Economia
PIB de Alagoas pode crescer 5% em 2006
| PATRYCIA MONTEIRO Editora de Economia Alagoas deve registrar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima da média nacional e regional no ano que vem. A previsão otimista é de José Sydrião Alencar, superintendente do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). De acordo com o Executivo, estudos preliminares apontam que o Brasil e o Nordeste devem crescer 4% em 2006, mas o Estado pode apresentar incremento de até 5% impulsionado pelo desempenho agroindustrial do setor sucroalcooleiro e as exportações de álcool. ?Logo no início do ano, a França fechou contrato de compra de 1,3 bilhão de litros de álcool. Essa aquisição vai pressionar o mercado elevando os preços do combustível como do açúcar no mercado internacional?, afirma Alencar. Projeções preliminares da equipe técnica do Etene, publicadas recentemente no site do BNB, mostram que as projeções iniciais de crescimento do PIB da região nordestina sofreram retração no comparativo entre março/abril deste ano, em relação a maio/junho seguinte (ver quadro). De acordo com Alencar, essa redução na expectativa se deve à quebra de safra de algumas culturas na região por causa da escassez de chuva, mas também a perda de fôlego de alguns segmentos da indústria como o setor têxtil ? que perdeu espaço para os produtos chineses no mercado interno. Contudo, José Sydrião Alencar aposta numa recuperação do ritmo de crescimento econômico no último trimestre do ano. ?Vários serão os fatores que contribuirão para a retomada de crescimento perdida: o incremento das atividades do comércio e do setor de serviços, em função do calendário do fim de ano, mas também está previsto um aumento nos gastos públicos em todo Brasil?, enumera o executivo. ?Além disso, as exportações não deram sinal de esgotamento nem no Brasil e nem na região e as perdas agrícolas serão compensadas pelo setor sucroalcooleiro nordestino que, segundo nossos dados preliminares, terá um aumento de produtividade de até 2,5% por causa dos recentes investimentos em tecnologia e em variedades genéticas de cana-de-açúcar?, diz Alencar. Dessa forma, segundo o superintendente do Etene, o País deve encerrar o ano com incremento do PIB de 3%. O Nordeste deve apresentar variação positiva levemente acima da média nacional, de 3,5%, e Alagoas deve ter porcentual semelhante. As projeções do Etene são baseadas nos números fornecidos pelas Federações das Indústrias, Agricultura e do Comércio dos Estados e também do IBGE. IBGE No fim de novembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou que a economia brasileira teve retração de 1,2% no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores. Foi a maior queda registrada pelo indicador em dois anos e meio. No primeiro trimestre de 2003, ele havia caído 1,3%. Antes do anúncio de queda do PIB, analistas previam uma leve alta de 0,1% no período ou queda menor de apenas 0,5%. Segundo cálculos do IBGE, para alcançar um patamar de crescimento de 3% no ano, a economia brasileira precisa crescer 4,3% no último trimestre na comparação com igual período do ano passado. Um crescimento mais modesto, da ordem de 2,8% no ano, seria atingido com uma expansão do PIB no quarto trimestre de 3,5% em relação a igual período de 2004. O que é PIB? O chamado Produto Interno Bruto é um dos principais indicadores de uma economia. Ele revela a soma de todas as riquezas geradas no País em um determinado período. Contudo, o cálculo do PIB é complexo e envolve várias variáveis. Para calcular o volume de riquezas geradas pela construção civil, por exemplo, IBGE pode lançar mão de informações como preço de matérias-primas e demais custos embutidos no desenvolvimento da atividade. Daí se realiza um cálculo da riqueza gerada envolvendo seus custos de produção e sua cadeia produtiva. Depois de fazer esses cálculos, o IBGE soma a riqueza gerada por cada setor, chegando à contribuição de cada um para a geração de riqueza e, portanto, para o crescimento econômico. ### CNI prevê alta do PIB de 3,3% para o País em 2006 FOLHA ONLINE A economia brasileira deve ter uma expansão de 3,3% em 2006 em um cenário de redução das taxas de juros e controle da inflação, segundo estimativa divulgada na última semana pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para este ano, a previsão alcança 2,5%. Os números são bastante pessimistas se comparadas às previsões oficiais. Membros do governo chegaram a prever um crescimento da economia de 4% neste ano. Além disso, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, acredita que em 2006 o PIB (Produto Interno Bruto) pode avançar o mesmo que em 2004 (4,9%). Para a CNI, a indústria deve ter um desempenho um pouco superior ao da média da economia e