte, tem crescido, então podemos tomar essa atitude?. O ministro afirmou que a medida criará condições favoráveis ao crescimento do País. ?Vamos continuar melhorando o ambiente econômico, garantir condições mais fortes para o crescimento?. ### Dólar sobe após anúncio de pagamento FOLHA ONLINE O dólar voltou a subir após a informação de que o governo brasileiro vai antecipar o pagamento de suas dívidas ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Depois de recuar 0,66% ao longo do dia, a divisa inverteu o movimento no final dos negócios e fechou em alta de 0,26%, vendida a R$ 2,266. Para analistas, esta é apenas uma reação ?pontual? do mercado, pois os bancos já vinham corrigindo suas posições, que ficaram muito ?vendidas? em novembro. ?A notícia [de antecipação ao FMI] cria uma tendência, o que é natural, já que os bancos estavam muito vendidos. Mas não foi tão impactante assim?, avalia Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros. Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy, acrescenta que vários fatores têm influenciado a cotação da moeda norte-americana nos últimos dias, como os rumores de uma reforma na política econômica do País, ajustes de posições no câmbio e as atuações do Banco Central. Vogeler admite, entretanto, que a notícia de antecipação dos pagamentos ao FMI, no primeiro momento, pode gerar no mercado a expectativa de que o BC será mais agressivo em suas atuações. Fim do acordo Desde o início deste ano ficou clara a intenção do governo federal de reduzir sua dependência de recursos do FMI para o pagamento da dívida externa. No dia 28 de março, o Ministério da Fazenda anunciou que o Brasil não iria mais renovar o acordo com o FMI. Desde 1998, o País contava com o socorro do Fundo para enfrentar crises externas e de desconfiança dos credores. Pelos acordos com o FMI, o Brasil se comprometia a fazer superávits primários, um dinheiro economizado para pagar os juros e, com isso, impedir o descontrole do gerenciamento da dívida pública. Apesar de não renovar o acordo, o Brasil manteve a política de forte ajuste fiscal. Nos dez primeiros meses deste ano, o setor público economizou o equivalente a 5,97% do Produto Interno Bruto (PIB) para pagar juros e evitar o crescimento da dívida ? bem acima da meta de 4,25% de 2005. Quanto maior o aperto fiscal, entretanto, menores são os recursos disponíveis para investimentos em geral.

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