Economia
Saldo do emprego volta a ficar negativo
| PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia O saldo do emprego formal em Alagoas voltou a ficar negativo em novembro. De acordo com o levantamento mensal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, mês passado o mercado de trabalho formal de Alagoas registrou 7.072 admissões contra 7.136 demissões, totalizando um saldo negativo formado por 64 trabalhadores desligados. Vale ressaltar que, tradicionalmente, no mês de novembro o Estado costuma apresentar saldos positivos de contratações com carteira assinada, tendo em vista que neste período do ano o número de admissões cresce impulsionado pela alta temporada turística e pela safra de cana-de-açúcar. Ano passado, em novembro, houve 5.785 admissões contra 4.282 demissões e um saldo positivo de 1.503 contratações. Além disso, em outubro, pela primeira vez em 2005, Alagoas conseguiu obter um saldo positivo entre contratações e demissões no acumulado do ano. Até setembro, o mercado formal alagoano ainda registrava saldo negativo de 249 empregos formado por 77.304 profissionais admitidos e 77.553 demitidos. Com esse desempenho, Alagoas era o único Estado brasileiro a apresentar saldo negativo de desemprego no País. Mas, graças às contratações de outubro, o número de admissões subiu para 92.527 e o de demissões para 83.834, deixando o saldo anual no azul de 8.693. De todo modo, no acumulado do ano, o Estado ainda mantém o saldo positivo com 99.599 contratados e 90.970 demitidos. Retração do mercado O desempenho negativo de Alagoas no mês de novembro se deve à retração de várias atividades econômicas. Com exceção da agropecuária e do comércio, todos os outros segmentos mais demitiram do que contrataram. A Construção Civil admitiu 657 trabalhadores, mas demitiu 1.151. O setor de Serviços, do qual fazem parte os hotéis e restaurantes do Estado, contratou 1.336 profissionais e desligou 1.421. A Indústria da Transformação, por sua vez, segmento do qual faz parte as usinas e destilarias alagoanas, registrou 2.589 admissões, contra 3.001 demissões, deixando um saldo negativo de 412 trabalhadores demitidos. Esses números refletem certamente a antecipação do fim da safra de algumas unidades agroindustriais em função da estiagem. Normalmente, o setor sucroalcooleiro começa a dispensar mão-de-obra a partir do mês de janeiro quando o corte da cana começa a perder fôlego. No Nordeste, o Caged registrou saldo positivo geral formado por 125.883 contratações e 107.785 desligamentos. O único Estado nordestino a apresentar saldo negativo foi Alagoas. ### Novembro registra queda de 88,30% FOLHA ONLINE O mês passado apresentou geração de 13.831 novos postos de trabalho formais, o que significa queda de 88,30% em relação as 118.175 vagas criadas em outubro. Esse foi o pior desempenho do emprego com carteira assinada para meses de novembro do governo Lula, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em novembro do ano passado foram criados 79.022 postos e, de 2003, 34.804. Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a desaceleração do terceiro trimestre criou um cenário negativo, o que fez as empresas anteciparem as demissões que seriam realizadas em dezembro e suspender contratações. O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou recuo de 1,2% no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior ? o resultado foi anunciado em novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por essa razão, ele acredita que neste mês o desempenho será melhor do que o registrado em dezembro do ano passado, quando as demissões superaram as contratações em 352 mil. A criação de vagas foi positiva em novembro nos setores de comércio e serviços, 74.505 postos e 42.360, respectivamente. No entanto, houve demissões acima das contratações nos setores de indústria de transformação (44.815), agropecuária (57.088) e construção civil (3.515). No caso da agricultura, a justificativa é a entressafra (cana-de-açúcar e cereais para grãos) principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sul. No acumulado do ano, a criação de empregos formais é de 1,540 milhão, contra 1,875 milhão do mesmo período de 2004. Marinho acredita que a criação de emprego este ano ficará em torno de 1,2 milhão. Em 2006 o resultado de 2004 deverá ser repetido, ou seja, 1,5 milhão de novas vagas.