alcançar um crescimento de 4,2% em 2006. Já a taxa de investimentos pode subir 6,5%. Para o presidente da CNI, Armando Monteiro, o crescimento não será maior em 2005 e 2006 devido à política monetária. As altas taxas de juros determinadas pelo Banco Central teriam sido responsáveis pela queda de 1,2% no PIB no terceiro trimestre. ?Houve um erro de avaliação na calibragem da política monetária e veio esse tombo no terceiro trimestre.? Para ele, é necessário aprofundar a discussão sobre ?constrangimentos estruturais? como o déficit fiscal elevado, a alta carga tributária e o nível modesto de investimento. Outras previsões da CNI para o próximo ano são: balança comercial (superávit de US$ 43,5 bilhões), exportações (US$ 130 bilhões), importações (US$ 86,5 bilhões), juro em dezembro de 2006 (15%), cotação do dólar ao final do próximo ano (R$ 2,50), superávit primário (4,25% do PIB), conta corrente (superávit de US$ 10,7 bilhões), inflação pelo IPCA (4,7%) e relação dívida/PIB (51,4%). MERCADO Os analistas do mercado financeiro revisaram a previsão de crescimento da economia para este ano pela sétima vez consecutiva. Segundo o últino boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, o PIB terá um crescimento de 2,48% neste ano, contra estimativa de 2,52% da semana anterior. A expectativa em relação ao desempenho da economia piorou após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar o resultado do terceiro trimestre do ano: recuo de 1,2% entre julho e setembro. No ano passado, a economia teve um crescimento de 4,9%. Para o próximo ano, a expectativa foi mantida em 3,5%. A previsão para o crescimento da produção industrial foi mantida em 3,15%. Para 2006, a expectativa passou de 4,1% para 4,5%. Para a taxa de juros, os analistas esperam uma queda de 0,5 ponto percentual na reunião de janeiro do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, o que levaria a taxa Selic para 17,5% ao ano. Na reunião da semana passada, ela caiu para 18% ao ano. Sobre a inflação, os analistas esperam que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) termine o ano em 5,68%, igual previsão da semana anterior. O governo trabalha com uma meta de 5,1%. Para o ano que vem, a previsão ficou igual, ou seja, 4,5%. A previsão para o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) para 2005 sofreu uma leve queda, passando de 1,47% para 1,36%. Para o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), a expectativa passou de 1,50% para 1,41%. Já a projeção em relação ao superávit comercial --saldo positivo entre exportações e importações-- subiu mais uma vez. Os analistas esperam um saldo positivo de US$ 44 bilhões neste ano, ante US$ 43,73 bilhões da semana anterior. Ipea No começo de dezembro, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão ligado ao Ministério do Planejamento (Ipea) revisou para baixo sua projeção de crescimento da economia brasileira neste ano. A estimativa caiu de 3,5% para 2,3%. Na avaliação do Ipea, a retração da economia no terceiro trimestre está vinculada à crise política, que afetou os investimentos, ao fraco desempenho do setor agropecuário, da construção civil e ao comportamento dos juros. ### Brasil já gastou R$ 148 bi com juros ANA PAULA RIBEIRO Folha Online Os gastos com juros neste ano já ultrapassam os R$ 140 bilhões. Entre janeiro e novembro, o serviço da dívida custou aos cofres públicos R$ 146,470 bilhões, um crescimento de 25,5% sobre o registrado no mesmo período do ano passado (R$ 116,687 bilhões). Para pagar essa conta, o setor público (União, Estados, municípios e estatais) fez uma superávit primário (receitas menos despesas, excluindo os gastos com juros) de R$ 98,605 bilhões, o equivalente a 5,58% do PIB (Produto Interno Bruto). Ou seja, R$ 15,855 bilhões acima da meta de 4,25% do PIB para o ano. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, lembrou que todos os anos o esforço fiscal fica acima da meta. ?Acertar a meta como se fosse um dardo seria impossível, sempre há uma margem.? No ano passado, a economia feita foi de R$ 81,112 bilhões, contra uma meta nominal de R$ 71,5 bilhões. Já em 2002 (último ano do governo FHC), o esforço fiscal foi de R$ 52,39 bilhões, contra uma meta de R$ 50,3 bilhões. Como o superávit fiscal não é suficiente para cobrir todo o gasto com juros, o Brasil produz déficit nominal (receitas menos despesas, incluindo gastos com juros), que no acumulado do ano está em R$ 47,865 bilhões, o equivalente a 2,71% do PIB. O superávit primário registrado no mês passado foi de R$ 3,550 bilhões, o mais baixo em um mês de novembro durante o governo Lula. Essa redução já reflete a tentativa do governo de acelerar os gastos para que o superávit acumulado no ano recue para um patamar mais próximo da meta.