Economia
FMI pode lucrar menos que o estimado
| Globo Online Com a antecipação do pagamento da dívida de US$ 10 bilhões do Brasil e de US$ 15 bilhões da Argentina, o Fundo Monetário Internacional poderá lucrar menos que o estimado. A principal fonte de renda do banco é a diferença entre as taxas que paga para captar recursos e as que cobra em financiamentos. Como houve antecipação da quitação dos empréstimos, os juros pagos sobre as operações serão menores. No último ano fiscal, o banco emprestou US$ 2,5 bilhões ? o menor volume desde o fim da década de 1970, mesmo com um ajuste para a inflação do período. Atualmente, os principais tomadores de recursos são Brasil, Argentina, Turquia e Indonésia, responsáveis por 70% dos empréstimos da instituição, que caíram de US$ 90 bilhões em abril de 2004 para US$ 60 bilhões no final de novembro. Com a quitação da dívida do Brasil e da Argentina, o Uruguai passará a ser o maior devedor do banco. Diante desse fator, a entidade já vem avaliando fórmulas alternativas de ganhos. Uma delas seria a obtenção de um melhor rendimento a partir das reservas, com o investimento de uma parcela desse dinheiro em títulos governamentais de longo prazo, em vez de se recorrer a instrumentos financeiros de curto prazo. O investimento em ouro, que já faz parte das reservas do fundo, também seria uma possibilidade. Uma terceira opção seria a cobrança de taxas sobre outros serviços como programas referentes a políticas fiscais e monetárias, ao setor financeiro, a estatísticas nacionais e a padronização de dados. O encarecimento das operações, no entanto, poderia fazer com que países ricos quitassem as dívidas dos mais pobres devedores do fundo. Ou então, que abrissem mão de receber juros sobre seus depósitos também em benefício desses países. As reservas atuais do FMI são de US$ 6,8 bilhões, quantia que daria para cobrir os gastos operacionais da instituição por alguns anos. O economista Kenneth Rogoff, da Universidade de Harvard, diz que se esta fase durar mais cinco ou sete anos, e se não houver nenhuma grande crise financeira, o fundo enfrentará problemas.